E por falar em amor...

"Tudo é verdade e caminho" Fernando Pessoa



Terça-feira, Setembro 30, 2003

Fui ao cinema assistir O raio verde. Armadilha inconsciente... no original Le Rayon Vert, sim, francês... e eu tinha me prometido fugir dos filmes franceses... Mas valeu, contribuiu com minhas reflexões sobre intelectualidade X relacionamentos.

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Gostei muito desse selinho, que copiei lá do Batom na Cueca. É que chamo meu quarto de Cafofo...

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Estou vendo o programa do congresso ( XVII CONGRESSO INTERNACIONAL DE ANÁLISE BIOENERGÉTICA ) e estou fascinada!!! Até hoje estava mais envolvida com a viagem a Salvador que com o conteúdo do encontro, mas agora me animei de vez!!!! Sintam alguns dos temas:
- Acompanhamento Terapêutico sob o Enfoque da Psicoterapia Corporal: uma Clínica em Construção
- Quando o Corpo Reflete o Cosmos - A Nova Física e o Setting Terapêutico
- A Análise Bioenergética na Formação e na Prática dos Profissionais de Saúde em Atenção Primária: Uma Experiência no Coração do Brasil
- Consciência Corporal, Escola e Disciplina: Reflexões
- Um Resgate do Corpo e da Identidade Grupal em Situações Traumáticas no Trabalho
- A Bioenergética como Instrumento de Melhoria das Relações Interpessoais nas Empresas
- Corpo em Movimento - Construções Pró-Vida, Pró-Cidadania Através da Política de Redução de Danos


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Quinta-feira, Setembro 25, 2003

Vontade de escrever muitas coisas pra vcs, compartilhar a fragmentação do meu pensamento nesta fase caótica e desorganizada... acho que preciso de uma TO pra me ajudar a unir as muitas pontas soltas...
Hoje lí em uma folha solta de jornal (de 26/08) um artigo do Rubem Alves, que é um cara que eu gosto muito:
"Schopenhauer tem um curto e delicioso texto sobre livros e leitura em que diz o seguinte: 'Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos o seu processo mental'. Segue-se que 'aquele que lê muito ou quase o dia inteiro (...) perde paulatinamente a capacidade de pensar por conta própria' - o que é o caso de muitos eruditos que 'leram até ficar estúpidos'.
[...] de tanto serem treinados para dar as respostas certas, acabam por perder a capacidade de fazer perguntas, a essência do pensamento inteligente."
Ele estava se referindo ao vestibular. De qualquer forma não sei se concordo totalmente com ele.

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Semana passada recebi um cartão de uma amiga (que nem desconfia a quantidade de reflexões que suscita), em que estava escrito:
Dê asas ao teu sonho, liberdade aos teus caminhos, e um chão aos teus pés. Pois até que se prove o contrário, a vida é uma só"

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Quarta-feira, Setembro 24, 2003

Depois de umas noites de desepero, heis que renasço.

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Segunda-feira, Setembro 22, 2003

Há momentos em que ser amigo significa ir além de apenas ouvir...

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soulages.bmp
Peinture 1957 - Pierre Soulages


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Quarta-feira, Setembro 17, 2003


Les Fiances Tour Eiffel


Todo Sentimento - Cristóvão Bastos e Chico Buarque

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei como encantado
Ao lado teu

