E por falar em amor...
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Domingo, Setembro 30, 2007



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Sábado, Setembro 29, 2007
Os trechos dos posts seguintes foram extaídos do livro SEMPRE ZEN de Charlotte Joko Beck.

aprendi (como sempre) que, independente de onde você for, as pessoas são as pessoas: são todas maravilhosas e são todas problemáticas, como, aliás, em toda parte; e as mesmas dúvidas que atormentam os australianos nos atormentam também. Eles têm tanta dificuldade com relacionamentos como nós. Portanto, quero comentar sobre as ilusões que temos a respeito de relacionamentos darem certo. Vejam, não dão. Simplesmente não funcionam. Nunca houve um que desse certo. Vocês podem dizer: "Bem, por que estamos fazendo tantas práticas se é assim?". É o fato de querermos que algo dê certo que torna nossos relacionamentos tão insatisfatórios.
De certo modo, a vida pode funcionar, mas não na perspectiva de que iremos fazer alguma coisa que consiga fazê-la funcionar. Em tudo que fazemos a respeito de outras pessoas existe uma sutil - ou não tão sutil - expectativa. Pensamos: "De algum jeito vou acabar me entendendo nessa relação e fazê-la funcionar, então vou conseguir o que desejo". Todos queremos alguma coisa das pessoas com as quais nos relacionamos. Ninguém pode dizer que não quer nada das pessoas com quem se relaciona. Mesmo se evitarmos os relacionamentos essa é apenas uma outra forma de desejar alguma coisa. Em outras palavras, relacionamentos não dão certo.
Porém, então o que dá certo? A única coisa que dá certo (se realmente praticarmos) é o desejo não de ter algo para nós mesmos, mas de acolher a vida toda, incluindo os relacionamentos. Bem, vocês podem afirmar: "É, parece bom, vou fazer isso!". Mas ninguém quer mesmo fazer isso. Não queremos sustentar mais ninguém, mais nada. Sustentar ou acolher na realidade alguém significa que você lhe dá tudo e não espera nada em troca. Você pode lhe dar seu tempo, seu trabalho, seu dinheiro, qualquer coisa. "Se você precisar, eu lhe dou." O amor não espera coisa alguma. Em vez disso temos os seguintes jogos: "Vou me comunicar de modo que nossa relação melhore"; na verdade isso quer dizer: "Vou me comunicar com você para que entenda o que eu desejo". A expectativa implícita que investimos nesses jogos asseguram que esses relacionamentos não darão certo. Se realmente enxergarmos isso, então alguns começarão a entender o próximo passo, que é ver um outro modo de ser. Às vezes temos um vislumbre do que possa ser: "Sim, posso lhe fazer isso, posso sustentar e acolher sua vida e esperar nada. Nada".
A prática de meditação não é um tipo qualquer de "desligamento", mas sim um meio para se entrar em contato com a própria vida. Ao praticarmos, fica cada vez mais clara a idéia desta outra forma de ser e começamos a nos afastar de uma orientação centrada no eu, não em favor de uma orientação centrada no outro (porque ela termina nos incluindo), entretanto, no sentido de uma orientação completamente aberta. Se nossa prática não estiver indo nessa direção, então não é a verdadeira prática. Sempre que quisermos alguma coisa, sabemos que nossa prática deve continuar. Já que nenhum de nós pode afirmar que isso está resolvido, significa que a prática continua para todos nós. Faz muito tempo que comecei a praticar, todavia, apesar disso, o que notei nessa viagem (longa, para a minha idade, mas o sesshin foi bom tendo causado um forte impacto em várias pessoas) foi que eu estava dizendo: "Bem, me custou muito, não tenho certeza se farei a mesma coisa no ano que vem. Talvez eu precise descansar mais". A mente humana é assim. Como todo mundo, quero conforto. Gosto de me sentir bem. Não gosto de ficar cansada. Vocês, quem sabe, dirão: "Mas o que há de errado em querer um pouco de conforto?". Não há nada de errado, a menos que isso contrarie o que para mim é mais importante do que o conforto, a saber, minha orientação fundamental na vida. Se a orientação fundamental não vier da prática, então essa não é uma prática. Se conhecermos nossa orientação fundamental, ela exercerá seu efeito em todas as fases da vida, em nossas relações, em nosso trabalho, em tudo. Se alguma coisa não emergir da prática além daquilo que eu desejo, que só serve para tornar mais confortável minha vida, então essa não é uma prática.
(...)
Numa relação, toda vez que sentimos incômodo – o ponto em que ela deixa de nos convir - um grande ponto de interrogação deveria saltar bem diante de nossos olhos, para que indagássemos o que está acontecendo conosco. De que modo praticarmos com o incômodo? Não estou mencionando que todo relacionamento deva ser mantido para sempre, porque o mérito de uma relação não tem nada que ver com ela, em si. Seu mérito é a força extra que a vida recebe quando trabalha com ela como um canal. Uma boa relação dá mais poder à vida. Se duas pessoas são fortes quando juntas, então a vida tem um canal mais poderoso do que com ambas em separado. É quase como se um terceiro e mais amplo canal tivesse sido formado. É isso que a vida está procurando. Ela não se importa se você está "feliz" em seu relacionamento. O que ela está buscando é um canal e, para ela, o canal tem de ser poderoso. Se não o for, logo, logo, ela o descarta. A vida não liga a mínima para a relação de vocês. Ela busca canais para sua força, para que possa funcionar ao máximo. Esse funcionamento é aquilo que vocês são. Toda essa novela a respeito de você comigo ou com mais alguém não interessa à vida. Ela está procurando canais e, como o vento forte, bate nas relações para testá-las. Se as relações não suportarem o teste, então, ou o relacionamento precisa amadurecer sua força para poder enfrentar a vida, ou precisará ser dissolvido para que uma coisa nova e original tenha chances de emergir dos destroços. Se se dissolve, isso não é menos importante do que as coisas que são aprendidas. Muitas pessoas, por exemplo, casam-se quando sua relação não serve para nada. Claro que não estou defendendo a noção de que as pessoas devam desfazer seus casamentos. Quero apenas dizer que em geral interpretamos com muitos equívocos o que se refere a um casamento. Quando a relação não está dando certo, significa que os parceiros estão preocupados com o "eu": "O que desejo é..." ou "Isso não está certo para mim". Quando o querer é pouco, então a relação é forte e funcionará. É só nisso que a vida tem interesse. Enquanto egos separados, com desejos em separado, vocês não têm importância alguma para a vida. Todas as relações fracas refletem o fato de alguém querer alguma coisa para si próprio.


