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E por falar em amor...
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"O amor, e não o tempo, cura todas as feridas."
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Segunda-feira, Outubro 30, 2006
Preparadas para a FBB...
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Domingo, Outubro 29, 2006
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Assar Bolo de banana com iogurte. Programa de domingo... E eu, distraída, esquecí de colocar o fermento. Mesmo assim ele cresceu que só...
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Sábado, Outubro 28, 2006
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Quinta-feira, Outubro 26, 2006
Essa foto me lembrou o Bispo do Rosário. E me sinto um pouco mais caótica do que a imagem... Na verdade, muito mais caótica...
Foda qdo tua referência, a única pessoa que vc admira no teu trabalho, te liga angustiado, ri de si mesmo e diz que está em "mania", pede ajuda entre absurdos aparentemente desconexos. Sei que ele não queria que no concreto eu fosse lá e o pegasse no colo (que no fundo acho que é a única coisa que eu sei fazer...).
Provavelmente queria "apenas" ser ouvido, um "colo virtual". Nessas horas pouco importa se vc chegou exausto de mais uma maratona diária de trabalho+AT+atendimento, se já ouviu os lamentos de 4 ou 5 pacientes no fim do dia; se andou lentamente acompanhando pela rua uma senhora de 85 anos em uma condição de isolamento tal que dá vontade de chorar. Se a tua vida te parece vazia e sem sentido, teu local de trabalho parece povoado por répteis que esperam pelo menor lapso pra te dar aquela rasteira, se vc tem que "esquizoidar" pra conseguir suportar o cotidiano. Se vc tem que ocultar do carinha com quem saiu no fim de semana, que vc quer mais que sexo, só sexo, que vc quer um companheiro, alguém pra dividir, somar, multiplicar (nem que sejam as dores desta vida). Não importa se o limite do tal cheque especial "se fuè" no começo do mês. Não importa. Importa vc alí, inteiro, mesmo que isso signifique a soma de muitos cacos.
(Esta obra é do Bispo...)
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Fogo nas Entranhas
Em "conversas"... não tenho competência para escrever algo assim... (uma das diferenças entre quem escreve e quem se identifica)
"Queria matar esse monstro dentro de mim. Esse monstro que sussurra insistentemente no meu ouvido: "Você pode tudo, TUDO. Se quiser DE VERDADE. Pode custar muito. Mas tudo na vida custa muito... inclusive o conformismo... então viva, não tenha medo". Porque eu tenho medo, sabe? Tenho muitos. A diferença é que eu os enfrento. E os medíocres são paralisados por eles.
Queria ser medíocre. Me contentar com as migalhas que me oferecem. Em todos os sentidos. Queria não amar até a medula, não querer com todas as forças, não queimar até o fim do pavio."
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Quarta-feira, Outubro 25, 2006
Preparando para o Halloween...
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Tô com a letra da música Disritmia na cabeça desde sábado. Tem à ver com a história das trilhas sonoras...
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Terça-feira, Outubro 24, 2006
Há um infeliz tentando invadir meu computador há dias... alguma sugestão para que ele desista?
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17/01/2006
Repúdio à reportagem "A solução é derrubar", da revista Veja
O Instituto Pólis recorreu às associadas da Abong, no Estado de São Paulo, com a intenção de formar uma rede de repúdio à revista Veja. O motivo são os conteúdos anti-jornalísticos publicados nessa revista, como os trazidos pelo texto "A solução é derrubar", de Camila Antunes.
Julgamos o texto preconceituoso e violador dos Direitos Humanos, quando trata a população pobre como um "lixo a ser eliminado para o progresso do centro". Também concordamos que essa espécie de texto não pode ser considerado jornalístico, por fazer um ataque gratuito (pelo menos, sem fins jornalísticos) ao Padre Júlio Lancelotti e à população pobre do centro da cidade, além de violar uma série de itens do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.
Enumeramos algumas das violações ao Código, como exemplo:
1)Desrespeito ao direito à vida dos moradores de rua do centro - por incitar a retirada dessas pessoas do local, sem dar importância ao destino que terão;
2)Deixar de tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações divulgadas, chegando a generalizar os pobres do centro como "prostitutas, traficantes e contrabandistas";
3)Neste texto, também fica evidente a sobreposição de valores humanos e sociais pelos interesses econômicos - a pobreza é colocada como a causa do "atraso" da região central e sua expulsão como a solução para o desenvolvimento da região.
O Instituto Pólis propõe que os cidadãos preocupados com o respeito aos Direitos Humanos e com a qualidade do jornalismo praticado em nosso país encaminhem à revista Veja uma carta de repúdio ao desserviço prestado por esse veículo à sociedade brasileira. Para isso basta escrever um e-mail para veja@abril.com.br com referência à matéria "A solução é derrubar".
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Lí este comentário em uma página, já não lembro o endereço, mas fica a citação
"Lula não mudará o Brasil temos consciência disso, quem mudará o Brasil serão os movimentos sociais organizados. Mas negar a importância do governo Lula no Brasil é não trabalhar com a realidade."
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Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Por que sou poeta
E ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias
Do cotidiano
Ressuscita-me por isso
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Eu prezo tanto as palavras, procuro mantê-las, acredito tanto que me esqueço que muitas vezes elas funcionam como um disfarce, ocultando o que verdadeiramente se sente. Nem sempre conseguimos traduzir sentimentos em palavras. Eu, tão treinada em leitura corporal, agora estudando psicanálise, percebo o quanto dizemos sem dizer, o quanto nos escondemos atrás de palavras... E como sou purista, muitas vezes acho que uma vez aquilo dito, é aquilo e ponto. E hoje ouvi do meu analista que as coisas podem ser relativizadas. É verdade, podem sim. Mas para tanto é preciso se permitir, se deixar levar, ser flexível consigo mesmo.
(repostando.... original de maio/05)
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Domingo, Outubro 22, 2006
Gil
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Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero
Conservar
Para tentar ser feliz
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As caixinhas de som do micro aqui em casa captam uma rádio evangélica. Isso por sí já é uma tristeza. Hoje, entre uma música e outra ouvi um "sermão" do pastor sobre casar-se no civil em uma semana e na igreja na outra, dizia que não poderiam os noivos ter relações sexuais nesse intervalo (antes nem pensar)... ai meu Deus... esse enquadre do mundo em certo e errado...
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Quarta-feira, Outubro 18, 2006
Quem mexe com fogo...
Recebido por email:
Se vc se deparasse com a figura da foto, o que faria?
