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E por falar em amor...
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"Tudo é verdade e caminho" Fernando Pessoa Sábado, Maio 31, 2003 Dia mundial de combate ao tabaco. Troque o cigarro por afeto! postado por: Si 1:00 AM Compartilhe Pronto, foi entregue! Agora seja o que for. Enfim uma (longa) etapa encerrada! Alívio merecido. Agora posso festejar!!! postado por: Si 12:58 AM Compartilhe
Alguém sabe o que está escrito?? Esta imagem é de um filme que eu gosto muito... "The Pillow Book" postado por: Si 12:49 AM Compartilhe Sexta-feira, Maio 30, 2003 Taí: Renato Braz e Yamandú Costa juntos neste domingo as 12h30 no Shopping Anália Franco. postado por: Si 11:54 PM Compartilhe Calendário Maia postado por: Si 1:20 AM Compartilhe Aprendizado do dia: Substituir a crença de que "Tempo é dinheiro" por "TEMPO É ARTE". A casualidade é a organização superior que começa a se manifestar e tem como qualidade, facilitar as coisas. A vida na Terra é a expressão da nossa consciência. postado por: Si 1:17 AM Compartilhe Quarta-feira, Maio 28, 2003 Hoje recordei dos fins de tarde de segunda feira na época maravilhosa em que tinha condições de me deslocar até o Sesc Paulista para me deliciar com apresentações mais que especiais de música instrumental... Lembrei porque uma amiga ligou pra mim na hora do almoço, eu estava saindo do hospital, pra me contar que o Renato Braz estava tocando ao vivo na Rádio Eldorado FM. Sua voz é maravilhosa e ele também toca, embora não seja formidável ao violão como o André Geraissati ou o Ulisses Rocha. Sinto falta de música, principalmente de música ao vivo. Saio renovada a cada show, apresentação ou mesmo uma rodinha de amigos relembrando velhas músicas... Faz bem pra alma... Talvez seja por isso que preparei esta reunião de sábado à noite, a qual chamei de Festa do Pijama. Dei este nome pq tenho umas amigas muito preocupadas com questões estéticas femininas e não queria ninguém de salto ou meia fina. A idéia é papear, comer, talvez um fondue, trocar carinho, cantar nosso repertório aconchegados em cobertores... postado por: Si 7:48 PM Compartilhe Sábado, Maio 24, 2003 Desde a primeira vez que fui a Porto Alegre me apaixonei e desejei morar naquela cidade. E hoje tive um insight maravilhoso que tem tudo a ver com o nome da cidade. Meu analista já tinha me perguntado se eu sabia que o antigo (primeiro) nome da cidade era Porto dos Casais. Achei, na época, curioso. Mas hoje a associação foi bem mais longe... Cheguei me perguntando pq tenho alguns amigos que de repente desaparecem e depois voltam e conversamos como se a distância e o tempo nunca tivessem existido. E são sempre encontros muito intensos, ricos, de uma intimidade aparentemente incomum em quem fica tanto tempo longe. A questão era: se é tão bom, se temos uma relação de confiança mútua tão forte, se nos gostamos, pq eles vão embora? Não que me abandonem pq sempre me procuram novamente. Acho que dá pra dizer que encarnei com perfeição o arquétipo do terapeuta: aquele que em quem vc pode confiar, como se tivessem a certeza de que estarei sempre alí, sempre pronta para uma xícara de chá acolhedora e uma longa conversa... Como um... um porto! Um porto alegre e seguro! Sim, eles vem e vão e eu estou alí, firme e serena... E me dar conta disso, além de aliviar, abre portas pra transformar isso pq, embora eu goste desses encontros, eu quero um porto seguro tb... Quando um vai, sempre chega outro buscando colo, atenção, um afago. Me sinto quase como uma prostituta, embora não seja uma questão sexual, eles chegam, recebem o que precisam, ficam gratos e voltam mais tranquilos para suas vidas, para suas histórias... postado por: Si 3:00 PM Compartilhe Caderno de Sonhos. Tenho encontrado blogs fantásticos ultimamente. Deve ser reflexo deste momento tão