Quinta-feira, Novembro 30, 2006
"Eu não nasci para brincar com a figura, fazer berloques, enfeitar o mundo. Eu pinto porque a vida dói."
Iberê Camargo
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Quarta-feira, Novembro 29, 2006
Chuva, chuva, muita chuva. Santa chuva!
Hoje a calha entupida pelas pedrinhas da construção vizinha somada à falta de manutenção do prédio mais o "pé d`água" que caiu à tarde, alagaram o Projeto.
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Lindo o filme, lindo! O garoto, irmão da "Miss Sunshine", é ótimo!
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Terça-feira, Novembro 28, 2006
Sentar assim é tudo o que eu queria hoje. Acordei pregada na cama, não consegui levantar, virei para o outro lado e dormi. O pior é que tenho tanta coisa pra fazer que fico me culpando por estar atrasada. No trabalho eu não páro um minuto, a vantagem é que o dia acaba passando rápido! O resultado é esse cansaço e o desejo de que chegue logo o fim de semana. Embora no próximo eu tenha aula no sábado o dia todo e no domingo de manhã. "Só Deus na minha vida!" rs
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Segunda-feira, Novembro 27, 2006
Eu não recomendo ser uma mulher bem resolvida.
Ok, ok, talvez não tão bem resolvida, mas independente. Não recomendo. Páre enquanto é tempo! Seja uma mulherzinha com cara e jeito de frágil e indefesa; burra, de preferência. Ingenuidade é fundamental (claro, para não perceber as traições e eventuais cafajestagens do marido). Daquelas que o namorado carrega a bolsinha no shopping. Das que entram em pânico ao menor indício de ter que assumir alguma responsabilidade. Do tipo passa-o-dia-no-salão-de-beleza: chapinha, manicure, esfoliação, musculação, brozeamento artificial, pra não dizer cérebro artificial.
Arght! Certas coisas me cansam!
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Domingo, Novembro 26, 2006
O post Domingo no Parque é muito bom! Parecido com como eu me sinto às vezes... muitas vezes... Parecido com hoje, um dia estranho em que fui dormir as 6h da manhã e acordei à tarde com o telefone tocando. Visitas que chegariam em pouco tempo... a programação foi para o brejo... surgem novas possibilidades, imprevistos, chuva... Tarefas novamente adiadas, preguiça...
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Sábado, Novembro 25, 2006
Festa de um colega de trabalho, e aniversário de outro que trabalhou comigo. Puta chuva. E eu com a maior preguiça. Fiz um AT pela manhã que durou mais tempo que o previsto. Tenho que repensar eventuais novas indicações de pacientes idosos, eu atendo numa boa mas em geral sofro muito. Tive um com Alzheimer que me tirava o sono... na véspera do atendimento eu começava a pensar no que iria fazer com ele, ficava tensa e em geral não dormia... Deve, lá no fundo, ter algo relacionado aos meus pais que passam da casa dos 70 anos. A que atendi hoje está deprimida. Eu tb estaria se vivesse sob a pele dela. Não é fácil "emprestar o desejo" a quem está deprimido, é muito investimento!
É preciso enxergar além, descobrir potencialidades escondidas (muitas vezes subterrâneas) e fazê-las emergir, chegar à superfície para que façam algum sentido na vida da pessoa. Idem para dependentes químicos. Na sexta fiz dupla no trabalho para uma conversa com um rapaz que deve ter uns 23 anos e está completamente viciado em cola e inalantes em geral. Acha que está melhor pq antes fumava maconha e agora se a polícia o parar não vai preso pq a cola não é ilegal. Esse é o argumento dele. Super articulado apesar dessa "lógica típica de viciado" como ele mesmo diz, cursou 4 anos de uma faculdade, fala com certa desenvoltura, é habilidoso, tem um filho de 5 anos que mora com ele. Eu o acho lindo e vejo muitas possibilidades para sua vida, mas como lhe dissemos, se ele não se dispor a enxergá-las não temos muito o que fazer. E na verdade é assim em qualquer situação, a gente pode vislumbrar várias coisas para o outro, mas na real, se o outro não acreditar em sí, não rola nenhuma transformação.
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Vc é disléxico?
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Ouvi de uma senhorinha de uns 80 anos: "Tristeza? pegue-a, jogue dentro de um saco, amarre-o e ponha no lixo. Não serve pra nada."
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Sexta-feira, Novembro 24, 2006
Como é bom poder conversar! Eu sou um ser da palavra, sem a menor dúvida. Tenho um defeito de fabricação que é não reconhecer o rosto das pessoas (isso já me colocou em cada situação... ). Reconheço alguém pelo toque, o que me diz que sou mais tactil que visual. Mas a palavra tem seu lugar de honra, não é a toa que fui estudar psicanálise apesar da formação corporal.