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O jeito curioso que ele tem de tirar a camiseta... O som engraçado que ele faz ao assoar o nariz no chuveiro... Os cardápios improvisados nas madrugadas... A lasanha depois do cinema... Os passeios na praça com as meninas... Os bilhetinhos deixados nas manhãs... (eu sempre voltava pra casa correndo por causa deles). Lembra qdo cheguei exausta, após um atendimento à noite, e ainda fui te ajudar a limpar a casa? E o sábado à tarde qdo fui sua madrinha de capoeira? Fomos andando de casa até a USP... E a tarde em que vc chegou suadíssimo da aula e a gente caiu na cama... E a terça em que passamos o dia inteiro no hospital com a Ná? Almoçamos juntos no bandejão em clima de encantamento total... A Festa do Pijama que relembramos incontáveis vezes... a massagem nos seus pés, no seu rosto... o primeiro beijo... o domingo inteirinho que passamos grudados até a hora de ir encontrar a Ná no Canto da Ema... O churrasco de despedida da sua amiga para o Acre e depois vídeo na casa de outro amigo... eu estava já caindo de sono no teu ombro nos últimos episódios do Animatrix... A despedida da capoeira... aquela quinta feira ensolarada nunca sairá da memória... A angústia pela demora do consulado em liberar o visto... Vc aprendendo a tecer... A correria pra ir buscar a Ná de alta no hospital... o almoço naquele lugar que tinha escadas... e ela com o pé enfaixado... Aquela noite em que vc me deu comida na boca qdo eu estava "desmaiada" na sua rede... Nunca vou esquecer seu sorriso encabulado ao responder, suado por ter corrido, que não era bom chegar atrasado no primeiro encontro... Aquela manhã em que vc foi me ver no ambulatório... E a noite de dor de ouvido quase insuportável em que vc esteve ao meu lado... A viagem pra sua cidade, a difícil situação que vivemos, a "Truta Morita", a conversa à noite no centro, um puta frio e a gente em altas reflexões sobre família, infância, pais... A festa junina em que vc tentou me ensinar a dançar forró... O livro do Paul Auster que acertei em cheio pq consegui captar o seu momento...
Eu poderia escrever sem parar e mesmo assim não esgotaria os momentos que couberam em tão poucos meses. Não me arrependo de absolutamente nada.
Meu "cafofo", minha cama, meu tear... tudo naquele espaço lembra vc.
Ah, as segundas de manhã nunca mais foram as mesmas... Nem meu almoço, cada vez mais constante, no bandejão do hospital ... Não consegui cozinhar mais depois que vc partiu... E, pra ajudar, no caminho para o SESC tem uma faixa escrito "Capoeira made in Brasil"... Como vc pode ver, a cidade está repleta de vc. Ao contrário de onde vc está, pq aí eu não existo além da sua memória (O LIVRO DA MEMÓRIA). Eu bem que tentei me manter viva em vc.

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Terça-feira, Setembro 16, 2003

"Dizem que passado o terremoto de Lisboa (1755), o Rei perguntou ao General, o que se havia de fazer.
Ele respondeu ao Rei: "Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos".
Essa resposta simples, franca e direta tem muito a nos ensinar.
Muitas vezes temos em nossa vida, "terremotos" avassaladores como o de Lisboa no século XVIII. A catástrofe é tão grande que muitas vezes perdemos a capacidade de raciocinar de forma simples, objetiva.
Todos nós estamos sujeitos a "terremotos" na vida. O que fazer?
Exatamente o que disse o General: "Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos". E o que isso quer dizer para a nossa vida?
Sepultar os mortos significa que não adianta ficar reclamando e chorando o passado. É preciso "sepultar" o passado. Colocá-lo debaixo da terra. Isso significa "esquecer" o passado. Enterrar os mortos.
Cuidar dos vivos significa que depois de enterrar o passado, em seguida temos que cuidar do presente. Cuidar do que ficou vivo. Cuidar do que sobrou. Cuidar do que realmente existe. Fazer o que tiver que ser feito para salvar o que restou do terremoto.
Fechar os portos significa não deixar as "portas" abertas para que novos problemas possam surgir ou "vir de fora" enquanto estamos cuidando dos vivos e salvando o que restou do terremoto de nossa vida. Significa manter o foco no "cuidar dos vivos". Significa concentrar-se na reconstrução, no
novo.
É assim que a história nos ensina. Por isso a história é "a mestra da vida". Portanto, quando você enfrentarem um terremoto, não se esqueça: enterre os mortos, cuide dos vivos e feche os portos.

Pense nisso.

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Segunda-feira, Setembro 15, 2003

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Quarta-feira, Setembro 10, 2003

"Um bom esporro opera milagres. E adia o enfarte".
Do bom e velho Bricabraque, em 04/09.

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Romance Ideal

Ela é só uma menina
e eu pagando pelos erros
que eu nem sei se eu cometi

Ela é só uma menina
e eu deixando que ela faça
o que bem quiser de mim

Se eu queria enlouquecer
esta é a minha chance
é tudo o que eu quis
Se eu queria enlouquecer
este é o romance ideal

Não pedi que ela ficasse
ela sabe que na volta
ainda vou estar aqui

Ser eu queria enlouquecer
esta é a minha chance
este é um romance ideal

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Terça-feira, Setembro 09, 2003


Midsummer Eve - by Edward Robert Hughes

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A felicidade é deste mundo.
Tenho minhas divergências teórico/políticas com o Caetano, mas não há dúvidas que a interpretação dele é maravilhosa. Pode ser que eu ache isso pq ele é parte da memória musical da minha adolescência. De qualquer forma, é difícil não babar por ele cantando esta música, tema do filme Lisbela e o prisioneiro:

Você não me ensinou a te esquecer - Fernando Mendes

Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

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Segunda-feira, Setembro 08, 2003

Meu analista diz que homem separa amor de desejo. Como então saber se o outro me ama??
Ele sonha que ela o traiu. Transferência? Isso o livraria da culpa (do desejo) da sua própria traição...

