E por falar em amor...
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Quinta-feira, Agosto 30, 2007

Tive que voltar para assinar alguns papéis, mas no final das contas foi positivo.
Encontrei algumas pessoas que reafirmaram sua perplexidade diante dos acontecimentos.
Funcionários e usuários indignados com a sacanagem, falta de ética e filhadaputice.
Esta foto é de maio, qdo tudo parecia estar bem...


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Quarta-feira, Agosto 29, 2007

Nesta sexta-feira no Centro Cultural Popular Consolação, rua da Consolação, 1901.


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Domingo, Agosto 26, 2007


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suspendendo os comentários por um tempo...

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Quinta-feira, Agosto 23, 2007
Alterando o template

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O senhor... Mira veja: o mais importante e bonito,
do mundo, é isto: que as pessoas não
estão sempre iguais, ainda não foram
terminadas -- mas que elas vão sempre
mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior.

Guimarães Rosa, Grande Sertão, Veredas


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Duas homenagens em uma: ao casal Nozes e Marcelo e ao Mr Big.


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Quarta-feira, Agosto 22, 2007

Isto te parece familiar??


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"Creio que a vida não é feita das decisões que você não toma, ou das atitudes que você não teve, mas sim, daquilo que foi feito! Se bom ou não, penso, é melhor viver do futuro do que do passado!"

Luís Fernando Veríssimo


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DEFICIÊNCIAS - Mario Quintana

Deficiente: aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
Louco: quem não procura ser feliz com o que possui.
Surdo: aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
Mudo: aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
Paralítico:quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
Diabético:quem não consegue ser doce.
Anão:quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois: Miseráveis são todos que não conseguem falar com Deus.


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Terça-feira, Agosto 21, 2007
Ter tempo pode ser uma experiência enriquecedora, qdo vc sabe o que procurar e está receptivo...

"(...) Aprendi a me virar, após muitos revirares. A dar cambalhotas e ver o mundo de ponta-cabeça, a erguer os pés para o céu e receber suas bênçãos. A virar a bunda para a lua e dormir em paz. A sentir o sentido da vida nas pequenas coisas. A pegar no imaterial, no impalpável com mãos de fada. A acariciar o macio, a acolher o duro e a amaciar. A participar da transformação, passo a passo, sendo surpreendida e surpreendendo-me. Aprendi que devo caminhar com a certeza de um devoto, a fidelidade de um samurai e a paciência de um monge."

"O quê, afinal, eu aprendi com Sándor?" - Elvira Leme


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Segunda-feira, Agosto 20, 2007

ok, um pouco de colírio para os olhos é bem útil...


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Pronto Cô, pra vc!


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Tem festa nesse sábado!


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Domingo, Agosto 19, 2007
"Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo."
Sigmund Freud


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Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - André Comte-Sponville
Ed. Martins Fontes, São Paulo, 1999 - Tradução de Eduardo Brandão

12
A simplicidade

À humildade às vezes falta simplicidade, por causa dessa duplicação de si para si que ela supõe. Julgar-se é levar-se a sério demais. O simples não se questiona tanto assim sobre si mesmo. Porque se aceita como é? Já seria dizer demais. Ele não se aceita nem se recusa. Não se interroga, não se contempla, não se considera. Não se louva nem se despreza. Ele é o que é, simplesmente, sem desvios, sem afetação, ou antes – pois ser lhe parece uma palavra grandiosa demais para tão pequena existência -, faz o que faz, como todos nós, mas não vê nisso matéria para discursos, para comentários, nem mesmo para reflexão. Ele é como os passarinhos de nossas florestas, leve e silencioso sempre, mesmo quando canta, mesmo quando pousa. O real basta ao real, e essa simplicidade é o próprio real. Assim é o simples: um indivíduo real, reduzido à sua expressão mais simples. O canto? O canto, às vezes; o silêncio, mais freqüentemente; a vida, sempre. O simples vive como respira, sem maiores esforços nem glória, sem maiores efeitos nem vergonha. A simplicidade não é uma virtude que se some à existência. É a própria existência, enquanto nada a ela se soma. Por isso é a mais leve das virtudes, a mais transparente e a mais rara. É o contrário da literatura: é a vida sem frases e sem mentiras, sem exagero, sem grandiloqüência. É a vida insignificante, a verdadeira vida.