especial na minha vida. postado por: Si 2:08 AM Compartilhe Por favor me avisem se em algum momento vcs notarem mau hálito em mim. Não há nada pior que passar 2h no cinema ao lado de alguém com mau hálito! postado por: Si 12:40 AM Compartilhe Fui há pouco ver "A última noite" (The 25th hour) do Spike Lee. Adoro ver o filme em seu dia de estréia, um prazer que cultivo há anos. E este filme era especialmente esperado, muito mais que Matrix e, sem dúvida, muito melhor do ponto de vista simbólico, afetivo, intelectual. Não é apenas diversão, embora me canse um pouco aquele patriotismo ora velado, ora escancarado (tipo a bandeirinha americana no carro do pai do Monty...). Talvez possa resumi-lo como um filme sobre a confiança ou/e sobre a amizade. Há tb a questão de um tempo delimitado (é o último dia dele em liberdade antes de 7 anos de prisão) e como aproveitá-lo. Sim ele é um traficante, mas a gente quase esquece isso durante o filme. Com qual dos amigos dele vc se identifica? Ou talvez seja mulher e se veja na pele da bela Naturelle... Não importa, é apenas uma provocação. Acho o Edward Norton um dos melhores atores desta geração, senão o melhor. Gostei do filme embora tenha algumas (poucas) reservas. Vale assistir. postado por: Si 12:37 AM Compartilhe Quinta-feira, Maio 22, 2003 Para os chineses, a crise é uma crase - termo este que, derivado do grego, significa literalmente mistura ou fusão. Com efeito, naquela língua oriental o conceito de crise é dito Wei-Ji, locução composta pela junção dos ideogramas Perigo e Oportunidade. Por este viés, quando alguma coisa entra em crise, a situação não apenas se mostra arriscada, mas é vista também como possibilidade de mudança, como oportunidade para uma alteração de rumo, de modo a reverter seu estado de desequilíbrio, o que demonstra a extraordinária percepção dialética dos chineses, para quem cada elemento do universo tende sempre ao seu oposto - Yin e Yang. João Francisco Duarte Jr in O sentido dos sentidos postado por: Si 11:29 AM Compartilhe Quarta-feira, Maio 21, 2003 No fim de semana tive o prazer de ouvir e compartilhar histórias com afeto, respeito, emoção. Formar-me terapeuta corporal neo reichiana no final do ano não deve mudar muito meus conceitos sobre SER terapeuta. Mas, sem dúvida, este curso trouxe experiências fundamentais e deixou marcas indeléveis em mim; as trocas que realizamos nestes dois anos e meio foram material para reflexões e transformações profundas. Hoje estava lembrando a origem do meu nome... Simone vem do hebraico (se não me engano) Simeão, ou Simião, que significa "aquele que ouve". Todo mundo quer falar e todos querem ser ouvidos, inclusive eu. Mas sei que tenho ouvido pouco ultimamente. Ontem recebi uma carta, papel e letra de mão, como há tempos não recebia. Tenho paixão por papel, principalmente por saber que a pessoa não escreveu em um gesto mecânico ou automático (não suporto cartas digitadas pois causam a impressão de foram escritas sem pensar). E esta carta foi especial, me emocionei, sorri, pensei com muito carinho na pessoa que a escreveu. Sim vc está certa: podemos aprender com uma frase, um gesto. Se estivermos dispostos, disponíveis, permeáveis, um companheiro de viagem pode ser um mestre. Sempre, nos momentos difíceis, estamos sós diante das decisões, o que não invalida a atenção do outro. Também me sinto em um abismo (hoje tive consulta com meu querido mestre Vagner. Ele é para mim um porto mais que seguro, só me desespero quando ele parece preocupado comigo. Hoje, infelizmente ele pareceu preocupado... a dosagem do medicamento foi muito além das "três manhãs em jejum". Por outro lado, ele me perguntou se eu acho que há possibilidades de me formar ainda neste semestre como desejo. Respondi que sim e ele disse "então vc vai se formar". Claro que ele não é mágico, nem o gênio da lâmpada, mas