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Em geral, só temos uma vaga noção consciente de nosso experimentar. Mas sabemos com uma certa imprecisão que, de um jeito ou de outro, nosso comportamento e nossas vivências se interligam. Se estou com dor de cabeça e me comporto de modo irritado, talvez percebo que existe uma ligação entre a cabeça latejante e meu comportamento irritadiço. Por isso, embora não estejamos plenamente conscientes de nossa própria vivência, pelo menos não nos vemos tão distanciados de nossa experiência. Porém, se as outras pessoas estão irritadas, é possível que separemos o comportamento que estão apresentando de suas experiências. Não podemos senti-las; e, por isso, julgamos sua conduta. Se pensamos: "Ela não deveria ser tão arrogante", só enxergamos seu comportamento e o julgamos porque não estamos cientes de sua verdade (suas experiências, suas sensações corporais de medo). Entramos no nível das opiniões pessoais em relação à arrogância.
(...)
Contudo, comportamento e vivência não são fundamentalmente distantes. Quando vivencio você (vê-lo, tocá-lo, ouvi-lo), você é meu vivenciar, só isso. Mas a tendência humana é não parar aí; em vez de você ser apenas minha experiência daquele momento, a ela acrescento minhas opiniões sobre o que parece que você está fazendo; nesse instante, separei-me de você. Quando o mundo parece algo separado, penso que tenha de ser examinado, analisado e julgado. Ao vivermos dessa maneira, em vez de a partir do experimentar em si, estamos numa grande confusão. Temos de ter memória, temos de ter conceitos; mas se não entendermos sua natureza, se não os usarmos de maneira adequada, criamos o caos.
Tal como nós, outros indivíduos estão simplesmente experimentando o que parece ser comportamento. No entanto, consideramos suas experiências como comportamento. Só enxergamos o comportamento deles, e não temos consciência de suas experiências. Na verdade, o vivenciar é universal porque é isso que somos. Quando pudermos enxergar a tolice de nossa vinculação aos pensamentos e às opiniões, e aumentarmos o tempo que vivemos experimentando, seremos mais capazes de sentir a verdadeira vida - o verdadeiro vivenciar - de uma outra pessoa. Quando temos uma vida que não é dominada por opiniões pessoais, mas, ao contrário, é um puro vivenciar, então começamos a nos importar com todos, conosco e com os outros. Não poderemos mais então considerar os outros como objetos, como macacos comportamentais que não passam de seus comportamentos.


