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E por falar em amor...
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"Este livro é como um livro qualquer. Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada. Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar." Clarice Lispector
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Terça-feira, Janeiro 30, 2007
Por outro lado, com a perspectiva de mudança, meu lado desbocado tá absolutamente em alta... preciso tomar cuidado, afinal sexta entro em "retiro espiritual" até a quarta-feira de cinzas. Mas até então, tenho que me preservar... falar menos e agir mais. Se por um lado alívio, por outro, algumas "questõezinhas" já há muito adiadas emergem com força, gritando por uma resolução. O problema é que a tendência deste momento é o nocaute (explico: pés no peito e soco bem dado na fuça). Tem gente que pede por isso, né? Ok, ok, sou do tipo pacífico que ainda acredita que as palavras podem transformar algumas coisas. É tb por isso que sou conhecida como a "bocuda" do Projeto, rs
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Chega uma hora em que o "descuido" alheio para a comunicação acerca de fatos de interesse comum, começa a incomodar. O que fazer? Acreditar nas primeiras impressões que alertavam o problema? Ou deixar a pessoa ir até o final com a "mentira" que criou para fingir a colaboração com o próprio processo (e com o alheio, no caso, o meu)??
Eu já cansei de acreditar, até pq tudo tem limite. O da minha paciência já chegou há um tempo... Se é "cada um com o seu cada qual", eu quero uma substituição. Na verdade, o voto de confiança foi por desencargo de consciência, pq pelo histórico e pelas (não) ações, tava mais que claro que isso não daria certo (e eu sabia disso). Tô aprendendo a depositar menos expectativas nas pessoas. A decepção é menor.
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Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
Tensão, angústia, conflito, incertezas... e de repente, tudo clareia! Os atos-falhos, as incompreensíveis mensagens do inconsciente, os desencontros, as anotações perdidas... Como em um passe de mágica a leveza invade o cotidiano, principalmente no trabalho! E para completar o dia, sopa de milho doce com croutons da Vono. Ah, a felicidade...
Meditar, esperar e jejuar.
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Domingo, Janeiro 28, 2007
"Impossível explicar. Afastava-se aos poucos daquela zona onde as coisas têm forma fixa e arestas, onde tudo tem um nome sólido e imutável. Cada vez mais afundava na região líquida, quieta e insondável, onde pairavam névoas vagas e frescas como a madrugada." (Perto do Coração Selvagem)
Quero me jogar mas não vejo a rede de proteção.
Total independência e responsabilidade pelos próprios atos não existe. Tudo está interligado. Por instantes acho que retrocedi e me agarrei à terceira perna. Gostaria de simplesmente nomear de MEDO o que sinto. Mas o sentimento ainda não comporta palavras. Imersa no vazio, escuro, nem consigo "fingir que alguém está segurando a minha mão." E isso é de uma solidão sem tamanho.
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Babel
Rinko Kikuchi interpreta a Chieko. Disparado a mellhor.
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Coisas mágicas acontecem quando a gente simplesmente vai a lugares onde não costumamos ir! Você, de repente, descobre que as coisas que havia imaginado podem ser muito mais amplas!
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Sábado, Janeiro 27, 2007
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Mas a vida, a vida é uma caixinha de surpresas... - PARTE II
E não é que depois de perder o bloquinho, perder as chaves de casa (!!!) e horas depois encontrá-las no asfalto da rua movimentada, alí quietinha, após sei lá quantas vezes atropelada... Estou há 2 semanas sem meu aparelho celular (no conserto), ouço as msgs da cx postal à noite qdo chego em casa. O mais inusitado acontece: na angústia por marcar visitas com a imobiliária, ontem pedi emprestado o aparelho de um colega, coloquei meu chip e um minuto depois recebo a ligação que transformou meu dia (e provavelmente tb a minha vida). E agora a reviravolta é total! Tanta que nem sei por onde começar...