1 - Encaminharia para o AA,
2 - Mandaria tratar a verminose,
3 - Pediria para tomar conta do seu carro,
4 - Chamaria a policia ou
5 - Elegeria presidente da República __,_._,___
Resposta tb por email, de um amigo...
Aos amigos que até hoje não entendem muito bem o que a gente aprende na filosofia...
Tentem ler até o final, pois garanto que vale a pena.
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Eu gosto mesmo é de discutir sobre objetos concretos, que quase falam por si mesmos... esse mail que o Igor mandou é uma dessas oportunidades de mostrar porque uma parcela da população é anti-Lula...
É uma tradição de mando, exploração, racismo, ressentimento e medo. É interessante notar como é descarado, não existe qualquer tentativa de esconder o sentimento de superioridade e desprezo, a lógica de explorador-explorado, de marginalização dos pobres...
Vamos analizar item por item e ver que interessante que é:
1) o problema do alcolismo é bioquimico, como qualquer outra droga, e portanto transcende o posicionamento social. Entretanto sabemos que, de um lado, esse problema agrava-se em função de condições sociais particulares, normalmente ligados a quadros de depressão, falta de perspectiva ou revolta interior, frequentemente associados às camadas mais pobres. Por outro, sabemos que em função da doença do alcolismo, muitos são levados às mesmas situações de fragilidade social, após um processo de auto-destruição dos laços de trabalho e família.
- O que fica patente é a figura da incapacidade de lidar com a vida, a necessidade de auxílio alheio, a carência de guias e regras, que devem ser postas por outras pessoas e que lhe sirvam de referencial para levar a própria vida. Em suma, a irresponsabilidade, o fracasso social como indivíduo apto a viver e desempenhar um papel ativo em sociedade.
- o termo usado é "encaminhar", uma idéia de auxilio paternalista a um coitado, pois não pode fazê-lo por conta própria. Está implicito o encaminhamento a uma entidade de tratamento, o amparo social para esse problema, que, sabemos, é de todos e poderia acontecer em qualquer família, "como mostra a novela".
- temos perda de reputação, desqualificação e descrédito, resultando na "marginalização e segregação social".
2) a verminose é um problema ligado a falta de saneamento básico, causado pela exposição da pessoa a condições precárias de vida, normalmente esgotos
a céu aberto, água contaminada por fezes e escrementos. Obviamente é um problema das camadas pobres, que vivem precariamente, jamais aconteceria nos
Jardins ou no Morumbi, onde as crianças calçam tênis, brincam no clube e tomam água comprada.
- o termo usado é "mandar", o que denota o distânciamento, a superioridade e a relação de controle e de comando. O "mandar" não é o "encaminhar".
Esse garoto jamais seria da minha família, eu nunca terei de ir procuram um médico com ele. É o dar de ombros e saia da minha frente. Podia mandar às favas, mandar se foder, mandar catar coquinho, mandar embora, mandar pra puta-que-o-pariu, mandar trabalhar...
- a diferenciação entre aquele com verminose e o que "manda" tratar é sobretudo uma diferenciação de ordem econômica, pois o que determina a existência da doença é de ordem material, de acesso a estruturas básicas de vivência e manutenção da saúde. A identificação do outro como pobre, e pobre em grau elevado, o miserável, está implícita.
- a imagem da verminose está ligada a uma contradição, pessoas pobres e aparentemente magras e mau alimentadas, mas com uma barriga muito grande.
Normalmente a imagem é ligada a crianças pretas, muito magras e barrigudas...
- mas o que incomoda mesmo nessa frágil figura é o grotesco da contradição entre a pobreza e a barriga grande. Todos sabemos que a pobreza se apresenta, sobre tudo, como um problema estético e de mau gosto.
- A verminose é, sobretudo, um problema de "higienização social".
3) os chamados "flanelinhas" são uma figura contraditória. Traduzem em sua atividade, por um lado, a marginalização social, o desemprego e a pobreza,
e, por outro, a ameaça, a criminalidade latente e a relação de privilégio e troca imposta pela força. Uma versão empobrecida e frágil da extorção por
"segurança" imposta por aqueles que não tem segurança alguma. É a condição de violência gerando uma economia de serviços a partir de si mesma.
Talvez devesse ser premiada com um nobel de economia...
- o termo usado é "pedir", o que, antes de tudo, nao deixa de ser irônico, aquele que antes "encaminhava" ou "mandava", agora "pede". Entretanto esse
"pedir" jamais acontece realmente. Todos sabem que a atividade de flanelinha é uma atividade de extorsão, cobrando pelo uso de um espaço que é público através da ameaça de dano ao patrimônio, e ninguém jamais "pede" por isso.
- o uso irreal do termo "pedir" não tem apenas a função de "disfarçar" a posição de subjugado do "cidadão" em relação àquele que o extorque.
Inverte posições, remetendo a figura ameaçadora do flanelinha à figura do criado. A figura do desocupado excluído é transformada na figura do manobrista de
carros de luxo. O "pedir" é uma forma polída de comando, de imposição da vontada não pela força direta, mas pela força indireta das relações sociais, da submissão pelas relações empregatícias em que um surge como usuário-pagador e o outro como prestador de serviços-recebedor. "Tô pagando, não tá vendo... chupa aqui que esse é o teu trabalho!" Nada mais natural, afinal, quem mandou não estudar... "Isso não é exploração, estou te ajudando."
- "violência econômica" é o nome.
4) a polícia deve ser chamada em situações de descumprimento da lei e contravenção. Aqui a diferenciação e oposição não poderia ser mais explicita. De um lado, a figuara do bandido, que pode ser o ladrão, o assassino, o estuprador ou o que de pior e variado possa-se imaginar. Do outro lado, aquele que "chama" a polícia, uma figura que deve ser aliada à ordem e à lei, como negação do seu oponente.
- o termo usado é "chamar", e a ação, ao contrário das anteriores, não é sobre a figura, mas sim sobre um terceiro elemento que é trazido à cena a partir de um apelo. É um pedido de socorro frente a diferenciação e ao distanciamento absoluto entre aquele que chama e o bandido. A relação entre ambos não existe mais, "é caso de polícia", não de encaminhamento à alguma instituição ou de relações de comando, as normas de relação foram completamente rompidas.
- o único fundamento que possibilita remeter à figura do bandido é a foto, que não denota práticas ou ficha policial, não há sangue nas roupas ou produto de furto nos bolsos. Na verdade o que vemos é uma figura nada ameaçadora... mas de cabelo comprido e barba grossa e cerrada. Definitivamente de traços pouco europeus, a figura é facilmente identificável como "nordestina" e mestiça. Tanto as roupas como a postura (meu deus, o que é esse dedo no umbigo!!??) dão a clareza que se trata de alguém que não cultiva os bons hábitos sociais e a manutenção de um padrão estético socialmente aceitável... Jamais passaria em uma entrevista para emprego... daria vexame em um bom restaurante...