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Contudo, ao tentarmos a prática com nossas relações, começaremos a observar que são nosso melhor caminho de crescimento. É nelas que podemos enxergar o que na realidade são nossa mente, nosso corpo, nossos sentidos, nossos pensamentos. Por que os relacionamentos constituem uma prática tão excelente? Por que nos ajudam a entrar naquilo que chamamos a lenta morte do ego? Porque, além de nossa prática formal de sentar, não há nada que supere os relacionamentos em termos de capacidade de demonstrar-nos onde estamos parados e ao que estamos nos apegando. Enquanto nossos botões estiverem sendo pressionados, temos grandes oportunidades de aprender e de crescer. Por isso, o relacionamento é uma grande dádiva, não porque nos torne felizes - com freqüência isso não acontece - mas porque qualquer relacionamento íntimo, se o virmos como prática, é o espelho mais nítido que podemos encontrar.
Podemos afirmar que eles são a porta aberta para nosso verdadeiro eu, o não-eu. Presas do medo, estamos sempre batendo a uma porta pintada, composta de nossos sonhos, nossas esperanças e ambições; e evitamos a dor do portão sem portão, a porta aberta de sermos e estarmos com o que é, seja o que for, aqui e agora.
Para mim é interessante constatar que as pessoas não enxergam qualquer conexão entre sua infelicidade e suas queixas, sua sensação de vítimas, a sensação de que todo mundo está fazendo alguma coisa contra elas. É incrível. Quantas vezes essa ligação foi indicada nas dharma palestras? E, não obstante, nosso medo nos impede de enxergar.
Só as pessoas inteligentes, vigorosas e pacientes acabarão descobrindo aquele posto fixo em torno do qual o universo gira. Infelizmente, a vida para quem não consegue ver de frente o momento presente é sempre violenta e punitiva; não é agradável, e não se liga a mínima para ela. A verdade, porém, é que não é a vida e, sim, nós mesmos que criamos essa infelicidade. Se de fato recusarmo-nos a considerar aquilo que estamos fazendo - e lamento como é reduzido o número de pessoas que farão isso - então seremos punidos por nossas vidas. Ficaremos nos perguntando por que ela é tão dura conosco. Para quem, no entanto, praticar com paciência, sentar, sentar, sentar, e instalar a prática com firmeza em sua vida diária, para ele haverá, cada vez mais, um sabor de alegria numa relação em que o não-eu se encontra com o não-eu. Em outras palavras, a abertura encontra a abertura. É muito raro, mas acontece. E quando ocorre, não sei sequer se podemos aplicar o termo "relacionamento". Quem está ali para se relacionar com quem? Não se pode dizer que o não-eu se relaciona com o não-eu. Para esse estado, portanto, não há palavras. Nesse amor e compaixão atemporais, como disse o Terceiro Patriarca: "Não existe ontem, não existe amanhã, não existe hoje".


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"Quando as expectativas não se cumprem - quando não conseguimos aquilo que desejamos - temos o ponto no qual a prática pode começar. Trungpa Rinpoche escreveu que: "As decepções são a melhor carruagem para usarmos no caminho do Dharma". A decepção é nossa melhor amiga, nossa guia infalível, mas é claro que ninguém gosta de amigos assim.
Ao recusarmo-nos a trabalhar nossa decepção, quebramos os Preceitos: em vez de vivenciá-la, recorremos à raiva, à cobiça, à intriga, à crítica. Contudo, proveitoso é justamente o momento em que podemos ser a decepção e, caso não estejamos dispostos a tanto, pelo menos deveríamos notar que não o estamos. O momento de uma decepção é um presente de vida incomparável que recebemos muitas vezes por dia, se estivermos atentos. Esse presente sempre acontece na vida das pessoas; é aquele momento em que sentimos que: "Não foi bem assim que planejei".
Uma vez que a vida diária se movimenta com rapidez, nem sempre temos a clareza de perceber o que está se passando. Mas quando sentamos na calma podemos observar e vivenciar nossa decepção. Sentar* todo dia é nosso pão com manteiga, o conteúdo básico do dharma. Sem ele, é fácil nos confundirmos."

