E por falar em amor...
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Viver é desenhar sem borracha. Millor Fernandes

Domingo, Maio 28, 2006
Adote a Sofie


posted by Rejoicing 9:45 PM Compartilhe
. . .
Sábado, Maio 27, 2006
Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os recederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", Esse apontador não é seu, minha filhinha¿. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

Texto recitado pela Ana Carolina no CD Ana & Jorge, que ela gravou com o Seu Jorge.

É isso aí...


posted by Rejoicing 12:13 PM Compartilhe
. . .

Meninas, tenham bons sonhos!


posted by Rejoicing 3:14 AM Compartilhe
. . .
Quinta-feira, Maio 25, 2006

Vai um friozinho aí??


posted by Rejoicing 11:09 PM Compartilhe
. . .
YouTube
dica do J


posted by Rejoicing 11:01 PM Compartilhe
. . .
Segunda-feira, Maio 22, 2006
_ _ _ _ _ _ estou procurando, procurando. Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.

Clarice


posted by Rejoicing 8:28 PM Compartilhe
. . .


Eu queria ser só um pouquinho menos crítica... um pouquinho menos lúcida...
Sei que uma parte eu já anestesiei, que é o meu lado intelectual politizado, de mulher informada e antenada em tudo o que acontece na cidade, no país, no mundo. Hoje eu não leio jornal, nem revistas, pouco vejo de noticiários televisivos, evito emitir opiniões sobre os acontecimentos (embora eu quase sempre tenha uma)... Mas a "outra" lucidez parece não dormir nunca...
J escreveu que ás vezes ele não sabe onde colocar suas endorfinas... parafraseando-o digo que ás vezes eu não sei onde elas estão...


posted by Rejoicing 7:41 PM Compartilhe
. . .
Sábado, Maio 20, 2006
Enquanto isso... Si está tecendo, tecendo, tecendo... para pagar os novos (e caros!) fios que comprou na sexta... Sem celular, que foi roubado na Rua São Joaquim, próximo à estação São Joaquim de metrô. Queridos NÃO ATENDAM CELULAR NA RUA! Há uma onda de assaltos pra levar celulares que é um absurdo! Eu ainda reagi e saí correndo atrás do filhodaputa. Ninguém faz absolutamente nada, ninguém reage. Provavelmente por isso o ladrão tenha ficado surpreso ao ver uma mulher se arriscando desse jeito.


posted by Rejoicing 12:52 PM Compartilhe
. . .

Doa-se um SETTER IRLANDÊS. SP

O HERBERT é um rapazinho de mais ou menos 2 aninhos. Ela é muito saudável, e uma ótima companhia. Será entregue castrado, vacinado e vermifugado. Quem quiser adota-lo entre em contato com Ana Paula (11) 5615-6880 á noite ou antes das 8:00 da manhã ou pelo e-mail: mauraestella@yahoo.com.br (o anúncio foi postado em 17/05/2006 no site http://melsuzi.fotoblog.uol.com.br/)

(Eu adotei uma setter adulta, a Meg, que é o cão mais dócil que eu já ví na minha vida! Além de linda, ela é uma lady! Quem tiver espaço para um cãozinho em casa adote este...)


posted by Rejoicing 12:42 PM Compartilhe
. . .
Sexta-feira, Maio 19, 2006

URGENTE!!!!!!!!!MENINAS DO PEROBA - URGENTE - Estas meninas moravam nas guaritas do Condomínio Chácaras do Peroba, na Granja Viana, há mais de seis anos e foramdespejadas pelo atual Presidente do Condomínio Sr. Ricardo Quartier. Elas prestaram um serviço inestimável à comunidade durante todos estes anos, pois serviram de companhia e auxílio à Segurança do Condomínio com sua prontidão e alarme. Apesar disto, elas foram punidas e expulsas e o local onde moravam foi derrubado para dar lugar, de acordo com o Sr.Ricardo Quartier, a "um paisagismo que embeleze as guaritas".Logo após a expulsão, elas foram abrigadas temporariamente numa casa que estava à venda. O negócio agora se concretizou e as Meninas do Peroba não tem para onde ir.Precisamos com urgência encontrar um lar definitivo para elas. Por favor, ajudem a divulgar este apelo!!! Contato: augustatol@uol.com.br


posted by Rejoicing 9:20 PM Compartilhe
. . .