- o vínculo entre pobreza (nesse caso mera simplicidade material) e banditismo é direto.
- a determinação desse outro é invariavelmente feito como escala de evolução, normalmente pela uso da educação como forma de qualificar pessoas em graus de existência social e econômica distintas. Um analfabeto é como um ser primitivo, incapaz de operar e partilhar uma existência social mais ampla (letrada, teconológica, conceitual e científica) e está restrito a uma existência simples, de "gente simples".
- "O preconceito e o racismo" são explícitos.
5) a eleição para a presidência da República é um processo democrático onde todo cidadão exerce o direito de escolha política em condição de igualdade
plena. Com direito a votar e ser votado, sem distinções de raça, credo, opção sexual, posição econômica e social. Sob o aspecto da representação, o eleitor concede o voto àquele que melhor traduz a sua posição política e social. Sob o aspecto da delegação de poder, transfere o poder indivídual àquele que exercerá o cargo de administração pública, tomando decisões e realizando ações em nome do coletivo que o elegeu.
- o termo "eleger" remete a uma arco de contradições quando justaposto às idéias anteriores, pois significa:
a) delegação de poder para executar a um desqualificado inapto a agir e cuidar de si mesmo;
b) conceder poder de comando e adminstração aquele que deve ser o comandado dentro de uma relação de "mando", que está amparada em distinções sociais e econômicas que operam sobretudo pela "força" econômica;
c) tratar como igual aquele que não o é, invertendo posições sociais e a própria lógica da produtividade e a organização social natural, pois está reflete a capacidade e competência das diversas camadas sociais que está implicita na posição econômica que ocupam. Se os pobres tivessem competência
para produzir e conduzir a economia, não seriam pobres.
d) ser representado pelo absolutamente diferente e marginal, que está fora da possibilidade de identificação e que, portanto, não pode representar. Como os pobre e analfabeto é "simples", ele até pode ser representado por aquele letrado e rico, mais "evoluído" (em oposto a "simples"), entretanto não pode jamais representar o evoluído, nem mesmo entender as mesmas coisas que ele.
e) por fim, é a própria idéia de eleição e de democrácia que é contraditória e equivocada, pois seus pressupostos são a igualdade entre todos os indivíduos, que como vimos, é negada.
Assim, o que está implícito nesse mail é a dequalificação e doutrina da inferioridade, o racismo, o preconceito, a exploração social, e, sobretudo, a visão totalitária e hierárquica da "política". Características clássicas do fascismo.
Abraços,
Luciano Malheiro
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Bricabraque
Releitura do palavrão como fonema libertário, segundo o compadre Maurício:
"Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se."
Sublime.
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Os planetas não regem o destino
Em 2002, eu estava vivendo um momento difícil, tanto na minha vida pessoal como na profissional. Estava inconformada pelo modo como as coisas aconteciam. Por mais que eu me dedicasse, as coisas não andavam, me sentia literalmente nadando sem chegar a lugar nenhum. Hoje, olho para trás e vejo que esses momentos difíceis foram necessários para que eu pudesse aprender as lições de valor e descobrir quem eu realmente sou.
Todos somos presenteados com certos potenciais, mas o que fazemos com esses dons é um problema pessoal. Depois que me reestruturei no mercado de trabalho e me harmonizei com a minha família, fica muito mais fácil falar. Só depois de superar esses momentos delicados é que pude perceber que a vida não consiste em apenas encontrar as pessoas certas e, sim, me tornar "a" pessoa certa. Qualquer tipo de relacionamento - seja uma amizade, um romance, uma sociedade - tem a sua chave no próprio equilíbrio. Todos temos capacidade de viver com mais prazer e felicidade, para isso só precisamos enxergar melhor.
E foi aí que os estudos (em geral) entraram no meu caminho.
Com astrologia, tarô, cabala, pude perceber que dentro de mim existe uma infinidade de talentos. Quando consegui acessar essas informações, encontrei meu caminho. Mesmo com a astrologia, que é uma ferramenta maravilhosa de previsão, não é possível adivinhar o futuro, mas apenas antecipar prováveis efeitos de nossas próprias ações em nossa vida. As oportunidades sempre surgem, mas é improvável que alguma coisa aconteça se você se esconder do mundo e não sair buscando por ela lá fora.
Em março de 2002, eu estava trabalhando no centro do Rio de Janeiro. Durante uma pausa nos afazeres, decidi folhear um jornal que estava no meu carro. Li que haveria uma palestra sobre diversos temas esotéricos, que começaria dali a uma hora. Percebi que era um sinal. Larguei tudo e fui para o evento. Ao escutar todos os diversos conceitos, que para mim eram novos, foi como uma se uma luz apontasse um caminho.
Daquele dia em diante, dediquei-me de corpo e alma a esses estudos, com que me identifiquei totalmente. Mergulhei fundo, abri mão de diversão, festas, viagens, pois sentia que, se não aproveitasse esse momento, não teria outra chance. Passei em pouco tempo de uma completa leiga para uma profissional atuante. As oportunidades começaram a desabrochar em meu caminho de tal forma que eu nem dava conta de todas.
A conclusão a que cheguei foi que, embora as oportunidades futuras fiquem indicadas no nosso mapa, cada um tem o livre-arbítrio de aceitá-las ou recusá-las. Por isso, é essencial escutar nossos sonhos e anseios, e perceber quando aquela voz interior começa a falar mais alto dentro de você. Quando se percebe esse chamado, tudo flui harmoniosamente e encontra um propósito na sua existência.
As coincidências não existem, e a pedra que muitas vezes nos parece um obstáculo, nada mais é do que um degrau para subirmos a um patamar mais elevado. A astrologia me ajudou muito, mostrando para que lado está o vento da minha vida. Pois o vento sopra para todos, tenho certeza. Mas se você posiciona a vela do seu barco a favor ou contra esse vento, isso é o que vai decidir se você chegará ao seu objetivo ou não. Por isso, passei a dedicar grande parte do meu tempo a mostrar essa verdade às pessoas que, como eu, estavam perdidas, com seu barco desgovernado no oceano da vida.
Com esse conhecimento, passei então a ajudar pessoas que ficavam batendo com a cabeça na parede, reclamando que a vida é injusta. Não é a vida que é injusta, somos nós que nos grudamos em nossos problemas como carrapatos.