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Quinta-feira, Janeiro 25, 2007
Como eu queria que hoje fosse sexta-feira... (Não trabalhar no município de São Paulo tb tem suas desvantagens...)
Meu desejo é:
Deitar no futon da sala e não pensar em nada...
Desligar o computador, internet e não pensar em nada...
Silêncio. Recolhimento. Meu cantinho.
Nem vou falar que queria uma rede e um tempo sem essa pressão externa (pq a interna eu já me conformei).
Quero mudar de uma vez, ou pelo menos saber para onde irei. Tenho uma mala de viagem na sala, uma caixa com fios atrapalhando a passagem no quarto e uma geladeira vazia... Não tenho como tirar uns dias no trabalho, chefe em férias até dia 31/01, enquanto isso estou "na roda" (de fogo!!). Ontem teve até polícia no Projeto...
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Entre para o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club.
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Nada como conversar. A gente esquece que é possível resolver algumas questões conversando.
E olha que eu não esqueço de que "a fala serve para enganar" (Lacan). Sempre dei mais valor aos atos que às palavras. Mas vamos lá. Mais um voto de confiança, pq eu quero acreditar.
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Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
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Estou presa à minha segurança morna. A cada dia percebo o quanto estou restrita a um padrão criado há anos. Que não serve mais pq eu cresci. A roupa é pequena, pequena mesmo; o repertório é mínimo e só me dou conta qdo encontro pessoas descoladas do ambiente em que transito. Aí vem o choque! Céus! essa sou eu??? Esta semana um amigo que trabalha comigo disse algo que me chocou por vir dele: vc está amarga, precisa de ajuda. Conscientemente eu sei disso, sei e acho até que peço. Talvez pras pessoas erradas. Talvez esteja assim por projetar acolhida em quem não está em condições de acolher nada que venha de fora; pessoas tão preocupadas com a própria dor e com a manutenção da mesma, que não conseguem dividí-la, quem dera acolher... Tb tenho a percepção de que neste momento eu não tenho lá muitas forças para acolher demandas muito extensas. Meu nível de atenção é menor que o de tensão. Mesmo assim estou disposta a somar forças. Mas não fazer tudo sozinha, pq isso é justamente o que eu quero mudar em mim.
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Terça-feira, Janeiro 23, 2007
Mas a vida, a vida é uma caixinha de surpresas...
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Sei que vou encontrar um lugar. Tenho certeza disso. Mas confesso que estou preocupada... Não estou no limite das minhas forças, mas estou cansada. Minha vontade é empacotar tudo, mas mesmo que eu faça isso, o principal eu não tenho: o rumo, a direção. O que fazer com a casa cheia de caixas sem um destino?
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Segunda-feira, Janeiro 22, 2007
Atentando para a importância da discrição
"Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro. A importância da discrição neste momento. Se lhe fizerem uma fofoca, não a passe adiante. Sobretudo, cuidado com o que você diz e para quem diz. Ao falar demais, você poderá iniciar um redemoinho fofoqueiro que lhe prejudicará enormemente. Cuidado, pois! Tenha, neste momento, o máximo de discrição a fim de saber o que deve ser dito e o que deve ser guardado em reserva. Procure dar o exemplo, ainda que você venha a ter todas as tentações do mundo para colocar a boca no trombone."
Ao ler isto fiquei me perguntando em quem confiar? No trabalho sei que uma ou duas pessoas podem saber, mas por vezes o abismo parece transposto pelo simples gesto que faz o outro perguntar o que acontece com vc. E eu sou meio besta, eu acredito, acredito que possa haver um fio de sinceridade alí, um interesse genuíno, quem sabe acolhedor... Tolinha, tão preparada para algumas coisas e tão ingênua pra vida nesse ambiente...
(ok, dei a deixa pra vc perguntar "só meio besta?", rs)
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Domingo, Janeiro 21, 2007
Essa música me relaxa tanto... faz lembrar das coisas que a gente deixa de ver daqui da janela do ap...