Adote

outro site de animais para adoção


posted by Rejoicing 9:19 PM Compartilhe
. . .
Quinta-feira, Maio 18, 2006

Almir Eduardo Melke Sater

Mês de Maio - Almir Sater e Paulo Simões

Azul do céu brilhou
E o mês de maio, enfim chegou
Olhos vão se abrir, pra tanta cor
É mês de maio, a vida tem seu esplendor
A luz do sol entrou
Pela janela e convidou
Pra tarde tão bela, e sem calor
É mês de maio, saio e vou ver o sol se pôr
Horizonte, de aquarela, que ninguém jamais pintou
E um enxame, de estrelas, diz que o dia terminou

Noite nem se firmou
E a lua cheia, já clareou
Sombras podem vir, façam favor
É mês de maio, é tempo de ser sonhador

Quem não se enamorou
No mês de maio, bem que tentou
E quem não tiver, ainda amor
Dos solitários, o mês de maio é o protetor

Boa terra, velha esfera, que nos leva aonde for
Pro futuro, quem nos dera, que te dessem mais valor


posted by Rejoicing 10:33 PM Compartilhe
. . .
Quarta-feira, Maio 17, 2006

Sabe que eu até sinto um pouco de saudades do meu antigo cantinho...


posted by Rejoicing 10:48 PM Compartilhe
. . .
Terça-feira, Maio 16, 2006
Um chá quentinho, um cobertor, dvd e um colinho... não falta mais nada...


posted by Rejoicing 8:41 PM Compartilhe
. . .
Domingo, Maio 14, 2006

Chovendo homens!?! (Magritte)


posted by Rejoicing 9:09 PM Compartilhe
. . .
Em algumas épocas sinto que quanto menos eu me pronunciar, melhor. A sensação é de que não sou compreendida nem pelos mais próximos. Alternativa: ficar quietinha no meu canto, tecer, relaxar, me fortalecer do jeito que dá.


Quem escreveu o "argumento" daquele filme "Por um fio" com o Colin Farrell??? Que horrível...
Revendo "Tenha fé", direção do Edward Norton. Dois amigos apaixonados pela mesma garota... um é padre e o outro, rabino. O padre não pode se casar... quem ela "escolhe"?


Rothko


posted by Rejoicing 8:50 PM Compartilhe
. . .
Sábado, Maio 13, 2006
Sereníssima - Legião Urbana

Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E cê vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia.
Já passou, já passou - quem sabe outro dia
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho, mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada?
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo


posted by Rejoicing 7:46 AM Compartilhe
. . .
Quinta-feira, Maio 11, 2006


Serra do Luar - Walter Franco

Amor vim te buscar em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento
Eu só voltei pra te contar
Viajei, fui pra serra do luar
Eu mergulhei, ai, eu quis voar
Agora vem, vem pra terra descansar

Viver é afinar o instrumento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, a todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro

A toda hora, a todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, a todo momento
De dentro pra fora
De fora pra dentro


posted by Rejoicing 10:01 PM Compartilhe
. . .
Terça-feira, Maio 09, 2006

cão!


posted by Rejoicing 10:18 PM Compartilhe
. . .
Entrevista com o Eddie Vedder na revista Rolling Stone


posted by Rejoicing 10:14 PM Compartilhe
. . .
Domingo, Maio 07, 2006
Ah, fala sério!


posted by Rejoicing 12:39 PM Compartilhe
. . .
A gente precisa começar a calcular melhor a quantidade de coisas que compramos para esses eventos...


posted by Rejoicing 12:27 PM Compartilhe
. . .