Mas voltando, é muito bom quando se conhece alguém com quem se pode conversar livremente sobre qualquer assunto, qualquer coisa que vier à cabeça, sem aquele pudor ou tensão de ter que agradar, ter que dizer a coisa certa na hora certa. Em geral isso acontece com as pessoas amigas, que nos conhecem um pouco mais. Coisa inestimável é qdo vc pode ter essa relação com alguém que tb te provoque atração. "com quem vc quer falar, por horas e horas e horas?"
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Reformas: eu nunca acredito que sobreviverei a elas! Cá estou com minha cozinha de pernas para o ar com o conserto de um vazamento de água. Eu que tendo a adiar situações que envolvam cimento, poeira ou bagunça, agora tenho os 3 ítens juntos! Nessas horas faz muita falta um homem para organizar o caos. Pelo menos esse tipo de caos. E nesses momentos eu invejo aquelas mulheres que se fazem de, ou são realmente, muito frágeis e agem como se incapazes de tomar qualquer decisão, necessitassem de um homem para qualquer ação. Curiosamente aparecem uns tantos felizes em poder assumir o lugar que sempre lhes foi destinado (e cobrado). Eu não preciso de um homem para isso. Mas gostaria da presença de um, de poder não ter que assumir algumas tarefas que para mim, apesar da boa desenvoltura que costumo ter nas adversidades, são da esfera do masculino.
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Quarta-feira, Novembro 22, 2006
Oroboro
Diferentes cultos e cerimônias ritualísticas reverenciam este réptil sorrateiro, atribuindo-lhe as mais díspares qualidades. As serpentes podem estar associadas a cultos solares ou lunares, a sociedades matriarcais ou patriarcais, (quando assumem valores masculinos ou femininos); podem significar a luz ou as trevas; a vida ou a morte; o bem e o mal; a sabedoria ou seu oposto, a paixão cega; representar ora o falo, por seu corpo assemelhar-se ao bastão, ou mesmo simbolizar a vulva, conforme se lhe parecem as escamas que a recobrem bem como o formato de sua goela quando esta se abre para devorar sua presa. Tanto quanto as energias Yin e Yang expressam no taoísmo as polaridades negativa e positiva que estão por detrás de toda manifestação da natureza, os ofídios, miticamente, ocultam em si a síntese desta dicotomia universal.
Uma das figuras mais intrigantes do simbolismo alquímico, presente milenarmente em diversas culturas, é a da cobra (ou dragão) que morde o próprio rabo e opera, num movimento circular e contínuo, todo o processo dinâmico e transformador da vida. "Meu fim é meu começo", diz a cobra nesse ato mágico de devorar-se e cuspir-se, a representar a unidade indiferenciada da vida, e seu caráter divino implícito na perfeição do círculo. À serpente devorando a própria cauda, os alquimistas chamaram Oroboro. Tal palavra não consta da maioria dos dicionários, e em alguns livros da Grande Obra aparece grafada como "ouroboros", principalmente na língua inglesa; outras fontes, menos comumente, escrevem-na "uróboro". Prefiro, particularmente, o termo oroboro, visto não ter sido nunca tão oportuno em nossa língua nomearmos um símbolo cuja singularidade é a de não ter começo nem fim, por meio de palavra tão especial, que permite ser lida de trás para a frente sem prejuízo sequer de sua pronúncia, transmitindo ela própria a idéia de algo que se expressa ciclicamente.
Dialeticamente, a cobra que morde sua cauda e não pára de girar sobre si mesma, evoca a roda da vida à qual estamos presos, bem representada pelo décimo arcano do Tarô, denominada em sânscrito roda de Samsara, que se traduz por "fluir junto". Samsara nos condena a experimentar as ilusões do mundo sem que jamais escapemos de seu giro, salvo quando rompemos o ciclo vicioso pelo despertar da serpente Kundalini.
Numa tentativa de resgate arcaico, cumpre lembrar que desde o paleolítico este réptil era representado por inscrições rupestres em forma de linha, assim como até hoje o fazem os pigmeus caçadores do sul da República dos Camarões. Mas como da linha só enxergamos a parte desenhada, e intuímos que ela se prolongue por suas duas extremidades ao infinito, talvez provenha daí o conceito de que a cobra que vemos (que pode nos envenenar, ser caçada, sacrificada em rituais etc) nada mais seja do que encarnação da verdadeira serpente universal, invisível, fundamento da vida e também o eixo e a base sobre os quais se escora o mundo conhecido.