Seja qual for o rumo que você queira tomar, lembre-se: você não é o problema e muito menos é o planeta que lhe causa um problema. É você que desencadeia o problema com seu comportamento, pensamento, emoções e seu condicionamento. O astrólogo pode ser um catalisador para estimular em você o desejo de crescer, indicando os caminhos para isso. Encare suas situações problemáticas como professores disfarçados. Às vezes é através de uma pessoa rude que você recebe uma mensagem necessária para libertar-se de um padrão de dificuldades.
Hoje aprendi que não posso julgar quem deve ser esse professor e tento vislumbrar a lição contida no comportamento do outro. Aprenda com as experiências das pessoas, você não precisa passar pela dor para fazer essa grande descoberta. Nós escrevermos a nossa própria história. Os planetas não regem o destino. As pessoas regem seus próprios destinos, e o fazem de maneira mais eficaz quando estão cientes de um ritmo universal. Cabe a nós nos libertamos dessa freqüência e não sermos mais vítimas das circunstâncias.
Mônica Burich - Astróloga
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Segunda-feira, Outubro 16, 2006
Quem acredita na força da energia, aí está um bom momento para energizar desejos e pensamentos positivos para si e para outras pessoas. Mesmo que não seja verdade o que é dito abaixo, não importa, vale a intenção, não perderá tempo, pois estará exercitando neste dia o pensamento positivo e criando uma energia positiva em torno de você e outras pessoas. Mas, cuidado com pensamentos negativos, baixo astral, pois também estes serão potencializados um milhão de vezes neste dia 17/10, ou seja, tudo que energizar e desejar fortemente com emoção, poderá se materializar muito mais rápido do que imagina. Boa sorte e bons pensamentos.
Um evento de disparo cósmico acontecerá no dia 17 de outubro de 2006.
Este é o começo do disparo cósmico, um dos muitos que deverão ocorrer até 2013.
Os raios pulsantes de um (raio de luz) ultravioleta (UV) de uma dimensão mais alta no universo cruzarão rota da Terra e a estaremos sob estes raios por 17 horas (nosso tempo), neste dia.
Esta emissão de raios de luz ressoam no chacra do coração. É de radiação fluorescente em natura, AZUL/ MAGENTA em cor. Apesar de ressonar
nesta freqüência, ela está acima do espectro de cores do nosso universo, no qual, nós da terra, articulamos. Porém, pela natureza de nossas almas ou
grupos de almas, operando nas bandas de freqüência do universo, terão efeito sobre nós. O efeito será a ampliação de nossos pensamentos e emoções na intensidade de um milhão de vezes. Sim, um milhão de vezes e mais. Cada pensamento, cada emoção, todas as intenções, cada desejo, não importa se bom ou ruim, doente, positivo, negativo, será ampliado mais de um milhão de vezes na sua intenção.
O que isto quer dizer?
Já que a manifestação da matéria é causada pelos pensamentos, i.e., no que focarmos, este raio acelerará estes pensamentos e os solidificará numa proporção acelerada fazendo-os se manifestarem um milhão de vezes mais rápido do que normalmente aconteceria. Para os que não compreenderam, nossos pensamentos criam nossa realidade a partir do que focamos em pensamentos e desejos. Este raio de luz poderá também ser um perigoso instrumento, pois se tiver focado em pensamentos negativos que são negativos ao seu gosto, eles se manifestarão na sua realidade quase que imediatamente. Porém ele poderá ser um precioso presente para você se usá-lo positivamente.
. A missão - 1017 requer aproximadamente um milhão de pessoas focando positivamente, no bem, de bons pensamentos para si próprio e para a Humanidade, neste dia. Poderemos estar próximos de um milagre pela união do bem.
. Pedimos pensamentos positivos focados na cura, bem estar, delicadeza, gratidão.
. Este raio UV estará a todo efeito por 17 horas no dia 17 de outubro de 2006.
. Não importa em que lugar do planeta você esteja. De aproximadamente 10: 17a.m. do dia 17 de outubro às 1:17 a.m. do dia 18 de outubro.
. Tendo o pico às 17:10 (5:10 p.m.) do dia 17.
. Não é preciso estar em estado meditativo durante todo o período, porém seria o mais benéfico. O importante é fazê-lo principalmente às 17:10 deste dia. Procure um lugar tranqüilo para elevar seu pensamento.
. O melhor seria em lugares fora da cidade, na terra, próximo a uma grande árvore ou próximo ao oceano.
. Este evento do disparo do raio UV é chamado de "portal 818"
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Domingo, Outubro 15, 2006
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"E é inútil procurar encurtar caminho e querer começar já sabendo que voz diz pouco, já começando por ser despessoal. Pois existe a trajetória, e a trajetória não é apenas um modo de ir. A trajetória somos nós mesmos. Em matéria de viver nunca se pode chegar antes. A via-crucis não é um descaminho, é a passagem única, não se chega senão através dela e com ela. A insistência é o nosso esforço, a desistência é o prêmio. A este só se chega quando se experimentou o poder de construir, e, apesar do gosto de poder, profere-se a desistência. A desistência tem que ser uma escolha. Desistir é a escolha mais sagrada de uma vida. Desistir é o verdadeiro instante humano. E só esta, é a glória própria de minha condição. A desistencia é uma reveleção. "
Clarice Lispector, in A paixão segundo G. H.
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Sábado, Outubro 14, 2006
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Sexta-feira, Outubro 13, 2006
Todas as pessoas que eu conheço iniciam qualquer contato com o outro com um pé na frente e outro atrás. Descobri isso há muito pouco tempo.
Eu, sempre dou "voto de confiança", confio até que provem o contrário.
Duro é que quando provam... não tem volta.
Pior é qdo isso acontece no trabalho...
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O tal do jornalismo militante
Nenhum veículo da imprensa grande brasileira declarou voto nestas eleições. Inclusive o objeto de análise deste boletim. Imagine, nenhum dos seus donos deve ter candidato e são isentas suas linhas e políticas editoriais...
Chove uma garoa fina na noite de domingo em São Paulo, e na minha zona norte natal, terra das senhoras de Santana e do Clube Espéria, estouram fogos de artifício em comemoração ao segundo turno das eleições, obtido, principalmente, pelos rumos da votação em São Paulo (que também consagrou, em um voto "ético e consciente", Paulo Maluf, Enéas Carneiro, Frank Aguiar, Palocci, João Paulo Cunha, José Mentor, Waldemar Costa Neto e Clodovil...). O carro desliza pelo asfalto liso e ruas vazias. Tomo, mais uma vez, o caminho mais longo para ir pensando...