A simplicidade é o contrário da duplicidade, da complexidade, da pretensão. Por isso é tão difícil. Não é sempre dupla a consciência, que só é consciência de alguma coisa? Não é sempre complexo o real, que só é real pelo entrelaçamento em si das causas e das funções? Não é sempre pretensioso todo homem, assim que se esforça para pensar? Que outra simplicidade além da tolice? Da inconsciência? Do nada?

O homem simples pode não se fazer essas indagações. O que não as anula, nem nos basta para resolvê-las. Simplicidade não é simploriedade. Mas essas questões tampouco poderiam anular a simplicidade de tudo, nem a virtude ligada a ela. Inteligência não é congestionamento, complicação, esnobismo. Que o real é complexo, não há dúvida, e de uma complexidade infinita, por certo. Poderá ser infindável descrever ou explicar uma árvore, uma flor, uma estrela, uma pedra… Isso não as impede de serem simplesmente o que são (sim: muito simplesmente e muito exatamente o que são, sem nenhuma falta, sem nenhuma duplicidade, sem nenhuma pretensão!), nem obriga ninguém a se perder nesse infinito da descrição ou do conhecimento. Complexidade de tudo: simplicidade de tudo. “A rosa não tem porquê, floresce porque floresce, não se preocupa consigo, não deseja ser vista…” O que há de mais complicado do que uma rosa, para quem a quer compreender? O que há de mais simples, para quem não quer nada? Complexidade do pensamento: simplicidade do olhar. “Tudo é mais simples do que podemos imaginar e, ao mesmo tempo, mais intrincado do que poderíamos conceber”, dizia Goethe. Complexidade das causas: simplicidade da presença. Complexidade do real: simplicidade do ser. “O contrário do ser não é o nada”, escreve Clément Rosset, “mas o duplo”. O contrário do simples não é o complexo, mas o falso.

A simplicidade no homem – a simplicidade como virtude – tampouco tem porque negar a consciência ou o pensamento. Ao contrário, ela se reconhece por essa sua capacidade de, sem anular uma e outro, ir além de ambos, libertar-se de ambos, não se deixar enganar por eles, nem ser sua prisioneira. Que toda consciência seja dupla, pois é consciência de um objeto (intencionalidade) e da consciência que toma dele (reflexividade), está bem. Mas isso nada prova contra a simplicidade do real, nem da vida, nem mesmo da consciência pura, pré-reflexiva e antepredicativa, sem a qual nenhuma predicação e nenhuma reflexão seriam possíveis. Simplicidade não é inconsciência, simplicidade não é tolice; o espírito simples não é um simples de espírito! A simplicidade constitui, ao contrário, o “antídoto da reflexividade” e da inteligência, que evita que estas se envaideçam, se percam em si e com isso percam o real, se dêem demasiada importância, dissimulem, façam enfim obstáculo àquilo mesmo que pretendem revelar ou desvelar. A simplicidade aprende a se desprender, ou antes, ela é esse desprendimento de tudo e de si mesmo: “Largar de mão”, como diz Bobin, “acolher o que vem, sem nada guardar como coisa sua…” Simplicidade é nudez, despojamento, pobreza. Sem outra riqueza senão tudo. Sem outro tesouro senão nada. Simplicidade é liberdade, leveza, transparência. Simples como o ar, livre como o ar: a simplicidade é o ar do pensamento, como uma janela aberta para o grande sopro do mundo, para a infinita e silenciosa presença de tudo… Há algo mais simples que o vento? Há algo de mais aéreo que a simplicidade?