TREM DAS CORES
A FRANJA DA ENCOSTA
COR DE LARANJA
CAPIM ROSA CHÁ
O MEL DESSES OLHOS LUZ MEL DE COR ÍMPAR
O OURO INDA NÃO BEM VERDE DA SERRA
A PRATA DO TREM
A LUA E A ESTRELA ANEL DE TURQUESA
OS ÁTOMOS TODOS DANÇAM
MADRUGA
RELUZ NEBLINA
CRIANÇAS COR DE ROMÃ ENTRAM NO VAGÃO
O OLIVA DA NUVEM CHUMBO FICANDO PRA TRÁS DA MANHÃ
E A SEDA AZUL DO PAPEL QUE ENVOLVE A MAÇÃ
AS CASAS TÃO VERDE E ROSA QUE VÃO PASSANDO AO ME VER PASSAR
OS DOIS LADOS DA JANELA
E AQUELA NUM TOM DE AZUL QUASE INEXISTENTE AZUL QUE NÃO HÁ
AZUL QUE É PURA MEMÓRIA DE ALGUM LUGAR
TEU CABELO PRETO EXPLÍCITO OBJETO
CASTANHOS LÁBIOS OU PRA SER EXATO
LÁBIOS COR DE AÇAÍ
E AQUI TREM DAS CORES
SÁBIOS PROJETOS TOCAR NA CENTRAL
E O CÉU DE UM AZUL CELESTE CELESTIAL
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O bloquinho... o bloquinho... cadê o bendito bloquinho???? São Longuinho, me ajude! Tenho poucos dias para encontrar um novo lugar para morar, fazer toda a papelada, encaixotar as coisas e mudar. Mais prova na acupuntura, trabalho para entregar. Sem falar na dupla responsabilidade de coordenar a oficina e dividir os encargos de substituir a chefe até o fim do mês. O que eu preciso descobrir? Tudo o que eu NÃO preciso é de sabotagens, nem externas, muito menos internas! Alguma luz?
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Freud deve explicar os últimos atos falhos meus e alheios. Deve tb haver uma ou várias explicações para o desaparecimento do bloquinho em que anotei todo o trabalho de busca de hoje... Me pergunto o que está por trás disso pq eu nunca perco nada desse tipo. Hoje minha obsessividade natural não estava tão forte, creio que por isso me permiti relaxar. Mas caramba! era importante, não dava pra "desconectar" tanto! No fundo acho que é esse o medo do obsessivo, de que a vida flua e se perca o controle (controle de onde estão as coisas, dos próprios atos, de tudo). Será providência divina ou auto-sabotagem??? O que eu mais quero é mudar, não só de casa, mas internamente. Mas como interpretar esses movimentos tão estranhos? O que preciso saber/perceber/entender??
Não estou deseperada e sim chateada e me culpando, como fui perder o diacho do bloquinho???
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Sábado, Janeiro 20, 2007
Será que vai sempre haver uma tensão? Será que é só uma impressão minha?
Será que enquanto não se efetivar uma ação a gente não vai relaxar?
São perguntas que já fiz e não mais farei. Aprendi que a gente não foge ao destino.
Não aquele destino que previram nas linhas da minha mão (se assim fosse,
estaria chorando até hoje por aquela pessoa...).
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Que Deus guie hoje para encontrar um cantinho. Essa instabilidade é o que me desarticula, tira do prumo. Não saber pra onde ir me angustia, desorienta. Meu analista brinca "Ah, como é bom crescer!" e eu respondo em um suspiro que em dias como o de ontem, a resposta não é exatamente uma concordância. Mas ambos sabemos que é ranhetice minha.