Semana passada já deixei vários furos na análise da Veja. A pequena vingança encomendada a Jerônimo Teixeira sobre Paulo Coelho pela jogada da sua antiga editora, a Rocco, no lançamento do seu último livro, quando ocuparam as capas das três maiores semanais. Um erro ridículo da coluna do Mainardi que já vinha corrigido na própria edição, o cargo de Mino Pedrosa, que é ex-editor da Isto É desde 2005, e não editor atual da Isto É (ou seja, foi publicada, apesar da Veja saber que esta informação estava errada), e que nega ter ouvido a história que Mainardi relata como dele, e que o colunista recebeu via PFL. A atitude de Mainardi foi sensacional. O ídolo do proto jornalismo em declaração ao site Comunique-se não deu a mínima para o seu erro. Também poderia comentar a não divulgação de que, pelo andar da carruagem, é provável que não tenha havido grampo no Tribunal Superior Eleitoral, como a revista fartamente noticiou semana passada. Mas Veja não tem a preocupação de corrigir informações erradas.
Este texto tem um tom pessoal mesmo. Porque é a explicação do seguinte: não pretendo escrever o boletim até o início de novembro, uma ou duas semanas após o segundo turno. Não dá. Ao contrário da Veja, e a saúdo por isso, não tenho sangue de barata ou/e a vocação deles para o exercício do jornalismo militante. Nunca foi o objetivo do boletim, para algumas frustrações que achavam que ele estava aqui para "defender Lula". Não está. A idéia era defender uma idéia mais plural e honesta e menos ideológica e hipócrita de jornalismo e debate. De forma muito modesta e limitada, aliás. Um hobby.
Também não sou bom em carregar imposturas ou adicionar sapos na minha dieta, como parece ser pré-requisito para cumprir certas tarefas no jornalismo "grande" brasileiro. Levo toda esta palhaçada excessivamente a sério. Por isso mesmo, neste mês, não vou ter paciência, ou isenção para analisar com cuidado o varejo das suas pequenezas. Como ainda levo-me a sério, e agora ao fim do primeiro turno tomei uma posição que interfere com a postura do boletim, pausa-lo-ei. Vamos, para sair de "férias", ao atacado, o que eu poderia resumir com a expressão: Fala sério!
Todas as cartas publicadas na Veja (ah, menos uma curtinha irrelevante...) desta semana elogiam a revista e criticam a explosão de corrupção no governo do PT. Todas transbordam indignação com a grave crise ética que o governo Lula levou o Brasil. Todas. Todas. Isso só pode significar duas coisas: ou todas as cartas, menos a exceção que confirma a regra, que a revista recebeu tinham este conteúdo, e aí ninguém dos quase 50% da população brasileira que não concordam com isso (e que aliás, são de várias regiões e classes sociais do país) e votaram em Lula não mandaram carta para a revista, ou ela simplesmente sonega representação para cartas que discordem de sua linha editorial que, hipocritamente, não declara voto quando ele está claro. Neste caso, o item um pode até ser conseqüência do dois. De qualquer forma o fim é o mesmo: isso é símbolo de como na revista, um setor imenso da sociedade brasileira vê-se negado de voz, compreensão das suas posições, de diálogo. Linchado simbolicamente. Não é o que se espera de uma imprensa que se pretenda maior e democrática, para dizer o mínimo.
Não sejamos bestas. Uma das sociedades mais desiguais do mundo não se segura sem uma variedade de violências e sem fortes grupos de interesses apegados, de diversas formas, ao status quo. E realistas. O governo Lula, nas suas qualidades e defeitos, apenas arranha esta estrutura. Mas parece que já é o suficiente para causar histeria em alguns.
Diogo Mainardi crê que o país não é governado por uma elite má. Eu também não. Mas onde Mainardi vê nos problemas do Brasil algo que saiu errado, talvez por clima, religião, indolência, latitude, miscigenação ou excesso de batucada, eu vejo algo errado que deu, e segue dando, certo. Uma estrutura forte e arraigada. Se todos fôssemos de fato a favor da igualdade e contra a pobreza, se delas muitos, nós mesmos, não nos beneficiássemos de uma forma ou outra, ela já estaria entre nós. Mesmo no empurra-empurra das culpas pela miséria entre esquerda e direita e as discussões sobre os rumos da sua resolução, seriam muito, mas muito diferentes se todos tivéssemos o mesmo interesse em resolvê-las, no sistema político-econômico que fosse.
Mas se uma pessoa quer ir para o norte e outra para o sul, alguém está sendo enganado se elas concordam no caminho que seguirão juntas, certo?
O governo de Lula tem defeitos e qualidades. Mas eu tenho a estranha tese de que um governo espetacular, capitalista inclusive, mas que de fato combatesse a desigualdade social, ia ter que agüentar uma tremenda bronca neste país.
Você acha, sinceramente, que quem se acostumou, na fazenda, na fábrica, na sua residência, a pagar uma merreca para um trabalhador quer igualdade social? Quer escola de qualidade para todos, para que todo mundo dispute igual vaga na Fuvest, concurso de juiz e seleção da Unilever?
Não tem Vieira Souto, Lagoa Rodrigo de Freitas, Angra dos Reis e Jardins para todos, cumpadi! Lavar a própria pia, limpar a própria casa, estacionar o próprio carro. Pagar multa e não gritar "você sabe com quem está falando?".
Acho que os problemas éticos e legais do PT devem ser investigados e punidos. Sou muito tranqüilo em relação a esta discussão específica e acho que a oposição cumpre papel importante e benéfico nisso. Não suporto a pressão, e a farsa da interdição da política que há por detrás disso, da intolerância e desrespeito aos eleitores ¿ pobres, do nordeste, ou de todas as outras regiões e classes sociais ¿ que optaram por votar em Lula. Porque é uma tremenda cortina de fumaça, que revela por frestas e entrelinhas muito do que há por trás disso.
O ódio ao voto dos mais pobres. O ódio que o governo distribua alguma renda para quem se enquadra no programa, indiscriminadamente à posição política, por isso não é compra de votos, algo em torno de 70 reais por mês aos mais pobres da sociedade.
A opção por uma sociedade mais desigual. Por lendas e mitos que atrasam. Pelo muro e pela repressão.
Pelo caminho mais covarde possível como linha de política externa. Pela mera submissão a qualquer ditame do governo norte-americano, mesmo quando esta é ditada por fundamentalistas corruptos, mentirosos e belicistas que inventam guerras. "Alinhamento estratégico" é o nome pomposo disso.
Pela crença de que o interesse dos ricos é o interesse da sociedade e vice-versa. Que quanto mais o capital render para os que já são ricos, que isso por si só será bom para a sociedade, mesmo isso sendo feito com a redução de direitos da maioria da sociedade, que é trabalhadora, a detonação do meio ambiente, ou violentas exclusões e expropriações.