Intelectualmente, talvez não seja diferente do bom senso, que é o julgamento reto, quando não é estorvado por aquilo que sabe ou crê, mas aberto primeiro ao real, à simplicidade do real e, como sempre, novo em cada uma de suas operações. É a razão, quando ela não se engana a seu próprio respeito: razão lúcida, razão encarnada, razão mínima, se quisermos, mas que é a condição de todas. Entre duas demonstrações, entre duas hipóteses, entre duas teorias, os cientistas costumam privilegiar a mais simples: é apostar na simplicidade do real, mais do que na força de nosso espírito. Essa escolha, que não tem como ser provada, é entretanto de bom senso. Aconteceu-me muitas vezes lamentar que os filósofos, sobretudo os filósofos contemporâneos, façam ordinariamente a escolha inversa, preferindo o mais complicado, o mais obscuro, o mais contorto… Isso os protege contra qualquer refutação e torna suas teorias tão inverossímeis quanto enfadonhas. Complicação não do real, mas do pensamento: má complicação. Mais vale “uma verdade simples e ingênua”, como dizia Montaigne, decerto proporcional à complexidade do real, quando necessário, mas sem lhe acrescentar os enredamentos de nosso espírito nem confundi-la com estas. A inteligência é a arte de reduzir o mais complexo ao mais simples, não o inverso. Inteligência de Epicuro, inteligência de Montaigne, inteligência de Descartes… E inteligência, hoje, de nossos cientistas. Há coisa mais simples do que E=mc2? Simplicidade do real, mesmo que mais complexo; clareza do pensamento, mesmo que difícil. “Aristófanes, o gramático, não sabia como reaver em Epicuro a simplicidade de suas palavras e a fineza de sua arte oratória, que era apenas a clareza de linguagem”, escreve Montaigne. Por que complicar, quando se pode simplificar, demorar quando se pode abreviar, obscurecer quando se pode esclarecer? E que vale um pensamento que não o pode? Prestamos a nossos sofistas uma obscuridade afetada. Não acredito nisso. É profundidade que eles afetam, e a obscuridade é necessária a ela. Uma água pouco profunda só pode iludir se for turva… Seus argumentos seriam mais convincentes se fossem mais claros. Mas, se fossem convincentes, precisariam ser obscuros?

Isso não data de hoje. A escolástica é eterna, ou antes, cada época tem a sua. Toda geração tem seus sofistas, seus intrujões, seus preciosos ridículos, seus pretensiosos. Descartes, contra os de seu tempo, soube dizer o essencial, que também vale contra os do nosso: “Sua maneira de filosofar é muito cômoda, para aqueles que só têm espíritos muito medíocres; pois a obscuridade das distinções e dos princípios de que se servem permite-lhes que falem de todas as coisas tão ousadamente como se delas soubessem e que sustentem tudo o que dizem contra os mais sutis e mais hábeis, sem que se tenha meios de convencê-los.” A obscuridade protege. A complexidade protege. A isso Descartes opõe os princípios “muito simples e muito evidentes” que utiliza, os quais tornam sua filosofia compreensível para todos e discutível por todos. Não pensamos para nos proteger. A simplicidade também é uma virtude intelectual.