seu tom afetuoso é sempre um alento.), mas já percebi que não vou surtar. A velha angústia dos neuróticos... o medo de enlouquecer... ou de cometer algum ato "impensado" (na verdade o correto seria dizer "um ato mais que pensado"). Sou grata pela maravilhosa oportunidade de estar viva e poder compartilhar fragmentos da minha história com outras pessoas e poder somar suas histórias às minhas, compondo um mosaico muito rico, fértil, que me dá suporte, alegria e a sensação de que vale a pena estar aqui. Agradeço a vc pela possibilidade de estarmos juntas nesse processo mútuo de crescimento e descoberta. Obrigada. Abraços fortes e carinhosos Si postado por: Si 10:06 PM Compartilhe Sexta-feira, Maio 16, 2003 Tenho aprendido a respeitar o meu ritmo. Eu sempre me preocupei mais com as necessidades dos outros: parava tudo pra socorrer um amigo; produzir uma encomenda; atender um paciente que estava mal, mesmo que eu estivesse pior; nunca me permiti dizer um não e sempre tive receio de ser injusta. Hoje aprendo a dizer "não", "não quero falar sobre isso", "não posso fazer isso agora", "preciso de carinho e atenção e vc não está tão perto qto acha que está". Embora seja difícil descer da minha "pseudo autosuficiência intelectual e afetiva" (sempre me senti sozinha e pouquíssimas vezes senti que poderia contar com alguém), vou aprendendo que, de fato não é com qualquer pessoa que se pode contar. Que de algumas é melhor ficar bem longe, pq parece só se aproximam por interesse, pq vc é boazinha e te acham com cara de trouxa que vai relevar tudo, sempre... Mas... tb há excessões, pessoas legais, gentis, sinceras e que realmente te querem bem e estão dispostas (dentro das suas possibilidades) a compartilhar com vc um tanto de suas histórias/vidas/prazeres/loucuras/descobertas/angústias/realizações. postado por: Si 9:50 PM Compartilhe Sei que é preciso ter paciência com meu próprio processo e sobretudo não exigir que as pessoas sejam perfeitas... Muitas vezes, com esses ouvidos treinados, percebí coisas que não me agradaram na fala do outro... demorou um tempo para eu aprender que isso não o invalidava, não anulava todo o seu potencial, nem o transformava em pior ou menor do que eu precisava. Minha tendência perfeccionista já fez com que eu perdesse boas oportunidades de crescer/trocar/avançar pq meu sininho interno tocou ao ouvir um errinho de concordância, ou algum gesto do outro ter atiçado minha insegurança. Ah, como é duro ser rígida! postado por: Si 1:10 AM Compartilhe (...) A emoção é obviamente uma onda. O amor, a tristeza, a raiva ou o medo, enquanto ondas que percorrem nosso corpo, tentando nos levar à complementação de um desejo, são comparáveis à inércia produzida por uma freada brusca num carro. Se me vem medo, eu me preparo para fugir; se me vem raiva, eu me preparo para lutar; se me vem amor eu me preparo para me aproximar, comunicar, fundir; se me vem tristeza eu me desmancho. Nós não podemos impedir nossas emoções, mas quando estas ondas vão tomando conta dos nossos músculos, nós podemos transformá-las em estruturas. Nós prendemos a emoção a custa de esforços que transformam o movimento emocional num monumento caracteriológico. Se isso é verdade, e existem fatos que o comprovam, então podemos dizer que meu inconsciente, aquilo que eu não percebo em mim, vocês vêem em mim. Os meus desejos e temores inconscientes estão inteiros escritos no meu corpo, a dificuldade sta em ler. É uma linguagem com que não se está muito familiarizado. Aprendemos a ignorá-lo, mas o percebemos mesmo não querendo. Assim, o olho amoroso é aquele que descobre a minha doença (minhas tristezas, fraquezas e temores aparentes), e vem curá-la com gesto carinhoso. Porque boa carícia é a melhor terapia corporal que existe. Não há dureza corporal que resista a um gesto genuinamente amoroso, a uma carícia