Que o Estado não pode ter um papel, sequer marginal, de redistribuição de renda, que é um acinte destinar recursos de impostos aos mais pobres, que isso é "assistencialismo", "populismo", muito menos os pobres se organizarem politicamente, que isso é "manipulação", e movimentos sociais "criminosos". Que a única maneira de salvar os pobres é com um conceito e discurso abstrato de ¿educação¿ (como dar educação sem o mínimo de estabilidade e nutrição no lar, o que, aliás, o Bolsa Família sequer chega a dar?), que não contempla aumentar salário de professores ou enfrentar os benefícios fiscais que subsidiam a escola particular dos mais ricos (sim, a isenção do imposto de renda de quem estuda em colégio particular...). Enquanto pagar juros obscenamente altos aos mais ricos é uma decisão "prudente" e "técnica", que imagina, não movimenta nenhum tipo de lobby e grupos de interesse...Imagina.
Que não é para vivermos em uma sociedade de fato solidária que estenda direitos, mas ao invés disso os pobres devem ser tratados não como cidadãos, mas como objetos de uma "generosidade" pornográfica dos ricos, em humilhações publicitárias do chamado "marketing social" ou "caridade". Que os mais pobres não têm direito de votar de acordo com seus interesses. Que eles não sabem o que é melhor para eles mesmos.
O governo Lula faz pouco neste, e em muitos outros sentidos. Mas faz algo, contra uma elite malandra e arraigada, e uma classe média deslumbrada e mesquinha, ambas mestras em se fazer de vítima (com as muitas exceções e particularidades que não cabem no geral, sempre). Os que arrotam merda sobre o Bolsa Família, são os mesmos que vão para a França, onde ajudas similares ao "Bolsa Família" são de algumas centenas de euros e há uma rede de proteção social (que até nos Estados Unidos, onde ela tem sido reduzida, é mais densa que aqui), ou para a Inglaterra, onde os sistemas públicos funcionam bem melhor que aqui. Esbaldam-se com a "civilização", e depois vêm aqui defender suas fazendas de abobrinhas. Legítimos súditos de Dom Pedro II, que por décadas foi o descolado imperador de uma atrasada e aberrante nação escravocrata.
Digníssimos escribas iluminados de uma imprensa livre, que por obra de imensa coincidência, conhece pouquíssima dissidência e diversidade nas suas páginas. Todas as cartas, amigos, batendo em Lula. Claro, afinal todos que votam nele não são analfabetos? Logo, como escreveriam cartas ou e-mails?
Os jornalistas da imprensa grande brasileira, que são um verdadeiro google para detectar e rebater qualquer análise não histérica sobre Cuba ou Venezuela, passam batido por coisas como "macacos hispânicos" proferida pelo guru da "lógica" Arnaldo Jabor falando de Chávez e Morales, com todo o carinho e educação. Ou pegam um livro como Não somos racistas de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, e passam batido pelos seus simpáticos resenhistas, inclusive o da Veja, e aí cabe agradecer especificamente ao Marcelo Leite que escreveu excelente resenha no caderno Mais!, uma passagem do livro como essa:
"A verdade é que a escravidão não assentava sua legitimidade em bases raciais, pois era grande a mobilidade social dos escravos. (...) Ou seja, uma vez alforriados, a cor não era impedimento para que os negros fossem aceitos como iguais pelos brancos".
Como aponta Leite, dizer que a escravidão não assentava sua "legitimidade" (o maior sic do mundo) em bases raciais é um absurdo inacreditável, pelo simples motivo que negros não poderiam ter brancos como escravos. Onde eles poderiam ser iguais? Onde isso não se baseava em raça? Kamel deve ter assistido muita "Sinhá Moça". O mínimo era admitir "caguei nesta passagem" e ajoelhar no milho....
Fala sério. Todo o jornalista sabe o que pega bem e o que pega mal demonstrar ideologicamente para ascender nas redações de Veja, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e afins. Todo mundo no meio sabe o que é "Operação Portugal" ou pedidos estranhos. Muitos mantêm a integridade com muito esforço dentro destas condições. Outros fazem por convicção. Alguns inclusive sobem na carreira mesmo sendo de esquerda, corretos ou independentes, por tremendos méritos. Mas todos, todos sabem dos latifúndios autoritários que dizem representar a "liberdade de imprensa". Como se barra a investigação de determinados escândalos, entrevistas, opiniões de determinadas correntes acadêmicas.
O principal problema para a real liberdade de imprensa hoje é a auto-censura dentro das grandes empresas de mídia. Taí um único e belíssimo motivo para votar no Lula. A liberdade e fiscalização da imprensa sobre seu governo será muito melhor do que a sobre Alckmin.
Não se trata aqui de manipulação, de armação, de conspiração. Mas de supressão e desqualificação das diferenças políticas, como se estas fossem apenas um caso de polícia, e já investigado, transitado e julgado em última instância. E como se discordando a realidade do impresso, errada está a realidade, que não sabe ler. E claro, deve estar recebendo algum mensalão...
Este mês vai ser fogo. Tenho muito trabalho, para as muitas continhas pagar. Uma matéria imensa para fazer. A editora em que eu trabalho organizará 3 grandes debates/lançamentos, um já na quinta no Memorial, um dia 10 na FAU-Maranhão, outro dia 18 no Sesc Vila Mariana. Também vou fazer no mínimo uma festa (espetacular) como DJ dia 21. E pretendo, no tempo que for possível, exercer meu direito de defender minha opinião política como cidadão, não contra, mas com seu local a parte da gritaria de frases-feitas do moralismo de ocasião, que enfim, cada um tem o direito de escolher que roupa vestir. Dialogar, expor opinião, ouvir, argumentar. Porque acho que é meu direito. Porque acho o momento importante. Porque esta histeria fabricada, estes preconceitos de classe que afloram, anti-republicanos e anti-democráticos, estes valores regressivos, egoístas e inconseqüentes me deram nos nervos.
Assim, que o Veja Q Porcaria volte depois da eleição quando eu estarei tranqüilo e feliz independente do resultado, respeitando a escolha de voto e o rumo, se norte ou sul, escolhido pela maioria e pela minoria, para analisar os abusos cometidos pela revista, que são muitos, além e aquém do seu direito de ter um ponto de vista e uma opinião.
Porque, ao contrário da Veja, este boletim não é, para o bem ou para o mal, jornalismo militante ou a serviço de uma candidatura.
Grande abraço, obrigado pela atenção dispensada, e inté breve.