Mas é antes de tudo uma virtude moral, ou mesmo espiritual. Transparência do olhar, pureza do coração, sinceridade do discurso, retidão da alma ou do comportamento… Parece que só podemos nos aproximar dela indiretamente, por outra coisa que não ela mesma. Porque a simplicidade não é a pureza, não é a sinceridade, não é a retidão… Por exemplo, nota Fénelon, “vêem-se muitas pessoas que são sinceras sem serem simples: nada dizem que não creiam ser verdadeiro, querem passar apenas pelo que são; estão sempre se estudando, sempre compassando [medindo-se como com um compasso] todas as suas palavras e todos os seus pensamentos e rememorando tudo o que fizeram por temerem ter feito ou dito demais”. Em suma, ocupam-se demais consigo mesmas, ainda que tenham bons motivos, e isso é o contrário da simplicidade. Não, é claro, que seja necessário impedir-se de pensar em si. “Querendo ser simples”, escreve Fénelon, “nos afastaríamos da simplicidade.” Trata-se de não afetar nada, nem mesmo simplicidade. Mais vale ser simplesmente egoísta do que afetar generosidade. Mais vale ser simplesmente volúvel do que afetar fidelidade. Não, mais uma vez, que a simplicidade se reduza à sinceridade, à ausência de hipocrisia ou de mentira. Ela é antes a ausência de cálculo, de artifícios, de composição. Mais vale uma simples mentira do que uma sinceridade calculada. “Essas pessoas são sinceras”, prossegue Fénelon, “mas não são simples; não se sentem à vontade com os outros, e os outros não se sentem à vontade com elas; não encontramos nelas nada de desembaraçado, nada de livre, nada de ingênuo, nada de natural; preferiríamos pessoas menos regulares e mais imperfeitas, que fossem menos compostas. Eis o gosto dos homens, e o de Deus é o mesmo: ele quer almas que não se ocupem de si mesmas, como que sempre ao espelho para se comporem.” A simplicidade é espontaneidade, coincidência imediata consigo mesmo (inclusive naquilo em nós que ignoramos), improvisação alegre, desinteresse, desprendimento, desprezo de provar, de prevalecer, de parecer… Daí essa impressão de liberdade, de leveza, de ingenuidade feliz. “A simplicidade”, escreve Fénelon, “é uma retidão da alma que corta qualquer volta inútil sobre si mesma e sobre suas ações. […] Ela é livre em seu trajeto, porque não pára para se compor com arte.” Ela é despreocupada, mas não descuidada: ela se ocupa do real, não de si. É o contrário do amor-próprio. Fénelon, mais uma vez: “Como somos interiormente desprendidos de nós mesmos pelo corte de todos os retornos voluntários, agimos mais naturalmente. […] Essa verdadeira simplicidade parece às vezes um pouco negligente e menos regular, mas tem um sabor de candura e verdade que se faz sentir, um quê de ingênuo, de doce, de inocente, de alegre, de tranqüilo, que encanta quando olhamos de perto e imediatamente com olhos puros.” A simplicidade é esquecimento de si, é nisso que ela é uma virtude: não o contrário do egoísmo, como a generosidade, mas o contrário do narcisismo, da pretensão, da auto-suficiência. Dir-se-á que mais vale a generosidade. Sim, enquanto o ego permanecer e dominar. Mas nem toda generosidade é simples (que auto-suficiência em Descartes!), ao passo que a absoluta simplicidade é sempre generosa (que generosidade em são Francisco!). É que o eu nada mais é do que o conjunto das ilusões que tem acerca de si mesmo: o narcisismo não é o efeito do ego, mas seu princípio. A generosidade o supera; a simplicidade o dissolve. A generosidade é um esforço; a simplicidade, um repouso. A generosidade é uma vitória; a simplicidade, uma paz. A generosidade é uma força; a simplicidade, uma graça.

Jankélévitch bem viu que toda virtude, sem ela, careceria do essencial. Que valeria uma gratidão afetada, uma humildade pernóstica, uma coragem que só serviria para exibição? Não seria nem generosidade, nem humildade, nem coragem. Modéstia sem simplicidade é falsa modéstia. Sinceridade sem simplicidade é exibicionismo ou cálculo. A simplicidade é a verdade das virtudes: cada virtude só é ela mesma se livre da preocupação de parecer, e mesmo da preocupação de ser (sim: livre de si!), se, pois, for sem rebuscamento, sem artifício, sem pretensão. Aquele que só é corajoso em público, generoso em público, virtuoso em público não é verdadeiramente corajoso, nem verdadeiramente generoso, nem verdadeiramente virtuoso. E aquele que só é simples em público (isso acontece: alguns tratam de “você” o primeiro que aparece, mas tratam a si mesmos de “senhor” diante do espelho) é simplesmente amaneirado. “A simplicidade afetada”, dizia La Rochefoucauld, “é uma impostura delicada.” Qualquer virtude, sem a simplicidade, é pois pervertida, como que esvaziada de si mesma, como que cheia de si mesma. Inversamente, uma simplicidade verdadeira, sem suprimir os defeitos, torna-os mais suportáveis: ser simplesmente egoísta, simplesmente covarde, simplesmente infiel nunca impediu ninguém de ser sedutor ou simpático. Ao passo que o imbecil pretensioso, o egoísta hipócrita ou o covarde exibido são insuportáveis, assim como o bonitão vazio que banca o romântico ou alardeia suas conquistas. A simplicidade é a verdade das virtudes e a desculpa dos defeitos. É a graça dos santos e o encanto dos pecadores.

Que ela não desculpa tudo, no entanto, está claro, e na verdade é menos uma desculpa do que uma sedução. Mas quem quisesse utilizá-la como tal estaria faltando com a simplicidade.