Lí num blog amigo e achei muito legal...


posted by Rejoicing 12:19 PM Compartilhe
. . .
Sábado, Maio 06, 2006




Santo Emule! Baixar o show do Pearl em que eu estava... não tem preço!
Tks J pelo precioso recurso que vc me ensinou a usar!


posted by Rejoicing 10:42 AM Compartilhe
. . .

Chico diz que vota em Lula de novo


Decepcionado com o PT, Chico critica oposição que trata Lula como um "vagabundo que deve voltar à senzala'



FERNANDO DE BARROS E SILVA - Editor de Brasil

"É duro jogar na defesa." Foi esse o comentário bem-humorado que Chico Buarque fez assim que terminou a primeira parte de uma entrevista feita em dois tempos, no domingo à noite e na segunda-feira à tarde, no seu apartamento no Leblon. O compositor se referia à defesa que acabara de fazer do governo Lula.
Mas Chico Buarque não sabe, não gosta e não joga na defesa. Como no futebol, que, perto de completar 62 anos, em junho próximo, continua praticando três vezes por semana, Chico partiu logo para o ataque. Disse que o escândalo do mensalão o deixou, sim, decepcionado com o governo e é desastroso para o PT. Mas disse com ênfase ainda maior que as críticas da oposição e de parte da mídia a Lula exorbitaram tanto no tom quanto no conteúdo e são, por isso, inaceitáveis.
Mais ainda, Chico vê o recrudescimento do preconceito de classe contra o presidente: "Como se fosse uma concessão, deixaram o Lula assumir. "Agora sai já daí, vagabundo!". É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu esse luxo de ocupar a Casa Grande", diz Chico.
Há no PT a idéia de que ou você é petista ou é calhorda, assim como o PSDB acha que você ou é tucano ou é burro
"Carioca", que chega hoje às lojas, está distante oito anos do CD anterior, "As Cidades", de 1998. No meio do caminho, o também escritor lançou o romance "Budapeste" (2003). Depois da Copa, ele deve retornar aos palcos apresentando o novo trabalho pelo país.

Folha - No fim de 2004, em entrevista à Folha, você via uma onda de ódio aos pobres e de ódio a Lula no país. Entre aquele diagnóstico e a situação de hoje houve a crise do mensalão. Você está decepcionado? O que mudou no governo Lula?
Chico Buarque - É claro que esse escândalo abalou o governo, abalou quem votou no Lula, abalou sobretudo o PT. Para o partido o escândalo é desastroso. Espero que disso tudo possa surgir um partido mais correto, menos arrogante. No fundo, sempre existiu no PT a idéia de que você ou é petista ou é um calhorda. Um pouco como o PSDB acha que você ou é tucano ou é burro [risos].
Agora, a crítica que se faz ao PT erra a mão. Não só ao PT, mas principalmente ao Lula. Quando a oposição vem dizer que se trata do governo mais corrupto da história do Brasil, é preciso dizer "espera aí". Quando aquele senador tucano canastrão vai para a tribuna do Senado dizer que vai bater no Lula, dar porrada, quando chamam o Lula de vagabundo, de ignorante, aí estão errando muito a mão. Governo mais corrupto da história? Onde está o corruptômetro? É preciso investigar. Tem que punir, sim. Mas vamos entender melhor as coisas.