AVISOS
Esta crítica da Veja é completamente independente, não estando associada a nenhum grupo ou empresa. Correções, críticas, sugestões e comentários em geral são bem vindos. É livre o repasse desta mensagem, desde que constem os créditos da fonte e do autor, e o e-mail para recebimento do boletim.
A publicação de trechos ou mesmo do Veja Q Porcaria inteiro é permitida, desde que discutida antes com o autor.
Avisem-me acima de tudo se NÃO QUISEREM mais receber ou se souberem de alguém que queira. No caso de ter recebido essa mensagem em um forward e quiser receber o "Veja Que Porcaria" semanalmente, mande um e-mail para vejaqporcaria@yahoo.com
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Continuando a sessão "utilidade pública", eu nunca provei um cappuccino tão ruim quanto o que preparei com o Pilão Cioccolata D'or sabor chocolate e avelã! Arght! Comprei animada por adorar a combinação... mas a decepção foi enorme. Fujam!
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Quinta-feira, Outubro 12, 2006
I like to move it,move it
I like to move it,move it
I like to move it,move it
Ya like to ("move it")
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Talvez se eu postasse uma foto de um lutador de boxe enunciasse melhor o que estou vivendo neste momento...
Curioso que um dos programas que eu gosto na tv é o "Enquanto vc não vem". E me senti em um desses, só que as mudanças não foram na casa... e não foram nem um pouco boas. Pelo menos no geral se pensarmos na manutenção do status quo. Mas ok, de alguma forma creio que isso abrirá portas.
Mas bem que poderia ter um Andrew Dan-Jumbo naquela marcenaria...
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ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL O GLOBO POR "MARCOLA"
- VOCê é DO PCC?
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre
a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...
- MAS... A SOLUçãO SERIA...
- Solução? Não há mais solução, cara... A própria idéia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas
vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria
de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios...) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
- Você não têm medo de morrer?
- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... mas eu posso mandar matar vocês lá fora... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados.
Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien
escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra
língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
- O QUE MUDOU NAS PERIFERIAS?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... ha,ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
- MAS O QUE DEVEMOS FAZER?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A
gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo... Já pensou? Ipanema radioativa?
- MAS... NãO HAVERIA SOLUçãO?
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "LASCIATE OGNA SPERANZA VOI CHE ENTRATE!" PERCAM TODAS AS ESPERANçAS. ESTAMOS TODOS NO INFERNO.
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Terça-feira, Outubro 10, 2006
Saudades da Debinha!
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Domingo, Outubro 08, 2006
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Testando alterações no template
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Estava no sacolão da vila madalena, lanchando com amigos e vendo, de relance, o debate. Lembrei do comício no Pacaembu em 1989, quem lá esteve, tenho certeza, não esquece(u). Não tô aqui pra fazer apologias, mas isto é um blog e como tal tem a cara de quem o escreve.
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Sábado, Outubro 07, 2006
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O Que Você Faria - Lenine
Meu amor o que você faria se só te restasse um dia
Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria
Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia
Meu amor o que você faria se só te restasse um dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Corria pro shooping center ou para uma academia
Prá se esquecer que não dá tempo
O tempo que já se perdia
Meu amor o que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha
Meu amor o que você faria
O que você faria
Abria a porta do hospício
Tranvaca da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria
Meu amor o que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que faria
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Sexta-feira, Outubro 06, 2006
"(...) o significado deste hexagrama diz que é hora de derrubar essa muralha, de suavizar a dureza de seu coração, desatar o nó da auto-importância e impregnar sua intuição com real compreensão."
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Quinta-feira, Outubro 05, 2006
ERRA UMA VEZ
nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez
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Paulo Leminski (1944 - 1989)
Sujeito Indireto
Quem dera eu achasse um jeito
de fazer tudo perfeito,
feito a coisa fosse o projeto
e tudo já nascesse satisfeito.
Quem dera eu visse o outro lado,
o lado de lá, lado meio,
onde o triângulo é quadrado
e o torto parece direito.
Quem dera um ângulo reto.
Já começo a ficar cheio
de não saber quando eu falto,
de ser, mim, indireto sujeito.
Poema integrante da série Distraídos Venceremos.
In: LEMINSKI, Paulo. Distraídos venceremos. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991
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isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
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morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma
(de novo ele)
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Uma pálpebra,
Mais uma, mais outras,
Enfim, dezenas
De pálpebras sobre pálpebras
Tentando fazer
Das minhas trevas
Alguma coisa a mais
Que lágrimas
Leminski
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Quarta-feira, Outubro 04, 2006
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Distraídos venceremos.
Só assim para passar pelo mal com serenidade...
Que semana...
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Ivana Bentes: Play it again, Jango!
O texto que segue, da professora universitária e pesquisadora de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ivana Bentes, foi encomendado pela Folha de S. Paulo, para ser publicado no próximo domingo no Caderno Mais!, especificando que o autor deveria escolher um antigo presidente da República, já morto, que, "ressucitado", comentaria os fatos políticos de agora. Ivana escolheu João Goulart, o Jango. Produziu e enviou o texto para o jornal do Otavinho Frias. Neste sábado, foi-lhe comunicado que não será publicado. O motivo: o texto estava "fora do foco". Jango virou Lula!
Morri no exílio, na província argentina de Corrientes, em 6 de dezembro de 1976, sozinho, vítima de ataque cardíaco, numa fazenda da fronteira. Tentava voltar para o Brasil, de onde me expulsaram com o Golpe Militar depois que anunciei, no dia 13 de março de 1964, num comício para 150 mil pessoas na Central do Brasil que iria fazer a Reforma Agrária, Urbana, as reformas na Educação, a Reforma Eleitoral, Tributária...
Não deixaram fazer nada e me derrubaram! As forças mais conservadoras da sociedade Brasileira se uniram e foram convocadas a me depor, toda a imprensa ficou contra mim. Esse já era o terceiro golpe midiático-militar, botaram a classe média horrorizada na rua, as senhoras da TFP, editoriais alarmistas e moralistas, páginas e páginas de jornais, rádio, TV. Assustaram todos até que cai no dia 1º de abril de 1964.
Não adiantou, estou de volta! Não sei como, só sei que eu João "Jango" Goulart, ex-presidente deposto, retornei, é dia de eleição e estou concorrendo de novo para Presidente do Brasil. Mudei de partido. Estou grisalho, perdi um dedo da mão (onde?) e me dou conta que as forças que me derrubaram em 1964 estão quase todas aí. Continuo com apoio popular, estou com enorme vantagem nas pesquisas, mas por que os jornais dos últimos meses são todos contra mim e meu partido? Estou sendo de novo linchado. Em 64 diziam que eu ia implantar o comunismo no Brasil e agora que estou implantando a corrupção em Pindorama!
