E por falar em amor...
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Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009
Gaiolas

Há as feitas com ferro e cadeados.
Mas as mais sutis são feitas com desejos.
Esquisito o que vou dizer: a alma é uma biblioteca.
Nela se encontram as estórias que amamos. Romeu e Julieta, Abelardo e Heloisa, Luiz e Ivani, O paciente inglês, As pontes do Madison, Amor nos
tempos do cólera, A menina e o pássaro encantado.
As estórias que amamos revelam a forma do nosso desejo.
Delas, escolhemos uma.
É a nossa gaiola. Gaiola na mão, saímos pela vida à procura do nosso pássaro.

Quando imaginamos havê-lo encontrado... que felicidade! Ficará feliz em nossa gaiola.
Será o amante da nossa estória de amor: eu para você, você para mim... Nós o colocamos lá dentro e pedimos que nos cante canções de amor.
Acontece que o pássaro também tinha a sua estória.
E era outra. Todo pássaro deseja voar.
Ele bate suas asas contra as grades, suas penas perdem as cores e o seu canto se transforma em choro.
E, de repente, ele se transforma
Não mais o reconhecemos.
É um outro.

Essa é a razão por que a dor da paixão satisfeita é muito maior.
Contada assim, a estória parece ter um vilão e uma vítima.
A verdade é que os dois são vilões, os dois são vítimas.

O desejo da gente é sempre engaiolar o outro e levá-lo pelos caminhos que são nossos.
Isso vale para tudo: marido-mulher, pai-filha, mãe-filho, patrão-empregado, professor-aluno...

Não admira que Sartre tenha dito que: “o inferno é o outro”
Não haverá uma saída.

Lembro-me de um pequeno poema de Pearls que sugere a possibilidade de uma relação sem gaiolas:
Eu sou eu.
Você é você.
Eu não estou neste mundo para atender às suas expectativas.
E você não está neste mundo para atender às minhas expectativas.

Eu faço a minha coisa.
Você faz a sua.
E quando nos encontramos.
Será muito bom. Seremos livres!


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Terça-feira, Fevereiro 10, 2009
O problema maior é não poder nem reclamar... eu sei que quem tem que resolver sou eu e não adianta me queixar pra ninguém... talvez por isso eu me isole.


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Domingo, Fevereiro 01, 2009



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