Folha - Como assim?
Chico - Pergunte a qualquer pequeno empresário como faz para levar adiante seu negócio. Ele é tentado o tempo todo a molhar a mão do fiscal para não se estrepar. O mesmo vale para o guarda de trânsito. E assim sucessivamente. A gente sabe que a corrupção no Brasil está em toda a parte. E vem agora esse pessoal do PFL, justamente eles, fazer cara de ofendido, de indignado. Não vão me comover. Eles fazem o papel da oposição, está certo. O PT também fez o "Fora FHC", uma besteira.
Mas o preconceito de classe contra o Lula continua existindo -e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente. O sujeito mais humilde ouve e pensa: "Que história é essa de burro!? De ignorante!? De imbecil!?". Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! -até assassino eu já ouvi.
Fizeram o diabo para impedir que o Lula fosse presidente. Inventaram plebiscito, mudaram a duração do mandato, criaram a reeleição. Finalmente, como se fosse uma concessão, deixaram o Lula assumir. "Agora sai já daí, vagabundo!" É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu esse luxo de ocupar a Casa Grande. "Agora volta pra senzala!" Eu não gostaria que fosse assim.

Folha - Você acredita que o Lula seja de fato visto como uma ameaça pelos mais ricos?
Chico - A economia, na verdade, não vai mudar se o presidente for um tucano. A coisa está tão atada que honestamente não vejo muita diferença entre um próximo governo Lula e um governo da oposição. Mas o país deu um passo importante elegendo o Lula. Considero deseducativo o discurso em voga: "Tão cedo esse caras não voltam, eles não sabem fazer, não são preparados, não são poliglotas". Acho tudo isso muito grave.

Folha - Você vai votar no Lula?
Chico - Hoje eu voto no Lula. Vou votar no Alckmin? Não vou. Acredito que, apesar de a economia estar atada como está, ainda há uma margem para investir no social que o Lula tem mais condições de atender. Vai ficar devendo, claro. Já está devendo. Precisa ser cobrado. Ele dizia isso: "Quero ser cobrado, vocês precisam me cobrar, não quero ficar lá cercado de puxa-sacos". Ouvi isso dele na última vez que o vi, antes de ele tomar posse, num encontro aqui no Rio.

Folha - Vários artistas andaram criticando o PT, o governo e Lula. O meio artístico, ao que parece, não vai mais embarcar no "Lula lá".
Chico - Pelo que eu ando lendo, a grande maioria dos artistas está contra o Lula. Tenho a missão de contrabalançar um pouco isso [risos]. Há também entre os artistas um pouco daquela competição: quem vai falar mais mal do presidente? Mas concordo em parte com o Caetano. Em parte.
Quando ele fala que as pessoas do atual governo se cercam da aura de esquerda para justificar seus atos e reivindicar para si uma posição superior à dos demais, tudo isso também vale para o governo anterior. Os tucanos costumam carregar essa aura de esquerda com muito zelo. Volta e meia os vemos dizendo que foram contra a ditadura, que são intelectuais de esquerda. Fernando Henrique foi eleito como candidato de centro-esquerda. Na época a vice entregue ao PFL parecia algo estranho. Depois se provou que não era.
As pessoas se servem do passado de esquerda como se fosse um título, um adorno. Na prática política essa identidade não funciona mais. Mas não funciona não só porque as pessoas viraram casaca. A história levou para isso. Levou o PSDB a se tornar o que é e obrigou o PT a abdicar de qualquer veleidade socialista ou revolucionária.

Folha - O que você acha do PSOL e dessa turma que deixou o PT fazendo críticas pela esquerda?
Chico - Percebo nesses grupos um rancor que é próprio dos ex: ex-petista, ex-comunista, ex-tudo. Não gosto disso, dessa gente que está muito próxima do fanatismo, que parece pertencer a uma tribo e que quando rompe sai cuspindo fogo. Eleitoralmente, se eles crescerem, vão crescer para cima do PT e eventualmente ajudar o adversário do Lula.

Folha - Como você vê a atuação da mídia no escândalo do mensalão? Tem gente que ainda diz que a mídia criou ou inventou essa crise.
Chico - Não acho que a mídia tenha inventado a crise. Mas a mídia ecoa muito mais o mensalão do que fazia com aquelas histórias do Fernando Henrique, a compra de votos, as privatizações. O Fernando Henrique sempre teve uma defesa sólida na mídia, colunistas chapa-branca dispostos a defendê-lo. O Lula não tem. Pelo contrário, é concurso de porrada para ver quem bate mais.