O simples é aquele que não simula, que não presta atenção (em si, na sua imagem, na sua reputação), que não calcula, que não tem artimanhas nem segredos, que não tem segundas intenções, programa, projeto… Virtude de infância? Não creio muito. É antes a infância como virtude, mas uma infância reencontrada, reconquistada, como que libertada de si mesma, da imitação dos adultos, da impaciência de crescer, da grande seriedade de viver, do grande segredo de ser si mesmo… A simplicidade só se aprende pouco a pouco. Vejam Clara Haskil, em Mozart ou em Schumann. Nenhuma criança nunca tocará como essa velha senhora as Variações em dó maior (“Ah, vous dirai-je maman”) ou as Cenas infantis, com essa graça, essa poesia, essa leveza, essa inocência… É a infância do espírito, a que as crianças quase nunca têm acesso.

O fato de a mesma palavra poder designar também uma forma de tolice ilustra bastante bem o que pensamos da inteligência e o uso que geralmente fazemos dela. Mas isso não esconderia o essencial, que é a própria simplicidade, como virtude e como graça. Sopra aí o espírito dos Evangelhos. “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem recolhem em celeiros, e vosso Pai celeste as sustenta!… Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam…” A prudência nos lembra de que não podemos viver sempre assim. Virtude intelectual contra virtude espiritual. Quem não vê que a prudência é mais necessária e a simplicidade, mais elevada? O Pai celeste sustenta bem mal seus filhos, e é prudente não viver como uma ave. Mas também sábio por não esquecer totalmente a sabedoria, que é feita de simplicidade. Sabedoria de poeta: “Vamos aqui e ali, à procura de uma alegria por toda a parte em migalhas, e o saltitar do pardal é nossa única possibilidade de saborear Deus espalhado no chão.” Tudo é simples para Deus; tudo é divino para os simples. Mesmo o trabalho, mesmo o esforço. “Não vos inquieteis com o dia seguinte, pois o amanhã se inquietará consigo mesmo. Basta a cada dia seu próprio penar…” Não é proibido semear, nem colher. Mas por que se preocupar com a colheita, quando se semeia? Por que ter saudade da semeadura, quando se colhe? A simplicidade é virtude presente, virtude atual, é por isso que nenhuma virtude é real se não é simples. Não é proibido fazer projetos, programas, cálculos… Mas a simplicidade, portanto também a virtude, é o que lhes escapa. Nada é grave, nada é complicado, a não ser o futuro. Nada é simples, a não ser o presente.

A simplicidade é esquecimento de si, de seu orgulho e de seu medo: é quietude contra inquietude, alegria contra preocupação, ligeireza contra seriedade, espontaneidade contra reflexão, amor contra amor-próprio, verdade contra pretensão… O eu subsiste nela, é claro, mas como que mais leve, purificado, libertado (“desligado de si”, como diz Bobin, “desprendido de todo reino”). Faz muito tempo, até, que ele renunciou a buscar sua salvação, que já não se preocupa com sua perda. A religião é complicada demais para ele. A própria moral é complicada demais para ele. Para que essas perpétuas voltas sobre si mesmo? Nunca acabaríamos de nos avaliar, de nos julgar, de nos condenar… Nossas melhores ações são suspeitas; nossos melhores sentimentos, equívocos. O simples sabe disso e nem se importa. Ele não se interessa suficientemente para se julgar. Para ele, a misericórdia faz as vezes de inocência, ou a inocência, talvez, de misericórdia. Ele não se leva nem a sério nem a trágico. Segue seu pequeno caminho, de coração leve, alma em paz, sem objetivo, sem nostalgia, sem impaciência. O mundo é seu reino, e lhe basta. O presente é sua eternidade, e o satisfaz. Nada tem a provar, pois não quer parecer nada. Nada tem a buscar, pois tudo está ali. Há coisa mais simples que a simplicidade? Há coisa mais leve? É a virtude dos sábios, e a sabedoria dos santos.


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"Oh, bendita simplicidade, que apreende com presteza o que a engenhosidade, exausta a serviço da vaidade, apenas pode apreender lentamente."
Soren Kierkegaard

O Discreto Charme da Simplicidade
O verdadeiro líder é uma das mais simples pessoas da equipe. Porque ele tem assegurada sua auto-estima, sua auto-confiança, sua paz interior e por isso não tem a menor necessidade de fazer alarde daquilo que o mundo corporativo chama de poder.
FLORIANO SERRA


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Fui à pré estréia do Ultimate Bourne. Eles conseguiram fazer a sequência melhorar a cada filme!