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Quinta-feira, Janeiro 18, 2007
Eu não quero, eu não quero, eu não quero alterar o curso das histórias alheias. Não pretendo transformar nada fora de mim. Na melhor das hipóteses quero aprender a lidar com o fio fino de vida que por vezes parece que vai desaparecer de dentro de mim. Eu não sei escrever bem, já escrevi e não busco confetes. Esses dias tive um insight que me fez pensar se não foi o bendito Sérgio Micelli na classe de novatos nas Sociais, que me desanimou de escrever. Travei depois disso batalhas intermináveis com as folhas em branco. Até hoje eu prefiro atender alguém surtado a escrever um memorando. E o incrível é que certa vez me acusaram de transformar tudo em palavras no meu blog. Ah, se ele percebesse o quanto isso me é custoso... Mas, lhe respondi, um blog é feito de palavras... e imagens tb, veja quantas imagens eu coloco aqui... talvez pq elas expressem melhor o que não consigo dizer.
Eu não tenho a leveza nem a fluidez de quem brota palavras. Acho que não é só externamente, dentro tb o terreno é árido. Não que eu não possa ser terna, doce. É que dentro parece haver lava vulcânica em plena ebulição. Eu não consigo parar, não consigo um minuto de quietude dentro de mim. Tem sido difícil toda essa transformação, mas me percebo um tanto mais serena, apesar de tudo. Algumas situações no trabalho junto com um ano inteiro de supervisões semanais parece que começaram a despertar a tão almejada escuta. Mas quando despertará a escuta interna???? Paciência Simone, paciência.
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"Enquanto escrever e falar vou ter que fingir que alguém está segurando a minha mão."
Clarice
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Guimarães Rosa
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Terça-feira, Janeiro 16, 2007
Eu não quero voltar pra lá... (quem me conhece sabe do que estou falando... e não é pro hospício)
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Não tenho a ilusão de que alguns dias de férias atenuariam o que eu nomeio de cansaço. Não adianta. Nessa área não tem como fugir (nem devemos!) do trabalho em equipe. E se fosse mesmo uma equipe não haveria a necessidade de fugir. Eu queria mesmo uma varinha de condão que pudesse instalar no cérebro de cada um um pouquinho de solidariedade, espírito de grupo, respeito, profissionalismo e sobretudo bom senso. Que cada um soubesse discriminar o que é do trabalho do que é pessoal. Fazer o seu trabalho. Putz e como isso parece inacreditavelmente difícil para alguns! Céus! quero me enfiar no buraco do metrô... será que se eu cavar mais um pouco eu saio lá no Japão?? E será que lá no Japão as pessoas se entendem??
Por outro lado, pra compensar, fim de semana repleto de atividades culturais, fui meio que guia turística de sp: museu da língua portuguesa*, pinacoteca, av. paulista, vl madalena, passeios de metrô (impressionante como quem mora em cidade que não tem metrô fica fascinado com os caminhos subterrâneos), estação da luz, sala são paulo....... *Quem não viu a exposição do Guimarães Rosa tá perdendo uma montagem das mais criativas que eu já ví.
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O Eremita
Cultivando a maturidade e a inteireza que brotam da reflexão
O arcano IX, chamado O Eremita, emerge como arcano conselheiro para este momento de sua vida, sugerindo um momento em que você precisará agir com o máximo de maturidade e paciência possíveis. Você precisará aprender a respeitar o tempo certo neste momento de sua existência e perceberá que será preciso bater mais do que uma vez na mesma porta até que ela se abra. Nem sempre o rio corre mais rápido apenas porque queremos. Três virtudes serão fundamentais neste momento de sua vida: a paciência (para lidar com as diferenças), a prudência (a fim de jamais confiar inteiramente em ninguém) e a persistência (para compreender que, no que diz respeito ao amor, muitas vezes é preciso bater várias vezes numa mesma porta). O momento pede circunspeção, meditação e capacidade de espera. Você poderá mudar muitas coisas que lhe incomodam, se você souber observar o tempo certo, mas precisará também ter humildade para entender que nem tudo é possível. Ao aceitar os limites, evoluímos como pessoas.