bem feita. José Ângelo Gaiarsa, O corpo do homem, in "Macho, Masculino, Homem". postado por: Si 1:05 AM Compartilhe Para Pati Quando nos dirigimos a outrem pela fala, colocamos a voz a uma distância que resulta de vários fatores: da situação do corpo do outro relativamente ao meu; do modo como ouço a sua voz; e a minha própria voz, como se eu estivesse no lugar do outro; do contexto sonoro; da altura e do timbre da minha voz; etc. Da articulação voz/percepção visual decorre que se, fala para ser ouvido de um lugar que tem, aparentemente, limites objetivos, exteriores: não se fala para um lugar ao lado do corpo de outrem; mas também não se fala para os seus pés, ou para os seus joelhos, ou para o seu peito, fala-se para os seus ouvidos. Pelo menos, em aparência; porque os seus ouvidos são apenas órgãos sensoriais. Fala-se para ser ouvido mas, antes de mais, para ser compreendido (por isso se imprime tal entonação à voz, correspondente ao que se visa com a mensagem lingüística). Para além dos ouvidos, fala-se portanto para outra coisa, que é o que no outro me pode compreender (o seu espírito). Pode-se repetir esta descrição com outros meios de comunicação, com o olhar, por exemplo. Quando queremos ser entendidos com um simples olhar, para onde olhamos? Aparentemente, para os olhos do outro. Mas, é claro, não são os olhos como órgão que nos interessam, mas o olhar e, por detrás, o interior, a psyché. E o mesmo se dizer de um gesto, de um abraço de amizade. Não abraçamos um corpo-objeto; também não abraçamos a alma - mas então o quê? José Gil in Metamorfoses do corpo postado por: Si 12:38 AM Compartilhe Segunda-feira, Maio 12, 2003 Hoje acompanhei um grupo com deficiência visual em uma exposição. Há muito tempo atrás eu participei de grupos de artes plásticas para crianças e adultos, além de puericultura para "casais grávidos" e noções básicas de culinária para deficientes visuais. Ainda não descobri o quê, mas sei que tenho algo com os cegos, questões que vão além das levantadas no "Janela da Alma". Eu preciso ver, tocar, preciso VER o outro, sentir, cheirar... postado por: Si 10:35 PM Compartilhe Domingo, Maio 11, 2003 Estou estranhamente calma e isso me surpreende. No fundo devo estar contando com a proteção divina que nunca me abandona nessas horas. Racionalmente seria quase o fim do mundo para ambos, mesmo assim estou mantendo a serenidade e até uma dose de humor. Acho que ainda não caí na real... Confesso que lá no fundo eu sinto um pouco de medo. Medo, vergonha e culpa. Em alguns momentos fico me perguntando como pude ser tão irresponsável, eu que sempre disse aos quatro ventos que esse tipo de risco eu não quero ter, as conseqüências são muito sérias pra se brincar assim... E cá estou, revendo meus valores, meu modo de estar neste mundo e agora mais essa... postado por: Si 11:00 PM Compartilhe Guiu faço minha a sua sensibilidade... "Oi Clarice, hoje estou com certo receio de soar piegas, numa espécie de carta-de-amor-rídicula. Não apenas por falar essa palavra difícil e doce AMOR, mas por se tratar de algo ainda em suspense, ainda por acontecer, ainda em... espera? Quero dizer, estou com medo de soar cafona mesmo. Acordei que sonhava... e sonhava que tudo fica muito melhor quando estamos na fase apaixonada e apaixonante de enviar flores, poemas, referências... coisas gastas, né? Quero dizer, imagens já tão usadas pelo imaginário romântico. Mas a verdade é que sempre que dou festas pra alguém dentro de mim, me sinto liberto (já disse isso a você, inclusive). E aí penso: eu queria arrumar a casa antes de um novo amor chegar. Pintar algumas paredes, mudar quadros de lugar, forrar o sofá, a cadeira verde do Valdas, comprar móveis novos para cantos que teimam em ficar vazios na sala e no quarto. Também nessa hora não posso esquecer que preciso comprar taças. Sim, elas são