Folha - O rumo que tomou o Brasil e o mundo o faz se sentir derrotado? A sua geração perdeu?
Chico - É evidente que parte da minha geração que chegou ao poder não lutou a vida inteira para isso. Eu vou dizer: até mesmo pessoas que hoje são execradas publicamente, como o Zé Dirceu...
Não tenho maior simpatia pelo Zé Dirceu, não assinei manifesto em defesa dele, acho que ele errou, que ele tem culpa, sim, por tudo o que aconteceu, mas eu respeito uma pessoa que num determinado momento entregou a sua vida, jogou tudo o que tinha em nome de uma causa, do país.
Como o Zé Dirceu eu poderia citar outros nomes que chegaram ao poder, mas chegaram despidos daquele sonho em nome do qual eles lutaram a vida toda. Quem sabe para chegar ao poder tiveram justamente que se render ao pragmatismo. A pessoa que chega ao poder é um pouco um fantasma daquela que deu a vida por algo que não se realizou.

Folha - O público mais jovem tem interesse pelo que você e sua geração fazem hoje? O que mudou na recepção do seu trabalho?
Chico - Mudou muita coisa. Para as pessoas mais velhas, as músicas costumam ter história, lastro, estão ligadas à vida de cada um ou relacionadas a momentos do país. É comum ouvir "isso me lembra as Diretas-Já, isso me lembra Geisel, isso me lembra o Festival da Record". Para a garotada não há nada disso. Para eles sou músico de um passado só. Outro dia um jovem me disse: "Adoro aquela sua música". "Qual?", perguntei: "Com Açúcar, com Afeto" [risos]. A música tem 40 anos!.

Folha - É uma jovem senhora, mas ainda chama a atenção.
Chico - Isso na verdade é cíclico. Nos anos 80, em determinado momento que uma parte expressiva da mídia flertou com muito entusiasmo com uma certa idéia de internacionalização da cultura e de desbunde com o mercado, parecia que a música da gente já era. Nacional, só rock e olhe lá. Eu fui considerado completamente ultrapassado. Depois voltou. Daqui a pouco pode ser que não interesse mais. A gente continua fazendo -existe uma teimosia aí. E também, a essa altura, uma natural despreocupação com o sucesso imediato. Mesmo porque o sucesso imediato não acontece.

Folha - Você considera que o novo CD exige uma digestão mais lenta?
Chico - Você e outros comentaram que, a exemplo do anterior, o disco não é fácil de se gostar na primeira audição. Talvez não seja mesmo. Eu aposto um pouquinho no fato de que a pessoa vá ouvir várias vezes.
É difícil no meu caso ter uma música que seja um grande sucesso, que toque no rádio -eu não conto com isso. Não estou preocupado em fazer, como diziam os italianos, uma música "orecciabile", "orelhável". No final dos anos 60, quando morei em Roma, eles queriam que eu fizesse outra música como "A Banda", "orecciabile". E eu acabei não fazendo outras músicas "orelháveis", frustrando muitas expectativas. Hoje não existe nenhuma expectativa, nem minha nem de ninguém, de que eu precise ou vá compor uma música "orecciabile".
É natural que haja um tempo maior e um apuro maior, não apenas no processo de composição mas também no trabalho de estúdio, durante os arranjos, as gravações. É sem dúvida um trabalho mais sério, mais cuidado do que era há anos atrás. Não quero dizer que isso resulte numa música "impopular" de propósito, uma música sofisticada demais -não acho isso-, mas é uma música que não tem compromisso com o sucesso. Isso talvez a torne mais longeva.