Meu assessor me informa que vamos assistir à fita com o meu debate na televisão. Estou reconhecendo o pessoal da pesada de 64. Então tenho uma visão exata de quem eu sou e o que represento no Brasil de 2006, me vendo pelos olhos dos meus inquisidores. Roda o VT. Não, dá um Play. Play it again, Jango! Ouço, e então presente, passado e futuro se dobram na tela da TV.
Entrevistador e dono de uma empresa de TV:
Sr, Presidente, de todas as reformas que o senhor propôs, uma é a mais perigosa de todas, é um acinte aos empresários da comunicação, de rádio e TV. Sr. Presidente, o senhor tentou entrar na nossa caixa preta, regular nossas empresas com uma Agência. Nós somos contra, Sr. Presidente! Onde já se viu? Deu está dado! Não queremos ninguém novo no negócio. Canal de TV para Ong, para Universidade, para favela? Eles não precisam de nada disso e ainda fazem uns vídeos que são umas porcarias. Qualidade temos nós com essa imagem plastificada, atrizes esticadas digitalmente, programas incitando à delação. Eles a gente emprega pra figuração, usa para vender celular e fazer propaganda da nossa diversidade cultural. Os pobres têm estilo, são vibe, hiper, mob, servem pra vender quinquilharia e show. Mas dar canal de TV pra essa gente, Presidente?
Jango: Eu tenho um ministro da cultura que é músico e negro e quer botar ilha de edição, câmeras de vídeo e internet de graça por onde der. É o início da Reforma da Cultura, da Educação, da Comunicação, junto com o Fundeb, o Fundo para a Educação, que eu criei lá em 62 e reeditamos agora. Por que ninguém fala do Fundeb?! Eu tenho orgulho de estar implantando o Fundeb!! As cotas no Brasil! Estou botando os negros e os pobres dentro da Universidade. Temos que acabar o vestibular, tornar o acesso universal. Além disso eu criei o Bolsa Família, tirando um contingente da miséria, é a maior transferência de renda já feita nesse país. Eu apóio o MST, os Sem-Teto! Me deixem fazer as Reformas! As novas e aquelas que vocês abortaram em 64!
Professor-Doutor-Pesquisador:
Desculpe, Sr. Presidente. Eu fiz mestrado com bolsa Capes, doutorado com bolsa sandwich em Paris VIII, CNPQ, e tive bolsa de pós-doutorado em Oxford. Meus alunos têm bolsa de iniciação artística, científica, extensão... Mas eu sou contra a Bolsa Família!!! É assistencialismo dar 50 reais (é muito, acostuma mal) para pobre. Populismo, Sr. Presidente! Minhas bolsas eu ganhei todas por mérito. Mérito! E olhe que sou bolsista há 10 anos! Deus me livre perder minha bolsa!
Antropóloga, antes de entrar na roda de debate:
Ô diretor, chama um negro aí para aparecer no programa, mas tem que ser contra as cotas. A gente é branco, professor-doutor, não vale. É pro povo entender que é uma merda, que eles tem que entrar para a Universidade sozinhos, por mérito, se não vai cair o nível da universidade. Botar um antropólogo branco, louro de olhos azuis falando mal das cotas não vale, vão cair de pau na gente. Tem que ser negro falando mal das conquistas dos negros.
Diretor de TV:
Você sabe, a gente detona as cotas diariamente nos editoriais, colunas, manchetes, mas nas novelas tem que ser a garota negra com o galã branco. Botamos na tela uns negros limpinhos, bonitos, cheios de dignidade. Provamos que eles vão vencer sozinhos. Cota para que? Nunca fomos racistas! Querem criar o racismo no Brasil, Sr. Presidente. O senhor está muito mal assessorado nessa área. Aliás, não vai ter cota para negros em empresas de TV, vai? Deus me livre! Não dá pra fazer Escrava Isaura no Leblon.
Entrevistador-cronista-consultor:
Sr. candidato, o senhor está na frente das pesquisas, mas como esse povo ignorante, desdentado, feio, pode decidir por mim? Eu que freqüentava o Palácio do Planalto, que era amigo e confidente do sociólogo, seu cronista-conselheiro. Eu que sou especialista em pornografia política. Achei que poderia ser de direita, mas escrever genialmente como o Nelson, mas não tenho esse talento. Estou aqui me olhando na TV e só vejo um publicitário mal sucedido, porque o meu candidato à presidência vai perder as eleições e meus amigos vão ficar fora do poder. Sou a encarnação das forças do ressentimento. Pelo menos sou psicanalizado, me acho um crápula, mas tudo bem. Os empresários me pagam 10, 20 mil por palestra ou consultoria para eu anunciar o apocalipse. Não tenho o que perguntar, só queria dizer olhando bem na sua cara. Eu te odeio, Sr. Presidente e morrerei escrevendo contra tudo o que o senhor significa (baba).
Apresentadora de TV:
Então Sr Jango, depois de ouvir isso tudo sobre o seu governo, o que significará a sua reeleição?
Jango: "O triunfo da beleza e da justiça". E não me chamem mais de Jango. O ex-presidente morreu no golpe de 64, exilado na fronteira, em 1976. O novo presidente nasceu das crises que vocês criaram, tentando me derrubar uma, duas, três, quantas vezes? Não estou mais só em 2006. Tenho 55% das intenções de votos, atingi o coração do Brasil, sou uma radicalização da democracia. Meu nome é Muitos. Sou uma potência da multidão.
Ivana Bentes, pesquisadora de Comunicação da UFRJ
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Domingo, Outubro 01, 2006
Lucidez em altas doses prejudica a saúde.
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Paulo Maluf, Clodovil, Celso Russomano e Frank Aguiar liderando o ranking de votos para deputado federal em SP e o Collor no senado, é desolador...
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Às vezes eu invejo quem tem um vício... quem se embebeda, se droga, quem de alguma forma consegue anestesiar a dor.
Eu, incapaz até de fumar um cigarro, sinto, lúcida, as consequências dos meus atos.
A Rê Ox escreveu um post, com um outro tema, porém bem apropriado para o momento
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a noite - enorme
tudo dorme
menos teu nome
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Bem no Fundo
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela ¿ silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Leminski
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já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo
morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma
Leminski
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PARADA CARDÍACA
Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.
Paulo Leminski
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Tarde de vento.
Até as árvores
querem vir para dentro.
Paulo Leminski
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