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Sexta-feira, Setembro 05, 2003

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Esta semana inteira a carta que sai pra mim é a do perdão...
"Perdão... é uma coisa que a gente só consegue sentir quando descobre que faz um monte de coisas erradas; aí a gente entende que as outras pessoas podem errar também."
Deixe que a energia do perdão cure seus relacionamentos.
Tirei tb uma pra vc e é curioso ver como as coisas se encaixam...
"Respeito... é quando a gente descobre que o outro existe. Às vezes a gente olha para o outro e só consegue ver a gente mesmo e aí não respeita o outro porque a gente nem sabe que ele está lá."
Olhe novamente e redescubra as pessoas ao seu redor.

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Quarta-feira, Setembro 03, 2003

Gostaria de comentar tantas coisas com vocês... Falar do show de interpretação que a personagem Lorena (Suzana Vieira) deu no dia em que 'acabou' com a Marília na novela das 20h. Quando crescer quero ser madura e centrada como ela! Foi de tirar lágrimas dos olhos.

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Jeanne Hebuterne - Amadeo Modigliani

Ele é um dos meus pintores favoritos. Achei a mocinha até que parecida comigo...

postado por: Si 12:38 PM Compartilhe


Esse é meio que o percurso da gente na terapia...

Seguindo em frente

I - Eu caminho por uma rua. Tem um enorme buraco na calçada. Eu caio dentro dele. Estou perdido... Estou indefeso... Não é minha culpa. Demora uma eternidade para achar uma saída.
II - Eu caminho pela mesma rua. Tem um enorme buraco na calçada. Eu finjo que não vejo. E caio dentro dele outra vez. Eu não acredito que estou lá de novo, mas não é minha culpa. Ainda demora bastante tempo para eu sair dalí.
III - Eu caminho pela mesma rua. Tem um enorme buraco na calçada. Eu vejo que ele está alí. Eu caio nele... é um hábito. Meus olhos estão abertos... e eu sei aonde estou... é minha culpa. Eu saio imediatamente.
IV - Eu caminho pela mesma rua. Tem um enorme buraco na calçada. Eu passo em volta dele.
V - Eu caminho por outra rua.

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"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã,
Pq se vc parar pra pensar
Na verdade não há"



Kiss - Gustav Klimt

"Eu quero muito falar com ela pq me parece que ela é a única com quem vale a pena mesmo falar. (e beijar, tb sou a única com quem vale a pena???????). Aqui a gente conhece tanta gente que vem e que vai para tantos lugares diferentes e distantes que parece que tudo é passageiro, que nada vai ficar e muito pouca coisa tem consistência. Bem, para mim ela tem consistência e às vezes me parece que de todas as pessoas que conheço é só ela que vai ficar. Como no filme 'Uma mente brilhante', que ela mesma gosta e de que ela mesma me falou. Sinto saudades dela, dos momentos que vivemos e das coisas simples que dividimos".

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Segunda-feira, Setembro 01, 2003


Blue Nude - by Pablo Picasso

Não dá pé não tem pé nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem talvez
Ter feito o que você fez
Desapareça cresça e desapareça

Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem coração que esqueça
Não tem ninguém que mereça
Não tem pé nem cabeça
Não dá pé não é direito
Não foi nada eu não fiz nada disso
E você fez um bicho de 7 cabeças
Bicho de 7 cabeças


Bicho de 7 cabeças (Zé Ramalho / Geraldo Azevedo / Renato Rocha)

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Queria escrever, mas só consegui lembrar do Kazi quando a namorada terminou com ele. Ele encheu o Hana-Bi de letras do Chico... Tenho vontade de reproduzir seu blog aqui, mas acho suficiente copiar um dos últimos posts do falecido blog...

27/12/2001 Ganhei um pé-na-bunda de presente de natal.

Bonito, né? Quão baixo eu posso chegar? Não canso de me surpreender. E nem adianta tentar achar os porquês. Porque a gente sabe que a culpa é nossa. É minha.
Pé-na-bunda, porque essa coisa de "dar um tempo" não existe. "Dar um tempo" é ganhar umas semanas para tomar coragem para dar o pé-na-bunda olhando nos olhos, que isso é coisa de gente grande. Não, eu não me iludo com essas coisas. Fui chutado. As simple as that. (e, no entanto, se ela voltar, se ela voltar, que coisa linda, que coisa louca etc.)
Quanta cagada pode um homem só fazer? Quanta dor um homem suporta? Muita. Na verdade não suporta, mas isso é outra história. E é bem melhor que eu pare por aqui, isso está virando um tango. Ou um bolero. Dos ruins.

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