Folha - Você transmite a sensação de que gostaria de ver seu trabalho melhor compreendido.
Chico - Sei que é difícil falar do disco. Até para mim é difícil. Em jornal, crítico de música geralmente é crítico de letra. É compreensível que seja assim -a letra vai impressa, o crítico destaca este ou aquele trecho. Funciona assim. Eu cada vez mais dou importância à música e tenho vontade de dizer: "Olha, só fiz essa letra porque essa música pedia. Isso não é poesia, é canção". Enfim, fico um pouquinho chateado com essas coisas, mas sei que é difícil. Como é que vai imprimir uma partitura no jornal e explicar aos leitores?

Folha - Você volta a fazer shows?
Chico - Tenho vontade de fazer, sim. Depois da gravação, do convívio com os músicos no estúdio essa vontade aparece. É o passo seguinte, de certa forma natural. Vamos ver depois da Copa.

Folha - Você acaba de gravar 12 programas dirigidos por Roberto de Oliveira, que mesclam entrevistas inéditas e imagens de arquivo cobrindo praticamente toda a sua carreira. Chama a atenção a maneira desinibida com que você acabou passando a limpo a sua trajetória. O que o levou a fazer esse balanço?
Chico - O Roberto foi me engabelando [risos]. A idéia inicial eram dois ou três programas. Achei que a proposta de recuperar imagens de arquivo que de outra forma ficariam perdidas justificava o trabalho. Mas só fazia sentido se isso viesse acompanhado de algo mais.

Folha - Esses documentários dos anos 70 e 80 que os programas recuperam chamam atenção pelo despojamento, pelo ambiente caseiro, de ensaios descontraídos. Vivia-se em outro planeta, não?
Chico - Fiquei muito tempo fora da Globo durante a ditadura, primeiro porque eles me vetaram, depois, quando me chamaram, porque eu não queria. Esses programas eram um contraponto à programação e à estética da Globo. Mostravam os artistas gravando, bebendo, era uma coisa meio mal-acabada, meio alternativa. Alguns discos, não apenas os meus, também tinham esse clima.
Era uma bagunça. Ouvindo hoje a gente tem a sensação de que o cantor bebeu, o maestro fumou e o produtor cheirou, não necessariamente nessa ordem [risos].
Era muita loucura, o estúdio cheio de gente, garrafas pelo chão, uma festa. Hoje você entra num estúdio e é aquela coisa ascética. Parece um hospital. Não se come, não se bebe, não se fuma, não se faz nada ali dentro.
Naquela época havia um certo valor nessa transgressão, nesse desregramento. Você ia gravar daquele jeito, todos no estúdio estavam daquele jeito e provavelmente quem ia ouvir os discos também estava daquele jeito. Não deixava de ser uma maneira de enfrentar e suportar a repressão. Hoje não faria nenhum sentido gravar naquelas condições.

Folha - Era uma época mais simpática?
Chico - Não acho nada simpática. Não dá para abstrair a ditadura. Uma coisa é Maio de 68 na França. Outra, completamente distinta, o nosso dezembro de 68.

(tks Lu pelo email)


posted by Rejoicing 10:28 AM Compartilhe
. . .
Quinta-feira, Maio 04, 2006
Agradeço aos céus por não escolhido ser veterinária... minha vida seria um tormento pois já não posso ver um cãozinho nas ruas que sofro, imaginem tendo o cuidado com eles como profissão...

Adoção



posted by Rejoicing 10:30 PM Compartilhe
. . .
Quarta-feira, Maio 03, 2006

In the village of Shimeng, Guizhou province. China.

Vontade, necessidade, de atravessar uma porta. Porta não, um portal...


posted by Rejoicing 3:47 PM Compartilhe
. . .

Valley of the Geysers. Kronotsky Nature Reserve. Kamchatka, Russian Far East.


posted by Rejoicing 3:44 PM Compartilhe
. . .
Saindo da casca...


posted by Rejoicing 3:33 PM Compartilhe
. . .


. . .