Quarta-feira, Março 30, 2005
Eu tenho um cd maravilhoso chamado "Jorge Aragão ao vivo convida" em que ele gravou "Eu e vc sempre" com a participação especial de Filhos de Gandhy, o que a torna ainda mais gostosa... Aliás, até "Espelhos d'água", que é uma letra do Dalto (lembra dele???) com o Cláudio Rabello, ficou boa na interpretação do Jorge. O cara é bom e faz um bem danado ouví-lo em alguns momentos.
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Amores difíceis (originalmente postado no SPT em abril de 2003) - Não confundir com o livro do Ítalo Calvino
"Nunca entrei em um amor perigoso sem saber o que estava fazendo. E saber o que estava fazendo nunca impediu que entrasse num amor perigoso. A boca do lobo ali escancarada, os amigos avisando, tentando me reter, e lá ia eu atirar-me entre mandíbulas. Como uma santa, tinha ouvido o chamado irresistível. Que às vezes provinha mais de mim mesma do que do apelo etéreo do amor, demorei bastante a descobrir.
Sou uma exceção? Absolutamente. Todos os kamikases do amor partem sabendo o que os espera. Vão em missão. A dura missão de demonstrar que a força do seu querer é maior do que qualquer obstáculo. E mais: certificar-se, ao conquistar definitivamente o querer daquela pessoa tão difícil, que são eles próprios objetos de amor mais valiosos do que todos os que os antecederam.
Os kamikases não partem dispostos a aceitar o outro como ele é, a tentar conviver com aqueles problemas que o tornam tão improvável como parceiro. Partem com espírito missionário para recuperar o amado, livrá-lo de seus erros e reconduzí-lo, limpo e salvo, ao santuário do amor.
Aparentemente trata-se apenas de paixão, à luz da qual aquela pessoa nos parece fundamental e insubstituível, única capaz de fazer-nos felizes. Por conta dessa paixão, temos a certeza absoluta de estar vendo nela qualidades inigualáveis que os outros ignoram, e diante das quais os defeitos tornam-se secundários. Temos certeza de que só nos vemos, porque só a percuciência do nosso sentimento penetra no verdadeiro âmago do ser amado, fotografando seu eu oculto. Esse mergulho visual faz com que nos consideremos eleitos.
E tendo sido escolhidos por esse amor, começamos a lutar para concretizá-lo.
Mas é uma luta estranha, que progressivamente nos coloca sob o domínio do outro. Porque ele é mais difícil, cabe a nós ter paciência. Porque ele é mais complicado, cabe a nós ser compreensivos. Porque ele é mais irregular, cabe a nós estar à disposição. A vida se transforma numa longa espera. Esperamos que ele melhore. Esperamos que nos queira. Esperamos que descubra afinal como somos maravilhosos. Esperamos que apareça, que telefone, que dê notícias. Esperamos pelos seus lindos surtos de paixão.
Sim, porque uma das características do amor difícil é sua absoluta irregularidade. Se o amado fosse sempre uma peste, sempre bêbado, sempre agressivo ou sempre rejeitador, cedo nos cansaríamos. Mas ele alterna, joga, vai e vem, mantendo-nos sempre alertas, com o coração na mão. E jogando-nos de lá pra cá, entre o seu querer e o seu negar, vai aos poucos aplastrando nossa vontade, deixando-nos quase à deriva, num ritmo que não é o nosso.
Tentamos ser lógicos. Dizemos a nós mesmos que se ele quis é porque nos amava. e se nos amava e nós temos feito tudo direito, temos nos esforçado tanto para agradar, deveria nos amar cada vez mais. E então, vendo que não nos ama como esperávamos, redobramos os cuidados, querendo por força ignorar que amor e lógica não andam juntos."