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Sexta-feira, Agosto 17, 2007
Pior que "sem vontade" é "sem desejo".
Relí em algum lugar "a certeza é inversamente proporcional ao conhecimento" e lembrei de um amigo que há tempos não vejo. Certa vez ele brigou comigo por conta de um comentário que fiz. Não era exatamente uma certeza, mas afirmei que mesmo que seu problema hepático tenha uma causa acidental ele estava relacionado à algum sentimento intenso represado. Eu e meu lado analista de Bagé... Ele brigou comigo, por msn, imagine, e escreveu algo como "vc e suas certezas"... Ah, se pudesse encontrá-lo novamente! lhe diria que não há mais certezas. Talvez algumas constatações, mas não mais certezas...


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Quinta-feira, Agosto 16, 2007





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Quarta-feira, Agosto 15, 2007


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Quarta-feira, Agosto 08, 2007
Resumo perfeito: "Você sofreu um aborto!"


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PELA JANELA - (Rafael Rocha Daud)

Pela janela, duas imagens:
o reflexo da parede do lado de dentro do apartamento
parece um muro, suspenso no ar,
no lado de fora;
sentimos quase o cheiro da grama,
e julgaríamos ser capazes de ver um cão
a correr atrás de flores ao longo desse muro.
Acima dele, a lua, verdadeira,
brilhando quase azulada, de tão branca,
só um pouco borrada por causa da
imperfeição do vidro da janela.
Gostaria de abrir essa janela,
saltar sobre o muro, e agarrado a ele,
temeroso da queda infalível,
sonhar, olhando para cima,
sentindo a brisa da noite no corpo,
as mãos espalmadas sobre os tijolos gélidos,
e a convicção dos amantes, de que
nenhuma noite contemplando a lua
é uma noite que se passa em solidão.
E esta janela, fechada, não apenas me aquece,
mas também a mim, do lado de dentro,
não me deixa morrer de solidão.



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PROMESSA

"Há alguns dias, Deus - ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus - enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor.
Quando cheguei ao bar e a vi, rodeada de rostos conhecidos; quando sentei, sorrindo, depois de dar oi a todos e falando alguma dessas bobagens que a gente fala ao chegar, e os outros riem, e nos sentimos acolhidos na turma de cinco amigos em meio a dezoito milhões de desconhecidos; não percebi o que estava para acontecer. Achei-a bonita, ponto. E pensei - no momento em que puxava a cadeira para sentar-me - quem é essa moça bonita que eu não conheço, em meio aos outros que conheço tanto?
A primeira impressão é a que fica - para trás. Pelo menos no meu caso. A imagem inicial que tenho de pessoas e lugares não tem nada a ver com a que se constrói depois de um tempo. Se naquele momento me perguntassem, portanto, o que eu achava da menina bonita, não iria me derreter em superlativos. Mas quando ela sorriu pela primeira vez, e a curva do sorriso foi abrindo caminho pelas bochechas e apontando para cima, em direção a dois olhões pretos e inteligentes, pensei assim: eu poderia amar essa mulher.
Não, não foi amor à primeira vista. Eu não estava loucamente atraído por ela, nem apaixonado. Não senti vontade de pular em cima e beijá-la imediatamente, nem aquela afobação que a gente já não sabe se é desejo ou consumismo, tipo: preciso dela imediatamente. Eu estava calmo. O amor é calmo.
Eu seria uma besta se dissesse que vi nos olhos dela a mesma perspectiva. Não vi. Aliás, mulher não é assim tão boba de dar bola em cinco minutos de conversa. O que reparei foi que ela me olhava curiosa: quem é esse cara que chegou? O que ele faz? O que ele pensa das coisas? E não houve uma frase que eu tenha dito naquela noite, um gesto que eu tenha feito, que não tenha sido, mesmo que indiretamente, para ela. Tomei cuidado para não deixar transparecer. (Nada menos atrativo, ao errarmos na dose, que o desejo). Mas ela soube - e vi que gostou daquela atenção, tão exagerada quanto disfarçada.
Desculpe dizer, impaciente leitora, que não aconteceu nada de concreto. Nem beijos, nem champanhe, arranhões ou lençóis. Alguns chopes, algumas risadas arrancadas a fórceps com minhas piadas (e comemoradas como gols do Brasil, internamente) e, tenho certeza - no final eu tive certeza - uma mútua promessa de amor.
Eu poderia contar outras histórias, mais felizes e intensas, mas não valeriam a pena. Nós inflacionamos a felicidade. Ela está por aí, gasta, em propagandas de Campari, em outdoors de pasta de dentes, em livros, filmes, melodias e novelas das 6. Nenhuma felicidade real chega aos pés dessa que criamos. A única felicidade possível, acredito, é a promessa de felicidade. Já não há mais espaço para happy ends. Só para happy beginings. Esse é o meu. Foi ontem que conheci essa mulher. Não tenho a menor idéia do que pode acontecer, mas agradeço à vida por ter me enviado esse "presente ambíguo: uma possibilidade de amor" (...). Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome."