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Não, eu não tenho bola de cristal. Mas meu olhar e ouvidos foram treinados para captar os sinais. E se há uma coisa que me incomoda é qdo capto algum e o outro nega. Pior, qdo capto algo que o outro ainda não se deu conta, não percebeu ou não quer ver... Me debato com a percepção por vezes muito intensa de que algo não vai bem, brigo com meus neurônios, tento fugir da sensação de mal estar. Afinal o outro diz que "está tudo bem"... ora, se está, está, não é? Não. Pq então fico agitada? Desligar, eu preciso desligar em algum momento, mas cadê o botão, cadê????
O pior é a intervenção de quem, pra mim, não tem nada a ver com isso... de "achismos" eu estou cansada. Da vida dos outros eu não acho mais nada. Eu não acho que isso ou aquilo daria certo, eu não imagino "como seria se...", não gasto energia me perguntando se tal coisa acontecesse seria melhor que tal outra. Procuro viver o hoje. Tento abrir mão da suprema arrogância de achar que sei alguma coisa sobre o outro pq tenho a consciência que mal sei de mim.
Pode ser que algumas pessoas que não tem nada a ver com isso que escrevo, se sintam afetadas. É uma pena. Pena tb que eu não seja uma desconhecida que pode escrever sem a nóia do que os outros vão achar...
"ou se quiseres me ver fechado, eu e minha vida nos fecharemos belamente, de repente assim como o coração desta flor imagina a neve cuidadosamente descendo em toda a parte; nada que eu possa perceber neste universo iguala o poder de tua intensa fragilidade: cuja textura compele-me com a cor de seus continentes, restituindo a morte e o sempre cada vez que respira (não sei dizer o que há em ti que fecha e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas) ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas" (Zeca Baleiro)
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Sábado, Janeiro 13, 2007
No museu da língua portuguesa
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Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
Estou sem celular
Queridos, o dito está na assistência técnica cuja previsão é de até 20 dias para o processo todo (orçamento, aprovação, conserto). Imaginem-me 20 dias sem ele neste momento de mudanças em que preciso me comunicar... Dá pra deixar recado que eu ouço à noite ao chegar em casa. Só Deus na minha vida! (e acho que ele não usa esse aparelhinho)
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Estes filhotes de weimaraner estão à procura de um lar... Quem se interessar, ou souber de alguém que tenha interesse, ligar para (11) 3884-5951 e falar com Pachita. Em princípio ela pede o valor de R$ 100,00 (negociáveis) para cobrir custos de ração, vacinas, vermífugo etc...
No momento ainda são 6 filhotes sem um lar...
13/01/07 Todos já encontraram um lar!!!
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Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
Sei que eu sou acelerada, tenho consciência disso., mas parece que tudo tá muito devagar. Ou melhor, que as decisões que eu preciso tomar estão presas na dependência de pessoas ou situações muito mais lerdas que o ritmo normal das coisas... pelo menos é como eu sinto agora.
Fora que minha vida está de cabeça pra baixo: consultório (rupturas, mudança de sala, horários); casa (mudança iminente sem saber ainda pra onde); trabalho (de novo substituindo a chefa, só que agora em boa parte do tempo sem a "dupla").
Ter que tomar decisões sozinha eu já me acostumei. O que desanima é não poder contar com ninguém...
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Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Ricardo Reis (vulgo, Fernandinho para os íntimos)
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Terça-feira, Janeiro 09, 2007
"Quando meu amigo está infeliz, vou ao seu encontro; quando está feliz, eu o espero."
Henri-Frédéric Amiel
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Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
Comecei a rearranjar minha vida, resolví criar vergonha na cara e encarar as questões de frente, principalmente aquelas que vinha evitando há tempos... Voltei a estudar para a especialização (por isso vcs verão por aqui muitas imagens relacionadas à acupuntura), iniciei uma reorganização alimentar (vulgo: dieta!) e finaceira. Abrir mão de assistir a Teresa Salgueiro é de cortar o coração, mas os gastos tb devem ser cortados. (suspiro) Mas vai passar, em pouco tempo a vida retomará seu prumo, é só ter paciência. E iniciativa.