Marina Colasanti, in "E por falar em amor"
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Terça-feira, Março 29, 2005
Atualmente, não há frase mais relevante que essa:
"A origem do sofrimento está na negligência da memória"
Pierre Fédida
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The tree of life - Gustave Klimt
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Rê eu entendo perfeitamente pq vc tirou a cx de comentários do seu
blog. Mas não deixa de ser uma pena não poder te elogiar lá. O post "about me" ficou ótimo! Fica aqui minha admiração.
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Domingo, Março 27, 2005
Acho que eu já postei esse texto, mas como sei que os novos leitores costumam ser preguiçosos em relação aos arquivos, repito o post:
Mulá Nasrudin, o célebre personagem dos contos sufis - aquele que sempre sai com uma tirada, até nos piores momentos -, parece nos dizer, com insistência, que tudo é uma questão de ponto de vista. Se algo é bom ou mau, engraçado ou triste, bem... isso depende.
Conta-se que, certo dia, o mulá voltava para casa encantado com a doçura da manhã. Havia sol, a temperatura era boa, tudo conspirava a favor. Então ele resolveu tomar um atalho. Para que continuar nesta estrada poeirenta se posso ir pelo mato, admirando as flores e os pássaros? Afinal, hoje é um dia especial e venturoso!
O mulá já atravessava a floresta, deslumbrando-se com o cenário e a música da natureza, quando então caiu num buraco, de onde não tinha como sair. Pôs-se a refletir...
Talvez este não fosse um dia assim tão afortunado.... Então, ponderou: Mas, ora, se aqui, neste lugar tão maravilhoso, acontecem coisas assim, imagine o que me estava reservado naquela estrada poeirenta!
Eis uma lição que serve, não importa como a interpretemos: mudar o ponto de vista, enxergar sob outra perspectiva, trocar de chapéu...
Praticar essa atitude, nas situações mais desafiadoras, parece ser a chave para compreender que nada é bom ou ruim em si mesmo, que não temos como julgar.
A propósito, perguntaram certa vez ao Nasrudin:
- Mulá, o que é o destino?
- Suposições.
- Como assim?
- Você supõe que as coisas irão bem e elas não vão - a isso chama azar. Supõe que as coisas irão mal e elas não vão - a isso chama sorte. Supõe que certas coisa irão ou não acontecer - e , na mais absoluta falta de intuição, não sabe o que irá acontecer. Você então supõe que o futuro é desconhecido. Finalmente, você é surpreendido ¿ a isso chama destino.
Ou seja, se não há muito a fazer em relação ao destino, e se estamos mesmo condenados à morte - esta, sim, nossa única certeza, como bem disse o velho Sócrates - ao menos vamos nos divertir um pouco.
Eugênio Mussak, do artigo Sorria, meu bem edição 10 de outubro/2003 da revista Vida Simples
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Sábado, Março 26, 2005
Annette Bening
Maravilhosa, espetacular! Se vc ainda não assistiu "Adorável Júlia", não sei o que ainda está fazendo aí na frente do micro. Isso, claro, se vc é um amante do cinema.
Não ví Menina de Ouro, mas depois de ver a atuação da sra Warren Beatty estou convencida de que ela merecia o Oscar, isso se a premiação fosse séria... Ok, digamos que a Hilary tb estava bem em seu papel, mas assista Adorável Júlia e depois conversaremos.
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O Livro dos Ogros
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Freud foi um gênio que escrevia de forma clara. Algumas vezes esqueço que estou lendo um texto teórico, parecem romances seus escritos sobre o surgimento da psicanálise.
Há algum tempo eu não me disciplinava a estudar, fichar textos, fazer anotações... Me sentia como que anestesiada intelectualmente. Como diz meu analista, a gente até consegue anestesiar a dor, mas como toda anestesia que não é local (e no caso da dor psíquica não teria como ser), o preço pode ser uma grande sensação de torpor. Mas ok, cá estou de novo em pé, tocando em frente. O bom é constatar que eu sempre sobrevivo embora as pauladas pareçam estar mais requintadas. É a velha história: a gente repete até aprender... Uma hora eu aprendo.