Antonio Prata publicado no site da revista Cláudia. (grifo meu)

Ps. A citação lá no começo e as aspas do final são da crônica Pequenas Epifanias, de Caio Fernando Abreu, que está no livro de mesmo nome (Ed. Agir).


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Terça-feira, Agosto 07, 2007

Aos poucos vou me despedindo dessa calma noturna de cidade interiorana...


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Three Little Birds - Bob Marley

"Don't worry about a thing,
'Cause every little thing is gonna be all right.
"So Don't worry about a thing,
Every little thing is gonna be all right!"

Rise up this mornin',
Smiled with the risin' sun,
Three little birds
Sit by my doorstep
Singin' sweet songs
Of melodies pure and true,
Sayin', ("This is my message to you-ou-ou")

"Don't worry 'bout a thing,
'Cause every little thing is gonna be all right."
"Don't worry 'bout a thing,
'Cause every little thing is gonna be all right!"

Rise up this mornin',
Smiled with the risin' sun,
Three little birds
Sit by my door step
Singin' sweet songs
Of melodies pure and true,
Sayin', "This is my message to you-ou-ou"


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Domingo, Agosto 05, 2007
Neste fim de semana ficou mais claro que eu acionei o botão do "foda-se". Não sei como desativá-lo, tão pouco como eu consegui acioná-lo. Mas estou surpresa por não me importar com um tanto de coisas que me estressariam. Estou diferente com tudo isso. Não quero ouvir poesia, me enche o saco essa idéia de cooperar (cooperar com o quê? pq com quem nem é mais uma questão...), que venha o individualismo pq somos mesmo cada um por si. É isso, estou frustrada e com raiva, ou melhor, nem raiva eu sinto. Anestesiada com a porrada na cara, o pé no peito e o soco no estômago.

(é um tempo, necessário, de revolta. vai passar)


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Quinta-feira, Agosto 02, 2007
É impressionante como algumas coisas que a gente lê ao "acaso" podem fazer mto sentido....
"é chegado um importante momento em sua existência: o tempo para romper com tudo aquilo que não lhe serve mais e que você preservava apenas por manutenção de fachadas. Estas coisas que precisam ser eliminadas podem ser (e geralmente são) internas e têm a ver com hábitos, modelos mentais e expectativas falsas. Mas podem ser também relacionamentos falidos, projetos que não dão em nada, ou seja, qualquer coisa que não faz mais nenhum sentido em sua vida e que você talvez não tenha ainda a coragem de eliminar. Todavia, é preciso agir, caso contrário a negatividade se tornará pior. Enfrente com coragem este momento de varredura radical!"


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Quarta-feira, Agosto 01, 2007
Voltando a cozinhar... Vai um sanduíche de shimeji aí?


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É melhor evitar o contato com a raiva, tentar sublimá-la ou deixá-la vir? Penso que se eu conseguir deixar a mente quieta, ela vem e passa. Na tv ví uma cena que eu gostei, um cara dizendo que ele deu uma chance ao medo, deu-lhe 5 segundos e depois retomou o controle. No caso da raiva, temo não conseguir circunscrevê-la em tão pouco espaço de tempo... mas sei que em algum momento vou me deparar com ela.


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