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Terça-feira, Novembro 21, 2006
Como alguns sabem, trabalho em uma oficina de marcenaria, coisa tipicamente masculina. Aprendi a suportar eventuais riscos do trabalho na saúde mental somados às condições pouco delicadas do trabalho com serra, lixa, vernizes, thinner, madeira... Após dois anos acho que me acostumei a fazer coisas como carregar pranchas de MDF, compensado, pregar, lixar... a lidar com a maioria masculina; desisti de ter as unhas pintadas e as mãos macias; aprendi a fazer orçamentos, a conversar com os vendedores de lojas de material para construção sem parecer uma dondoca idiota (o que dificilmente eu pareceria, mas é fato que exige um certo conhecimento para se falar sobre tupias, brocas, plainas...). Ok, tudo isso eu aprendi pq eu não sou de desistir facilmente e sempre tive esse jeito meio durona, de vergar mas não cair... E heis que depois de tudo isso e de toda a minha trajetória, o desafio é o oposto e talvez por isso me pareça bem mais difícil... depois de toda essa "construção", desse fortalecimento, agora tenho que lidar com minha fragilidade... tenho que desconstruir, abrir fendas na minha armadura, permitir que alguns desconfiem que sinto medo, que tb sou insegura, que preciso de colo tanto qto dou colo, que tb quero um suporte afetivo e pq não físico tb? Affe!
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Segunda-feira, Novembro 20, 2006
De novo...
"É errado, portanto, censurar um romance que é fascinante por suas misteriosas coincidências (...) mas é certo censurar o homem que é cego a essas coincidências em sua vida diária. Pois sendo assim, ele priva sua vida de uma nova dimensão de beleza"
in A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera
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Essa letra não me sai da cabeça...
Santa Chuva - Letra do Marcelo Camelo na voz da Maria Rita
Vai chover de novo, deu na TV
Que o povo já se cansou de tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui que reze ajuda de Deus
Mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim, não vá pra lá
Meu coração vai se entregar à tempestade
Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem!
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV que eu vou de vez
Não há porque chorar por um amor que já morreu
Deixa pra lá, eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade
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Domingo, Novembro 19, 2006
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O Céu de Suely
É o tipo de filme que ou se "ama ou odeia". Eu gostei muito.
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Sábado, Novembro 18, 2006
Eu quero, eu preciso de mais arte, música, mar, colo, ar, chão de terra, passeios de bicicleta, abraços, sorvete, movimento na minha vida!
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Remédios para o corpo e a alma...
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Sexta-feira, Novembro 17, 2006
Tenho muitas coisas pra compartilhar com vcs, mas não preguei o olho esta noite o que significa bem mais que 24h acordada. Amanhã Sesc Itaquera, final da Copa da Inclusão, mais trabalho... Prometo voltar logo aqui pra escrever decentemente. por enquanto basta-me dizer que tentarei ser menos incisiva (o que me faz lembrar dentes e cães) e deixar a vida fluir no ritmo do desconhecido. Faz um tempo que percebi que "assusto" as pessoas com meu jeito e este não é o melhor momento para afastá-las... Descobrir a própria fragilidade é algo assustador quando não há um porto seguro a sua espera... mas a vida segue e por enquanto busco um porto que seja primeiramente acolhedor.
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Quarta-feira, Novembro 15, 2006
Free Hug: Abraçe esta Campanha!
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Domingo, Novembro 12, 2006
The Departed
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Sábado, Novembro 11, 2006
"Esta instituição precisa se contaminar com o de fora." Supervisões institucionais podem render bons materiais para a análise (pessoal)...
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Sexta-feira, Novembro 10, 2006
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Quarta-feira, Novembro 08, 2006
Vazamentos nunca são um bom sinal...
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Segunda-feira, Novembro 06, 2006
Quer ver um filme que me faz parar na frente da tv independente de eu já saber de cor os diálogos, a exibição ser dublada e eu tê-lo em dvd? "The Professional" do Luc Besson. O elenco é ótimo: Gary Oldman (um policial corrupto, "divinamente" louco), Natalie Portman (ainda criança), Jean Reno, Danny Aiello. Eu sempre me emociono na cena final com a voz do Sting, a cidade vista do alto...
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Domingo, Novembro 05, 2006
Não dormir faz mal. Não consigo dormir e isso é muito raro para mim. Raro, desconcertante e me desorganiza muito. Não sou eu qdo não durmo. Ou melhor, aparece um lado que certamente não é o meu melhor...
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Sexta-feira, Novembro 03, 2006
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Quarta-feira, Novembro 01, 2006
Editada pelo Olívio
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