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Domingo, Janeiro 07, 2007
Ok, ok, respire Si, não é isso o que vc diz aos seus pacientes "R-E-S-P-I-R-E" ???
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Sexta-feira, Janeiro 05, 2007
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Gostei mais que o primeiro da série de "O Senhor dos Anéis",
pelo menos não tem o chato do Frodo Baggins.
Fora que essa dragoa, com a voz da Rachel Weisz, é uma doçura...
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Hoje entendi que os mitos e lendas servem para nos mostrar
que o nosso caminho* é longo e tortuoso como a história dos heróis.
* percurso interno a individuação
Detalhe: o Jeremy Irons, do alto dos seus quase 60 anos está maravilhoso! Dá de 10 X 0 no Viggo Mortensen.
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É sério, preciso treinar pq o ambulatório da minha
turma começa em março! Voluntários??
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Como não existe a perspectiva de férias até o final do mês, muito pelo contrário - nas férias da chefe sobra trabalho, tenho que me organizar pra deixar algumas coisas encaminhadas. Já me perguntei muitas vezes se é possível férias de mim mesma, mas eu sei a resposta.
O que é curioso é que as pessoas acham que me conhecem, dizem para as outras "a Si, não, a Si não gosta disso", "ela é assim", "não isso não daria certo", "isso/vc não combina com ela"... Eu, que passo 24h comigo, não tenho essa pretensão de me conhecer, como alguém de fora pode pensar que me conhece? É por isso que muitas vezes ficam surpresos com algumas atitudes minhas. O que revelo, apesar de às vezes até eu achar que falo demais, é muito pouco em relação ao que vivo internamente. Muitas vezes falo sobre fatos, coisas que aconteceram no trabalho, situações no consultório, ou eventuais dúvidas sobre o comportamento do outro. Mas o que isso revela? No fundo ninguém sabe realmente o que se passa com o outro. Acho divertido qdo alguém me diz "conheço o fulano desde pequeno" e lembro da minha mãe que tb me conhece esse tanto, mas que nem suspeita o que se passa comigo. Ou "fui casada 15 anos com fulano e agora acontece isso!", "poxa é meu irmão, cresceu comigo!", poque todas as coisas estão alí, mas é muito difícil olhar para o que dói.
Claro que entro em crise em relação ao meu papel de terapeuta, como posso afinal acreditar que o que o outro me conta alí naqueles 50 minutos, uma vez por semana, representa o cerne do que está acontecendo com ele naquele momento?? E como eu, com esse tanto de informação, posso auxiliá-lo? Mesmo com todos esses supostos recursos da psicanálise, tranferência, contra-tranferência, ato falho, Complexo de Édipo, e o escambau, o que eu posso, na melhor das hipóteses, é ter uma visão meio capenga de seu "funcionamento". Foi aí que, junto com uma supervisora fantástica, me dei conta que eu não devo ter "projetos" para o outro. Não posso querer enquadrá-lo no que eu acho que seria melhor para ele. Tenho que respeitar seu processo, suas resistências, suas dificuldades em transitar pela vida, pelas relações, em lidar com o dinheiro, poder, frustrações... e não cair nas armadilhas da vaidade ao achar que EU (ego) fiz alguma coisa. O processo é sempre do outro. E não adianta, enquanto ele não quiser/puder ouvir, nada fará com que ouça. Só o tempo. E parece simples perceber isso. Na teoria, mas na prática, vc precisa vivenciar isso internamente, senão não rola com o outro. Sabe aquele velho ditado que só se leva o "paciente" até onde vc já chegou?
Talvez por isso, novamente me volto para as técnicas de intervenção no corpo, relaxamento profundo, calatonia, acupuntura. Porque elas permitem que o corpo se organize da forma que melhor se ajustar à sua necessidade.