*É preciso coragem para se sentar bem. O zen não é uma disciplina para todos. Precisamos estar dispostos a fazer algo que não é fácil. Se o fizermos com paciência e perseverança, com a orientação de um bom instrutor, então, aos poucos, nossa vida irá se aquietar, ficar mais equilibrada. Nossas emoções não serão mais tão dominadoras. Enquanto sentamos, descobrimos que a primeira coisa, a mais elementar, para trabalhar, é nossa mente caótica, ocupada. Estamos todos enredados num pensar frenético e o problema da prática está em começar a trazer esse pensamento para a claridade e o equilíbrio. Quando a mente fica limpa, clara, equilibrada, e não mais prisioneira dos objetos, então poderá haver uma abertura e, por um instante, nos, daremos conta de quem somos, na verdade.



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Sonhos, sonhos, muitos sonhos...


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Sexta-feira, Setembro 28, 2007

Parece que algumas coisas precisam vir na análise mesmo, ou melhor, a gente precisa ouvir do terapeuta. Certas observações preenchem lacunas aparentemente instransponíveis...


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Segunda-feira, Setembro 24, 2007

Eu começo a acreditar que não sou pessoa de fácil convivência. Isso apesar de ter velhos e bons amigos. Isso tb apesar de procurar acolher, na medida do possível, os que solicitam minha atenção para as mais variadas questões. Mas de um tempo para cá surgiu uma onda de críticas numa intensidade que me choca e instiga a uma reflexão mais aprofundada. Uma das possibilidades que me ocorreu é que de alguma maneira, para mim ainda inexplicável, trago à tona a sombra do outro, "the dark side", como se eu despertasse o que de mais obscuro e terrível existisse em seu interior. Confesso que não é uma posição agradável e não quero funcionar nela por mais tempo. Nos útlimos dias fui atacada com uma violência insuspeita em alguém cuja aparência é de uma doçura quase infantil. A raiva foi proporcional a essa fachada de bom mocismo. Suponho que sua sombra seja tb de igual intensidade. Tenho medo disso. Não quero esse lugar de "catalizadora de sombras". Já tenho a minha para digerir, aceitar e eventualmente transformar...

"Em 1945, Jung deu uma definição mais direta e clara da sombra: “a coisa que uma pessoa não tem desejo de ser” (CW 16, parág. 470). Nesta simples afirmação estão incluídas as variadas e repetidas referências à sombra como o lado negativo da personalidade, a soma de todas as qualidades desagradáveis que o indivíduo quer esconder, o lado inferior, sem valor, e primitivo da natureza do homem, a “outra pessoa” em um indivíduo, seu próprio lado obscuro. Jung era perfeitamente consciente da realidade do mal na vida humana.
Vezes e mais vezes enfatizou que todos nós temos uma sombra, que toda coisa substancial emite uma sombra, que o ego está para a sombra como a luz para a penumbra, que é a sombra que nos faz humanos.
Todo mundo carrega uma sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do indivíduo, mais negra e densa ela é. Se uma inferioridade é consciente, sempre se tem uma oportunidade de corrigi-la. Além do mais, ela está constantemente em contato com outros interesses, de modo que está continuamente sujeita a modificações. Porém, se é reprimida e isolada da consciência, jamais é corrigida, e pode irromper subitamente em um momento de inconsciência. De qualquer modo, forma um obstáculo inconsciente, impedindo nossos mais bem-intencionado propósitos (CW 11, parág. 131).
É a Freud que Jung dá o crédito de chamar a atenção do homem moderno para a dissociação entre os lados claro e escuro da psique humana. Abordando o problema sob um ângulo cientifico e sem qualquer finalidade religiosa, percebia que Freud descobrira o abismo da escuridão na natureza humana, que o iluminado otimismo do cristianismo ocidental e a era científica haviam procurado ocultar. Jung falava do método de Freud como a mais detalhada e profunda análise da sombra jamais realizada.
Jung admitia tratar a sombra de um modo diferente da abordagem freudiana, que achava limitada. Reconhecendo que a sombra é uma parte viva da personalidade e que “quer viver com esta” de alguma forma, identifica-se, antes de tudo, com os conteúdos do inconsciente pessoal. Lidar com estes envolve o indivíduo ter de harmonizar-se com os instintos e como a expressão destes foi submetida ao controle pelo coletivo. Mais ainda, os conteúdos do inconsciente pessoal estão inexplicavelmente fundidos com os conteúdos arquetípicos do inconsciente coletivo, estes por sua vez contendo seu próprio lado obscuro. Em outras palavras, é impossível erradicar a sombra; daí, o termo empregado mais freqüentemente pelos psicólogos analíticos para o processo do confronto com a sombra na análise é “pôr-se em termos com a sombra”.
Visto a sombra ser um arquétipo, seus conteúdos são poderosos, marcados pelo afeto, obsessivos, possessivos, autônomos – em suma, capazes de alarmar e dominar o ego estruturado. Como todos os conteúdos capazes de se introduzir na consciência, no início aparecem na projeção e, quando a consciência se vê em uma condição ameaçadora ou duvidosa, a sombra se manifesta como uma projeção forte e irracional, positiva ou negativa, sobre o próximo. Aqui Jung encontrava uma explicação convincente não só das antipatias pessoais, mas também dos cruéis preconceitos e perseguições de nosso tempo.
No que concerne à sombra, o objetivo da psicoterapia é desenvolver uma conscientização daquelas imagens e situações mais passíveis de produzir projeções de sombra na vida individual. Admitir (analisar) a sombra é romper com sua influência compulsiva."