importantes nessas ocasiões em que o coração resolve festejar. (...) Como Clarissa Dalloway, sigo tentando esconder o óbvio. Será que consigo, esconder o óbvio? Por enquanto preparo sozinho almoço e jantar, que saboreio igualmente sozinho, mas hoje até isso é bom. Voltando aos devaneios que já foram classificados como palavras vazias, por uma internauta menos amante e menos amada que nós, tenho que providenciar vinho. Um bom vinho pode revelar segredos, pode acentuar contatos, pode... pode quase tudo? Será que minha futura companhia (sim, porque a vida é sonho. E enquanto eu respirar vou continuar acreditando nisso) gosta de tomar café da manhã? E de jardim? Sou uma catástrofe com plantas.(...) Também hoje gastei horas tentando prever o que aconteceria se o relógio parasse, se não me informasse mais a passagem lenta do tempo. te beijo, Guiu" postado por: Si 10:37 AM Compartilhe "TODO SABER SE FUNDA NA NECESSIDADE DE SER AMADO E NO MEDO DE SER DOMINADO PELOS OUTROS". Maria Rita Kehl in O Olhar, 1990, p.411 postado por: Si 10:25 AM Compartilhe Quinta-feira, Maio 08, 2003 "E que sentimento havia? A impossibilidade de o ter, o coração desfeito na cabeça, os sentimentos confundidos, um torpor da existência desperta, um apurar de qualquer coisa anímica como o ouvido, para uma revelação definitiva, inútil, sempre a aparecer já, como a verdade, sempre, como a verdade, gêmea de nunca aparecer. Até a vontade de dormir, que lembra o pensamento, desapartei por parecer um esforço o mero bocejo de a ter. Até deixar de ver faz doer os olhos. E, na abdicação incolor da alma inteira, só os ruídos exteriores, longe, são o mundo impossível que ainda existe." Fernando Pessoa in "O Livro do Desassossego" postado por: Si 5:27 AM Compartilhe Ele apareceu. Ressurgiu das cinzas como fênix. Apareceu com um pacote de cookies de limão, como se fosse por acaso, como se não lembrasse que são minhas preferidas... Confusão total dentro de mim. Não há mais espaço para ele, que teve toda a casa só para si. Com ele eu teria construído uma família como aquelas de comercial de margarina... com filhos e cachorros (se bem que por mim só teríamos cães.. mas lhe daria sim filhos pq sei que ele queria muito). Enfim, deu uma desculpa qualquer, mal disfarçou quando me viu chegar, seus olhos brilhando como antes, seus braços quase se estendendo para me puxar pra si. Ai. Droga. Tava tão quietinha aqui no meu canto, até considerando aberturas nunca imaginadas (piercings, carinhas novos, aventuras, mudando meu jeito de ser/vestir/pensar). Pra tudo cair por terra com um sorriso. Nada se compararia a ele, não o trocaria por absolutamente nada caso fosse realmente uma opção. Coisa que já não acredito, não quero e não cogito. Mas confesso, foi difícil manter-me fria e distante... Como diz o Herbert "Pra não te tocar melhor nem te ver" (se não for isso, vai pro VIRUNDUNS, não tem problema...). postado por: Si 3:12 AM Compartilhe Terça-feira, Maio 06, 2003 Um blog que fala ao coração Perto do Coração Selvagem postado por: Si 11:41 PM Compartilhe Aquele homem ali, chorando na minha frente, lágrimas que contavam uma experiência marcante de sua infância. Naquele momento pensei 'que privilégio, estar perto de alguém que chora, não só fisicamente, mas estar ali junto dele, ouvindo contar algo dolorido, que marcou profundamente sua história'. Senti ser possível algum tipo de comunicação apesar da profunda solidão que sentíamos. Presenciar lágrimas pode parecer constrangedor se você não está envolvido com a situação. A gente fica ali com aquela "cara de tacho" sem saber o que fazer... Mas quando a gente se envolve, quando se identifica, entra em sintonia com dor, parece que a gente sente um pouco a dor do outro. Parece que temos o poder de dividir, dissolver quem sabe, aquela ponta de lança que roça o corpo do outro e fica abrindo