Gosto muito dessa imagem.
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Quinta-feira, Janeiro 04, 2007
A Runa Urus simboliza um rito de passagem. Isso significa que um ciclo está terminando para dar início a outro. Tb preconiza o amadurecimento que deriva de uma perda necessária. Mesmo que uma ruptura traga alguma dor, esta valerá a pena pois oportunidades novas se abrirão. Transformação natural, término de um ciclo e novos começos. Urus pressagia uma promoção ou cargo de responsabilidade a ser assumindo, e afirma também que o consulente possui força e habilidades suficientes para assumir essa nova responsabilidade. O planeta Marte que rege Urus, dá a ele uma energia masculina. Indica determinação, força de vontade, vitalidade, crescimento, promoção, amadurecimento, progresso.
(e tem gente que não acredita...)
"Tudo e todas as situações com as quais nos deparamos na vida, sejam elas agradáveis ou não, o homem tem que se adaptar à grande lei da mudança , da renovação e continuar a crescer."
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Chove, chove e dá a impressão de que não vai parar nunca mais... nessa época eu lembro de um livro do Gabriel Garcia Márquez em que choveu sem parar por meses, anos, e eles comiam só berinjela. Não lembro se é no "Cem Anos de Solidão". Lembro tb invariavelmente da letra do Marcelo Camelo na voz da Maria Rita, Santa Chuva. "Vai chover de novo, deu na TV Que o povo já se cansou de tanto o céu desabar E pede a um santo daqui que reze ajuda de Deus Mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim Vem cá que ta me dando uma vontade de chorar Não faz assim, não vá pra lá Meu coração vai se entregar à tempestade. Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu? Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez? Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem! (...) Não há porque chorar por um amor que já morreu Deixa pra lá, eu vou, adeus Meu coração já se cansou de falsidade."
Ok, mas se hoje vc está mais sensível e quer uma ajuda dos astros, vai lá: Horóscopo Diário - Monica Burich. Ok, eu tb não costumo ler horóscopo diário, quase sempre acho uma furada, mas este é leve. Neste momento não quero a opinião de ninguém. As decisões que tenho que tomar me cabem decidir. Sozinha. E disso eu não abro mão. Apesar do momento de abertura, algumas decisões não comportam opiniões alheias. Sim, eu abro o tarô para mim e sabe qual a carta mais constante? O Mago, Hermes no tarô mitológico. O Guia, que vem me conduzir nesse momento de mudanças radicais.
Hoje eu queria não ter que fazer nada, nada, absolutamente nada além de deitar no sofá e assistir filmes, seriados, programas de culinária na tv... Ninguém merece ter que descrever a localização de mais de 60 pontos só do meridiano da Bexiga (tem outros tantos)... e o pior, essa é apenas uma das 30 questões que tenho que responder de acupuntura para este sábado.
Vou fazer um strudel pq me deu vontade de aquecer a casa e o coração.
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
Amedeo Modigliani - Portrait of Jeanne Hebuterne
E a vida segue...
Pelo menos uma questão resolvida, o consultório que tanto me perturbou o sono nas últimas semanas... Boa solução para mim, o que não significa uma solução pacífica... É impressionante como algumas pessoas não percebem o próprio dicurso! Dizem fazer tudo pelo bem comum, só que neste caso o bem não estava sendo nada em comum!
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Terça-feira, Janeiro 02, 2007
Acho que eu tô cansando de viver sozinha... e o mais estranho é que eu nunca pensei que fosse dizer isso um dia...
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Segunda-feira, Janeiro 01, 2007
Dica de vídeo?
Little Fish - "Sob o efeito da água".
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Depois de passar muito mal com questões que envolvem a ruptura de uma sociedade, surpeendentemente me sinto mais leve e com coragem para um passo inesperado...
Assisti "V de Vingança" e é como se o processo de libertação vivido pela Natalie Portman me contagiasse.
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