in http://www.rubedo.psc.br/dicjung/verbetes/sombra.htm


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Domingo, Setembro 23, 2007
Sei que é surreal, mas conheço pessoas que passaram por isso...

"Eu vou te deletar, te excluir do meu orkut
Eu vou te bloquear no msn
Não me mande mais scraps nem email power point
Me exclua também e adicione ele
Vou te excluir do meu orkut"


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Desânimo. Parece impossível se comunicar qdo o outro está com a auto estima tão baixa que entende tudo o que é dito como uma crítica, agressão ou alvitamento a sua pessoa. Mesmo tentando baixar a guarda e apelando para o bom senso, "não vai", não rola.

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Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Eu versão Simpsons. Não estava muito inspirada qdo "me produzi"...
http://www.simpsonizeme.com/



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Quarta-feira, Setembro 19, 2007
CONTO DE FADAS PARA AS MULHERES DO SÉCULO XXI

Era uma vez, numa terra muito distante, uma Linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas , se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei- me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e TU poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias OS nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava...
NEM MORTA!

Luiz Fernando Veríssimo


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Chagall


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Segunda-feira, Setembro 17, 2007
E qdo vc não consegue definir se os calafrios que sente são maus pressentimentos ou tesão???


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Sexta-feira, Setembro 14, 2007
… foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue…
Clarice

Ah, preguiça de recomeçar. Às vezes sinto como se não tivesse mais forças pra tentar tudo novamente, nova casa, novo emprego, novo amor. Em algum lugar lá dentro eu sei que há um gerador, não só de dor, mas, de vida, querendo funcionar. Ou precisando só de um empurrãozinho pra girar com força. Sim ele está lá, e eu me arrasto pelo chão frio e úmido, me perguntando qual seu combustível e se eu o tenho no bolso para qdo me deparar com a máquina poder abastecê-la. Qual será?


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Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Eu trabalho com pessoas em situação limite. No limite do que chamam de razão, no limite do desespero, da solidão. Isso desperta, remexe, faz transbordar o que de mais escuro há em mim. Às vezes acho que só alguém vivendo seu próprio limite vai me entender, ou pelo menos poder se aproximar. Quase sempre eu acho que só os "desgraçados" se reconhecem e se amparam. Para ser o que chamam de terapeuta, é preciso ter suas feridas, cicatrizadas ou não; é aconselhavel não temer o vazio, não permitir que a solidão se transforme em desamparo.


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Todo mundo é lobo por dentro - Oswaldo Montenegro

Você me disse que eu sou petulante, né?
acho que sou sim, viu?
como a água que desce a cachoeira
e não pergunta se pode passar
você me disse que meu olho é duro como faca
acho que é sim, viu?
como é duro o tronco da mangueira
onde você precisa se encostar
você me disse que eu destruo sempre
a sua mais romântica ilusão
e destruo sempre com minha palavra
o que me incomodou
acho que é sim
como fere e faz barulho o bicho que se machucou
como fere e faz barulho o bicho que se machucou



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"Estou desorganizada pq perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia - a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la - na minha nova covardia, é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas, e agora? estarei mais livre?
Não. Sei que ainda não estou sentindo livremente, que de novo penso pq tenho por objetivo achar - e que por segurança chamarei de achar o momento em que encontrar um meio de saída. Por que não tenho coragem de apenas achar um meio de entrada? Oh, sei que entrei, sim. Mas assustei-me pq não sei para onde dá essa entrada. E nunca antes eu me havia deixado levar a menos que soubesse para o quê."

Clarice em "A paixão segundo G.H."