sua ferida o tempo todo. Ele disse "É claro que isso é um segredo, mas você pode contar para algum paciente seu se considerar terapêutico". Sorri com sua generosidade. Hoje lembrei dele, nunca contei para ninguém sua história de dor e vergonha. Lembrei dele porque contei algo importante sobre mim. Sempre tive medo de que as pessoas se aproximassem de mim por pena, por obrigação cristã de ajudar quem está "doente". Mas ao lembrar de sua história percebi que minha relação com ele não mudou quando soube desse fato. Não senti dó, nem pena, nem fui mais ou menos compreensiva. Continuei como era, exceto pelas suas lágrimas. Na verdade não foi o fato em si que considerei importante, foram suas lágrimas. Ele permitiu que eu o visse em um momento de muita fragilidade, ele confiou em mim e não teve medo de se expor. Acreditou que poderia compartilhar comigo fragmentos da sua vida sem que eu o menosprezasse por isso, sem que o olhasse diferente. Sou grata pela sua generosidade, ainda que involuntária. Porque manter um segredo pode doer mais que a própria dor. postado por: Si 9:28 PM Compartilhe Eu tenho um tumor. No fundo acho que as pessoas criam doenças para justificar sua dor, talvez nomeá-las, poder dizer "eu sofro, olha como tenho motivos para sofrer...". Mesmo assim não me sinto confortável com minha angústia. Tenho um tumor, ou vários, os médicos dizem correr contra o tempo e eu acredito que a velocidade desse tempo está a meu favor. Que os dias passem rápido. Não para que o diagnóstico se defina, não por uma expectativa de avanços na medicina. Mas porque a velocidade parece atenuar o contato com o vazio. Um vazio que parece a cada dia mais impossível de ser preenchido. Um buraco no espaço. Porque é diferente de um buraco no chão que enche conforme você vá jogando coisas dentro dele. Um tumor é, a princípio, um espaço aberto, algo que provoca um imenso vazio. Aquela música "meu amor, o que você faria se só lhe restasse este dia? Ia pra academia? Trepava sem camisinha?" sempre me atraiu, mesmo antes... Hoje eu busco "peace, fast and pleasure" (perdoem meu inglês de colégio secundário). Se ao menos eu pudesse simplificar tudo... Mas quando se sente dor tudo parece grande, intenso e complexo. Acho que este tumor deveria estar no coração, pois é lá que o sinto. Mas, como é o cérebro quem comanda tudo... O Herbert bateu a cabeça e agora parece sem emoção na voz. Minha sensibilidade, ao contrário do previsto, aumenta a ponto de eu tocar sons e ver cheiros. Quem sabe se eu pudesse ocultar essas reações conseguiria relaxar e exigir menos de mim e de quem está perto. Pareço seguir pistas erradas, me ligo à pessoas que estão intensamente voltadas para os seus afazeres sócio, político, culturais de sobrevivência, e não querem ou não percebem o caos dentro de mim. Enquanto busco essências, respiro perfumes baratos... paradoxos de um percurso non linear. postado por: Si 10:05 AM Compartilhe Segunda-feira, Maio 05, 2003 Me pergunto o que me liga a determinadas pessoas e/ou contextos... muitas vezes parece evidente que o outro está me sacaneando ou que não está com a mesma intensidade na relação, mas eu prossigo. Será tolice? Ou lá no fundo, sem consciência, talvez eu sinta que há um motivo para estar alí, para conversar com aquela pessoa, investir em um contato. postado por: Si 1:25 PM Compartilhe "o que creio é que há ocasiões na vida em que devemos deixar-nos levar pela corrente do que acontece, como se as forças para lhe resistir nos faltassem, mas de súbito percebemos que o rio se pôs a nosso favor, ninguém mais deu por isso, só nós, quem olha julgará que estamos a ponto de naufragar, e nunca a nossa navegação foi tão firme (...)" José Saramago in A Caverna (pág. 346) Cortesia de uma querida amiga. postado por: Si 1:19 PM Compartilhe
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