Vocês conhecem essa?
Seguindo em frente
(uma autobiografia em cinco curtos capítulos) Texto de Portia Nelson
I
Eu caminho por uma rua.
Tem um enorme buraco na calçada.
Eu caio dentro dele.
Estou perdido... Estou indefeso... Não é minha culpa.
Demora uma eternidade para achar uma saída.
II
Eu caminho pela mesma rua.
Tem um enorme buraco na calçada.
Eu finjo que não vejo.
Eu caio dentro dele outra vez.
Eu não acredito que estou lá de novo, mas não é minha culpa.
Ainda demora bastante tempo para eu sair dali.
III
Eu caminho pela mesma rua.
Tem um enorme buraco na calçada.
Eu vejo que ele está ali.
Eu caio nele... é um hábito.
Meus olhos estão abertos... Eu sei aonde estou... É minha culpa.
Eu saio imediatamente.
IV
Eu caminho pela mesma rua.
Tem um enorme buraco na calçada.
Eu passo em volta dele.
V
Eu caminho por outra rua.
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O ato verdadeiro do luto não é sofrer a perda do objeto amado; é constatar um dia o aparecimento de uma manchinha na pele da relação, sintoma de morte certa: pela primeira vez faço mal a quem amo, sem querer é claro, mas sem me desesperar.
Roland Barthes, verbete O exílio do imaginário in Fragmentos de um discurso amoroso
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Terça-feira, Março 22, 2005
Aniversário da Colher. PB, Cô e Si. (a data está errada... o certo é 04/03)
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Quarta-feira, Março 16, 2005
Na dúvida, não faça nada.
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Sexta-feira, Março 11, 2005
Eu tenho que agradecer, com vc eu descobri o quanto eu tb sou agressiva. Ainda esta semana ficou evidente ao encontrar um amigo a caminho de uma sessão de cinema, peguei mais pesado do que a situação pedia... é, será que tenho algum planeta em escorpio?
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Terça-feira, Março 08, 2005
New York. Malheiro, Luis
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Pra ser sincera eu fui assistir a contra gosto e acabei gostando muito. O pôster não faz "juz" ao conteúdo.
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Em um mundo que se fez deserto temos sede de encontrar companheiros.
Saint Exupéry
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Azêmola s. f. (1) Besta de carga, sobretodo a mula ou macho. (2) Fig. Pessoa torpe ou estúpida: cala, que és uma azêmola.
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Sábado, Março 05, 2005
A melhor da semana, sem dúvida foi a frase do Pedro, ontem, já não muito sóbrio respondendo pq ele não se sentiria culpado:
Eu tercerizei minha consciência
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Quinta-feira, Março 03, 2005
"O sociólogo Ehrenberg, pesquisador das figuras do individualismo moderno, alertou, recentemente, para a historicidade das doenças relacionadas ao aumento das cobranças feitas a cada indivíduo, em contraposição à retirada das instituições públicas e privadas das responsabilidades sociais, especialmente aquelas ligadas à saúde. No livro sobre "o cansaço de ser eu mesmo". ele demonstra quanto a depressão está intimamente relacionada a contextos em que homens, mulheres e mesmo crianças são chamados a decidir sozinhos e permanentemente sobre o que deve ser comprado, vendido, consumido em nome de sua saúde e bem estar. Ele não tarda a concluir que a livre escolha é hoje uma norma, enquanto ser proprietário de si mesmo é o símbolo maior de civilidade."
Denise Bernuzzi de Sant'Anna in Corpos de Passagem - ensaios sobre a subjetividade contemporânea
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Outro dia acordei ouvindo esta música que, junto com "Nalgum lugar" do Zeca Baleiro, é uma das letras mais significativas na minha história. Vale sempre lembra da mensagem...
Tocando em Frente - Composição: Almir Sater e Renato Teixeira
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs,
é preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, e ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
de estrada eu sou
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz.
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