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Love him, love him and let him love you.
Do you think anything else under heaven really matters?
And how long can it last?
Five minutes, I assure you, five minutes and most of that, alas, in the dark.
And if you have only one memory from your life, it will be of these minutes, when you grew still, when you fell silent, when you let him know from the bottom of his heart that at the bottom of yours, you stopped resisting him with all your strength.

Baldwin


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Terça-feira, Setembro 11, 2007


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Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Estranha sensação de que eu poderia fazer qualquer coisa (por inércia). Um certo descompromisso, talvez um "amortecimento", identificação com O estrangeiro. Mas não há bom nem ruim nisso. É tudo confuso neste momento...


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Domingo, Setembro 09, 2007


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Pedras no caminho?? Ande descalço.


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September Song

September, field like any other where one short story
came to its end
What darkness runs through the mind of those so young
to paint so black a portrait
And little legs can only carry you so far, choking
down tears terrified

I've heard screams in my sleep
Telling me to wake up from this dream I'm in
I've heard laughs from all three
Shielding his face from the stones they threw at him

Strangers fall upon one soul, like so many demons upon
an angel fallen
He wonders what he's done to deserve this
"Please, I just want to go back home"
The child trips and falls, knees are bleeding
Stars and clouds fill his head
Can no one hear him screaming
He's screaming his throat red

This day, dark day innocence lost its way
This field this hell, is where an angel fell
This day, dark day innocence lost its way
This field this hell, is where an angel fell
This day, dark day innocence lost its way
This field this hell, is where an angel fell

Strangers fall upon one soul, like so many demons upon
an angel fallen
He wonders what he's done to deserve this
"Please, I just want to go back home"
The child trips and falls, knees are bleeding
Stars and clouds fill his head
Can no one hear him screaming
He's screaming his throat red

He lays alone, no one to hold his hand, no one to tell
him goodbye
He lies alone reaching for hands not there, to weak to
cry, no one to wipe his eyes
And falling autumn leaves, is not a funeral
Handfuls of windblown dust, is not a burial


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Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Não, vc não me conhecerá lendo uma página. Teria que ler tudo, desde o começo e me ver de perto, e descobrir meus gostos, e ver minha cara qdo acordo, e saber que gosto de cappuccino com pouco açúcar mascavo. E saber que apesar de não parecer, eu sempre presto atenção ao que o outro está dizendo; que começo mtas coisas e as faço ao mesmo tempo; que a-do-ro sorvete!!! Tenho duas cãs que são as rainhas do lar pois meus pais as deixam fazer de tudo, inclusive cochilar na sala... Tenho quase todos os livros do Paul Auster e toda vez que começo um livro volto a sentir o prazer esquecido nos dias longe dessa boa companhia. Só me conhecendo de perto pra entender que sou bicho do mato mas não fujo de todo mundo... Tenho o que hoje em dia consideram um defeito: levo as palavras a sério e de-tes-to qdo combinam algo e desmarcam na última hora!! Em geral sou tranquila e paciente, um tanto dispersa e ansiosa, tudo ao mesmo tempo. Gosto de música mas em 90% do meu tempo o silêncio é meu grande companheiro. Sinto muita falta de música ao vivo, não de barzinho, mas shows, do Sesc Instrumental Paulista a grandes apresentações em estádios, isso é algo que me faz bem. Tenho o que chamo de "agnosia visual para faces", cuja melhor tradução é: posso não te reconhecer na rua ou te confundir, mesmo que eu te conheça há anos... Quase sempre saio com os olhos fechados nas fotos. Meu "cerebelo" (rs) está sempre em ação e posso te surpreender horas depois com uma associação inusitada sobre aquele assunto que te pareceu me entediar... Aliás, quase tudo me interessa, sou capaz de passar horas assistindo a uma reportagem sobre a evolução das tintas, supercondutores, um programa de viagem, documentário sobre a cultura de um país, o surgimento das ferramentas de construção (outro dia ví algo sobre o "aperfeiçoamento" dos pregos), ou como se reproduzem os répteis x. E se vc não gosta de comida, se vive em regime ou se se impõe severas restrições alimentares, nem se aproxime. Gosto muito de cozinhar, aprendi receitas deliciosas, simples, doces...


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"Dizer que alguém é típico é a morte simbólica do outro. Anula tudo o que ele tem de singular".
Eduardo Coutinho, documentarista

(amei isso qdo lí no Blog do Fernando)


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"É o amor e não o tempo que cura todas as feridas."


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Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Eu gosto dos homens que fazem a diferença.


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The Painted Veil


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